Celebração penitencial durante a Quaresma

    O período quaresmal teve seu início na última Quarta-feira de Cinzas, dia 18 de fevereiro. É um período longo, que dura cerca de quarenta dias e vai até a Quinta-feira Santa à tarde. Um tempo forte, em que a Igreja nos convida a realizarmos práticas penitenciais como: oração, jejum e caridade. Ao longo da Quaresma, somos convidados a mudar de vida, ou seja, temos que entrar na Quaresma de um jeito e sair de outro; algo deve ser mudado em nós. Um período de penitência, conversão e mudança de vida.

    Por isso, ao longo do período quaresmal, somos convidados a nos reconciliarmos com o Senhor através do sacramento da confissão. A Igreja recomenda que, ao menos uma vez ao ano, nos confessemos por ocasião da Páscoa do Senhor. É claro que, se possível e conforme sentir necessidade, pode-se e deve-se confessar ao longo do ano, mas o período propício, o tempo favorável, é a Quaresma.

    No Sábado Santo à noite, renovamos as promessas do Batismo na celebração da Vigília Pascal. Através do Batismo, somos lavados e purificados de toda a mancha do pecado; tornamo-nos novas criaturas. Por isso, somos convidados a entrar na Quaresma de um jeito e chegar à celebração da Páscoa de outro. Dessa forma, somos convidados a nos confessarmos ao longo da Quaresma para podermos participar, de maneira pura, das celebrações pascais.

    A Igreja oferece meios, ao longo do tempo quaresmal, para que realizemos a nossa confissão sacramental. Uma das formas é possibilitar aos fiéis a participação na celebração penitencial. Nessa celebração, são meditados textos de caráter penitencial; o sacerdote profere a homilia e faz reflexões para que todos os fiéis examinem as suas consciências e, depois, se confessem. A celebração continua com as preces e a oração do Pai-Nosso. Após a oração, o sacerdote se dirige ao confessionário e aguarda os fiéis para a confissão auricular, pois não pode dar a absolvição geral.

    Outro meio que a Igreja oferece para que realizemos uma boa confissão auricular é através da missa penitencial, que algumas paróquias promovem, normalmente, às sextas-feiras de madrugada. Essa missa tem caráter penitencial e prepara o nosso coração para realizarmos a confissão auricular, pois intensifica em nós o espírito penitencial.

    Ao longo desse tempo quaresmal, as paróquias costumam realizar o mutirão de confissões, com o intuito de possibilitar que um número maior de fiéis busque o sacramento da confissão auricular, pois, no mutirão, os padres das paróquias vizinhas (forania) ajudam no atendimento. Procure se informar em sua paróquia quando acontecerá o mutirão de confissões e busque o sacramento para chegarmos renovados à Páscoa.

    Para nos confessarmos bem é necessário um preparo, ou seja, aquilo que chamamos de exame de consciência. O preparo espiritual para a confissão consiste em meditar os Dez Mandamentos da Lei de Deus e verificar em quais não fomos fiéis, bem como recorrer à Lectio Divina, isto é, à meditação da Palavra de Deus. Podemos fazer isso em casa ou ao chegar à igreja, antes de nos dirigirmos ao confessionário. É prudente chegar um pouco antes, ter um momento a sós com o Senhor, rezar e, depois, dirigir-se ao confessionário. Façamos isso ao longo desse tempo quaresmal e confiemos na misericórdia do Senhor.

    Não podemos confundir penitência e recolhimento com tristeza; pelo contrário, principalmente após a confissão, o nosso coração deve se encher de alegria. O período da Quaresma é um tempo de reflexão, oração e intimidade com o Senhor, mas não é tempo de luto ou tristeza. Ao longo do período quaresmal, somos convidados a ir ao deserto com Jesus e a vencer as tentações. Recordamos também os quarenta anos em que o povo de Deus peregrinou no deserto até chegar à terra prometida.

    O tempo da Quaresma é uma passagem (êxodo): passagem da morte para a vida e da escravidão para a liberdade. Somos convidados a sair da escravidão do pecado e caminhar para a liberdade em Deus. Além disso, somos chamados a morrer para o pecado e ressurgir para uma vida nova em Deus.

    Enquanto Jesus sofria as tentações no deserto, pedia a Deus o perdão dos pecados de todo o povo; e, enquanto o povo de Deus peregrinava no deserto, também pedia o perdão de seus próprios pecados. Por isso, o sentido de irmos ao deserto é penitencial: um tempo para nos encontrarmos com Deus, e é isso que fazemos no tempo quaresmal. Quando realizamos procissões ao longo desse tempo, recordamos o que o povo de Deus fez no deserto e nos colocamos a caminho, ao encontro do Senhor. A procissão tem um sentido penitencial; tenhamos isso em mente ao longo desse tempo quaresmal e preparemo-nos, a cada dia, para a Páscoa do Senhor, pedindo o perdão de nossos pecados, buscando a confissão e rezando uns pelos outros.

    A confissão é um passo importante para celebrarmos a Páscoa. Algumas pessoas dizem que se confessam somente com Deus e não com o sacerdote, mas é necessária a confissão diante do ministro da Igreja, pois ele é instrumento do Senhor para nos conceder o perdão. Quando o sacerdote nos acolhe na confissão auricular, é o próprio Cristo nos acolhendo, pois o padre, naquele momento do sacramento, é representante de Cristo: ele nos acolhe com misericórdia e nos concede o perdão.

    Busquemos a confissão sacramental em vista da preparação para a Páscoa. Procurem, ao longo desse tempo da Quaresma, os horários de confissão em sua paróquia e informem-se se haverá mutirão de confissões. Sobretudo, se há bastante tempo que você não se confessa, eis o tempo oportuno para procurar a reconciliação com Deus. Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação.

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