Memória de Santa Mônica e
Jubileu de Pérola Episcopal de
SER Dom Carmo João Rhoden, SCJ
Queridos irmãos e irmãs em Cristo,
A liturgia de hoje nos coloca diante do testemunho comovente e irrefutável de Santa Mônica. Mônica não foi uma mulher de grandes discursos teológicos, mas de uma oração persistente, regada por lágrimas e temperada pela esperança virtuosa. Ela viveu na pele o mistério do Evangelho de hoje (Mt 24, 42-51), no qual Nosso Senhor Jesus Cristo nos faz um exortativo chamado: “Vigiai, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor”.
A vigilância evangélica não é um estado de temor passivo, mas uma atitude de fidelidade ativa. O servo fiel e prudente é aquele que permanece no seu posto, alimentando a comunidade, cuidando dos seus com perseverança e fé, independentemente de quanto tempo a noite pareça durar. Mônica foi essa serva vigilante.
Durante dezenas de anos, no silêncio do seu lar, Santa Mônica vigiou pela salvação de seu filho, Agostinho. Ela nos ensina que a vocação exige constância, lágrimas transformadas em oferta e uma confiança inabalável no tempo de Deus.
Esta mesma lógica do Evangelho – da fidelidade cotidiana e da vigilância amorosa – ressoa de maneira singular ao celebrarmos o marco jubilar dos 30 anos de ordenação episcopal de Dom Carmo Rhoden, SCJ.
Ordenado bispo em 1996 e assumindo como sinal de sua missão o lema “Sentire cum Christo et Ecclesia” (“Sentir com Cristo e com a Igreja”), Dom Carmo encarnou ao longo destas três décadas de pastoreio a essência da espiritualidade dehoniana e da fidelidade ao Evangelho.
Pelo seu testemunho de pastor, podemos afirmar que o referido “Sentir com Cristo e com a Igreja” significa doar-se inteiramente no serviço ao rebanho, o que podemos contemplar na eloquente trajetória em que esteve à frente da Diocese de Taubaté com coração de pai e firmeza de pastor.
Assim como Santa Mônica não mediu esforços por amor à sua família, Dom Carmo dedicou-se com denodo na Diocese de Taubaté e nas mais diversas frentes missionárias e pastorais, conduzindo o rebanho com firmeza paterna, sabedoria e dedicação. A vida episcopal não é isenta de cruzes, incompreensões ou noites escuras. O pastoreio exige a vigilância do guardião que não dorme enquanto o rebanho precisa de amparo. Celebrar três décadas desse sim é confirmar que a graça de Deus é suficiente para sustentar uma vocação inteira dedicada a gerar vida no Espírito.
Meus irmãos, a mensagem das leituras de hoje e o testemunho de Santa Mônica e de Dom Carmo direcionam-se diretamente a cada um de nós, de forma muito concreta, no âmbito de nossa vida diária e de nossos compromissos profissionais. Muitas vezes, em nossa rotina diária no trabalho, nas nossas carreiras e nas responsabilidades do mundo corporativo, social ou acadêmico, somos tentados ao cansaço, ao desânimo e ao cinismo. As dificuldades parecem sufocar os nossos ideais, e a sensação de que nossos esforços são em vão tenta se instalar. Contudo, lembrem-se: o seu trabalho também é o seu lugar de santificação e o seu campo de missão.
A profundeza da liturgia de hoje se manifesta não apenas no convite à vigilância do Evangelho, mas também no hino de gratidão que São Paulo nos oferece na Primeira Leitura (1Cor 1,1-9). O apóstolo nos recorda que em Cristo fomos “enriquecidos em tudo, em toda a palavra e em todo o conhecimento” e que é o próprio Deus quem nos concede a graça e os dons para perseverarmos de modo irrepreensível até o fim.
Esta certeza de que “Deus é fiel” sustentou Santa Mônica em suas preces aparentemente sem resposta e fundamentou o lema e a missão de Dom Carmo ao longo dessas três décadas: não dependemos de nossas próprias forças frágeis, mas do transbordamento dos dons que o próprio Espírito infunde naqueles que chamou à comunhão com seu Filho.
Inspirados também pelas palavras do Salmo 144 – “Uma idade conta à outra vossas obras e publica os vossos feitos poderosos” –, compreendemos o verdadeiro sentido do Jubileu Episcopal que hoje celebramos. Celebrar 30 anos de episcopado não é exaltar os méritos de um homem, mas cantar as obras poderosas que Deus realizou por meio da instrumentalidade de um pastor humano.
Quando uma geração testemunha a fidelidade de um bispo que escolheu “Sentir com Cristo e com a Igreja”, transmite-se à geração seguinte a certeza viva de que o Senhor cumpre suas promessas e continua governando o Seu povo.
Meus irmãos e minhas irmãs, a profissão de cada um de vocês não é apenas um meio de subsistência, mas uma verdadeira dimensão vocacional. Tal como a mãe que chora pela conversão do filho, ou o bispo que zela dia e noite pela sua diocese, cada qual que aqui se encontra é chamado a ser o “servo fiel e prudente” no seu ambiente de trabalho:
- perseverem na ética e na honestidade, mesmo quando o caminho mais fácil parecer tentador;
- cultivem a paciência e a empatia com os colegas de equipe e liderados, lembrando-se de que cada pessoa carrega lutas invisíveis;
- mantenham a excelência e o ardor, realizando as pequenas tarefas do dia a dia com extraordinário amor e senso de propósito;
- não esmoreçam diante das demoras ou das frustrações temporárias.
A colheita virá no tempo certo se não desanimarmos.
Que o exemplo de lágrimas e vitória de Santa Mônica nos ilumine, e que os 30 anos de entrega episcopal de Dom Carmo Rhoden nos inspirem a renovar, hoje mesmo, o nosso compromisso com a nossa vocação. Sejamos vigilantes, permaneçamos firmes em nossos postos de discípulos-missionários de Jesus Cristo e façamos tudo para a maior honra e glória de Deus.
Por tudo isso, Dom Carmo, a nossa palavra nesta data jubilosa não poderia ser outra senão de profunda gratidão. Rendemos graças a Deus pelos seus 30 anos de entrega episcopal, marcados por um coração generoso que verdadeiramente sabe sentir com Cristo e com a Igreja.
Querido Dom Carmo João: nós dois nascemos no Rio Grande do Sul. V. Excia. trabalhou grande parte de sua vida como padre em Santa Catarina e foi bispo totalmente em sua querida Taubaté. Eu trabalhei em Toledo, de lá fui seu bispo e depois fui Arcebispo de Maringá. Agora nós dois nos dedicamos em cuidar da saúde dos mais vulneráveis e queridos por Deus na nossa emeritude. Seu episcopado, nestes trinta anos, foi fecundo e frutificou para todos sentirmos com Cristo e com a Igreja!
Obrigado pelo seu testemunho firme de fé, por sua paternidade episcopal que acolhe e instrui, pelas lágrimas e orações silenciosas oferecidas por seu rebanho e por sua presença constante ao longo destas três décadas.
Que o Senhor da Messe o abençoe abundantemente, renove diariamente as suas forças e continue a iluminar os seus passos. Que Maria, Mãe da Igreja, Senhora do Carmo, e Santa Mônica intercedam sempre pelo seu ministério e pela sua vida. A nossa filial e afetuosa gratidão, Dom Carmo!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!



