Participei com muita alegria do jubileu de prata de ordenação episcopal do meu caro irmão o Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo de Salvador na Bahia, primaz do Brasil. Sendo o Rio de Janeiro a primeira Diocese (depois de 100 anos de Prelazia) criada quando Salvador tornou-se Arquidiocese há 350 anos muitos laços nos unem. Além disso os laços paulistas no unem, pois somos do mesmo estado e até de Dioceses de origem próximas.
A notícia que nos alegra e nos faz bendizer a Deus é que o Eminentíssimo Senhor Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo Metropolitano de Salvador, Primaz do Brasil, completa vinte e cinco anos de sua ordenação episcopal. Um quarto de século dedicado ao anúncio do Evangelho, ao cuidado pastoral do povo que lhe foi confiado e à construção incansável da unidade eclesial que tanto marca sua vida e seu ministério. Eu mesmo fiz questão de associar-me a esta efeméride concelebrando com Sua Eminência, na Catedral Basílica de São Salvador, este jubileu de prata episcopal.
Não poderia deixar passar em silêncio esta data. Escrevo estas linhas como quem escreve a um irmão, com o coração cheio de gratidão a Deus pela vida e pela missão do Cardeal Dom Sérgio, e também com a alegria de quem reconhece, na trajetória de outro pastor, os mesmos passos que a Igreja nos convida a dar todos os dias: escutar, servir e caminhar junto com o povo.
Uma trajetória a serviço da comunhão. O Senhor Cardeal Dom Sérgio foi ordenado bispo em 11 de agosto de 2001, dia de Santa Clara, como auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza. Desde os primeiros passos de seu ministério episcopal, ficou evidente a marca que o acompanharia por toda a vida: a capacidade de unir, de escutar e de construir pontes onde muitos veem apenas distâncias.
Anos depois, assumiu a Arquidiocese de Teresina, e mais tarde foi chamado a servir como Arcebispo Metropolitano de Brasília, no coração político e administrativo do nosso país. Ali, à frente da Arquidiocese da capital federal, exerceu um ministério de proximidade com o povo simples e, ao mesmo tempo, de diálogo com as instituições, sempre buscando que a voz da Igreja fosse uma voz de esperança e de serviço ao bem comum.
Entre 2015 e 2019, Dom Sérgio presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB –. Foram anos de intenso trabalho, de escuta das realidades tão diversas do nosso território continental, e de firme condução da CNBB em tempos de desafios sociais e eclesiais profundos. Lembro com carinho dos encontros que tivemos naquele período, das reuniões plenárias, das conversas nos corredores e nas capelas, onde a fé se fazia diálogo e o diálogo se fazia fraternidade.
Foi também relator geral da Assembleia dos Bispos sobre a juventude, em 2018, testemunhando sua sensibilidade especial para com os jovens e para com o futuro da Igreja. Em 2016, foi elevado à dignidade cardinalícia pelo Papa Francisco, com quem colaborou muito na equipe de Cardeais próxima do Papa Franciso. Hoje serve como Arcebispo Primaz do Brasil, à frente da histórica Arquidiocese de São Salvador da Bahia, a primeira sé episcopal fundada em nossa terra.
Vinte e cinco anos que atravessam diferentes cidades, diferentes desafios e diferentes rostos de povo. Mas um único fio permanece: o coração de pastor que não se cansa de servir.
A luz da Palavra sobre este jubileu: A Sagrada Escritura nos oferece, neste momento de gratidão, uma imagem preciosa. Nos Atos dos Apóstolos, Paulo recorda aos presbíteros de Éfeso que o Espírito Santo os colocou como responsáveis para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho – At 20,28. Todo bispo recebe este mesmo chamado: não é dono do rebanho, mas servidor amoroso daquilo que pertence a Deus.
E o próprio Pedro, em sua primeira carta, exorta os pastores da Igreja a apascentarem o rebanho de Deus, não por obrigação, mas de boa vontade, não como quem domina, mas como quem se torna modelo para o rebanho – 1 Pd 5,2-4. Ao longo destes vinte e cinco anos, é exatamente este modelo de pastor que reconheço em Dom Sérgio: alguém que preferiu caminhar ao lado do povo antes de caminhar na frente dele, alguém que fez da escuta um instrumento de governo pastoral.
Lembro também das palavras de Jesus a Pedro, junto ao mar de Tiberíades, quando por três vezes lhe pergunta se o ama, e por três vezes lhe confia a missão de cuidar das suas ovelhas – Jo 21,15-17. Todo bispo revive, em algum momento de seu ministério, esta pergunta silenciosa de Cristo. E é bonito constatar, ao longo destes vinte e cinco anos de Dom Sérgio, uma resposta constante e fiel a este chamado do amor que se converte em serviço.
Uma amizade que atravessa o tempo: Permitam-me, neste artigo, uma palavra mais pessoal. Conheço Dom Sérgio há muitos anos, dos tempos em que juntos servíamos à Conferência dos Bispos, dividindo preocupações, alegrias e também as dificuldades próprias de quem carrega a responsabilidade de guiar comunidades tão numerosas e diversas como as nossas. Sempre encontrei nele um irmão disponível ao diálogo, atento às necessidades da Igreja no Brasil, e profundamente fiel ao Santo Padre e ao Magistério.
O meu lema episcopal, Ut Omnes Unum Sint, para que todos sejam um, conforme a oração de Jesus no Evangelho de João – Jo 17,21 –, encontra em Dom Sérgio um eco constante. Ao longo de sua trajetória, ele sempre trabalhou para que a Igreja no Brasil falasse com uma só voz, para que as diferenças regionais se tornassem riqueza e não motivo de divisão. Esta é, talvez, a maior herança destes vinte e cinco anos: um pastor que soube unir.
Hoje, à frente da Arquidiocese Primacial da Bahia, terra onde o Evangelho pisou por primeira vez em solo brasileiro, Dom Sérgio continua este mesmo serviço, agora com a experiência acumulada de um quarto de século de episcopado e a responsabilidade especial que a Bahia representa para toda a Igreja no Brasil.
Um convite à missão que continua: Celebrar vinte e cinco anos de ordenação episcopal não é apenas olhar para o caminho já percorrido. É, sobretudo, renovar a disposição para a missão que ainda continua. Como recorda São Paulo aos Romanos, todos fomos chamados para o apostolado, para anunciar o Evangelho de Deus – Rm 1,5-6. Este chamado não se esgota com o tempo, ao contrário, se aprofunda e se renova a cada novo desafio que a Igreja enfrenta.
Peço à Nossa Senhora e a São Salvador, padroeiro da terra que ele serve como pastor, que continuem a acompanhar seus passos. Que o Senhor lhe conceda saúde, força e a mesma alegria missionária que o acompanhou nestes vinte e cinco anos, para que continue sendo, para o povo baiano e para toda a Igreja no Brasil, sinal vivo da presença misericordiosa de Deus.
Ao meu querido irmão Cardeal Sérgio da Rocha, o meu abraço fraterno e a certeza de minhas orações neste jubileu. Que continuemos, juntos, a trabalhar para que todos sejam um, na alegria do Evangelho e no serviço humilde ao povo de Deus.
Rezemos, cada um em sua diocese, para que a Igreja no Brasil seja cada vez mais sinal de esperança para o nosso povo. Que Deus abundantemente o bendiga, querido irmão.

