No próximo dia 17 de maio de 2026, a Igreja celebra com grande alegria a Solenidade da Ascensão do Senhor. Quarenta dias após a Ressurreição, contemplamos Jesus que sobe aos céus diante dos discípulos, retornando gloriosamente ao Pai. No entanto, esta festa não representa uma despedida triste, mas a confirmação definitiva da vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e todo o mal. As leituras deste domingo nos ajudam a compreender que a Ascensão inaugura uma nova presença de Jesus no meio do seu povo e renova a missão da Igreja no mundo.
Na primeira leitura, retirada dos Atos dos Apóstolos (At 1,1-11), os discípulos permanecem olhando para o céu após Jesus subir. É então que os anjos lhes dirigem uma pergunta muito significativa: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?”. A mensagem é clara. A fé cristã não pode ser vivida na acomodação ou na passividade. Cristo sobe ao Pai, mas confia aos seus discípulos a continuidade da missão: anunciar o Evangelho, testemunhar a esperança e viver como sinais do Reino de Deus no mundo.
Muitas vezes também nós corremos o risco de permanecer apenas “olhando para o céu”, desejando respostas imediatas de Deus, enquanto esquecemos os compromissos concretos da vida cristã. A Ascensão nos recorda que a fé não afasta o homem de suas responsabilidades; ao contrário, dá sentido mais profundo à vida, ao trabalho, à família, ao serviço e ao amor ao próximo.
O Salmo proclama com alegria: “Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta” (Sl 46). A liturgia inteira deste domingo é marcada pelo júbilo. Cristo não foi derrotado pela cruz. Aquele que sofreu, morreu e ressuscitou agora é exaltado na glória do Pai. Sua Ascensão revela que o sofrimento não tem a última palavra e que a humanidade, unida a Cristo, é chamada à eternidade.
Na segunda leitura, São Paulo afirma que Cristo está acima de todo poder e autoridade e é a cabeça da Igreja (Ef 1,17-23). Isso significa que nossa esperança não está fundamentada apenas em projetos humanos, nas riquezas ou nas seguranças passageiras deste mundo. Em tempos marcados por tantas incertezas, crises familiares, violência, superficialidade espiritual e perda de valores, a Ascensão nos convida a levantar os olhos e recordar que nossa verdadeira pátria está em Deus.
O Evangelho (Mt 28,16-20) apresenta as últimas palavras de Jesus aos discípulos: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos”. Não se trata de um conselho opcional, mas de uma missão confiada a toda a Igreja. O cristão não pode guardar a fé apenas para si. Somos chamados a testemunhar Cristo através da caridade, da honestidade, da misericórdia, da defesa da verdade e da vivência sincera do Evangelho.
Ao mesmo tempo, Jesus deixa uma promessa profundamente consoladora: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”. A Ascensão não significa ausência. Cristo continua presente na sua Igreja, na Palavra, na Eucaristia, nos sacramentos e em cada gesto autêntico de amor. Ele permanece caminhando conosco, sustentando os cansados, fortalecendo os fracos e renovando a esperança daqueles que confiam em sua misericórdia.
Celebrar a Ascensão do Senhor é renovar a certeza de que nossa vida não termina nas limitações deste mundo. Cristo abriu para nós as portas da eternidade. Mais ainda: mostrou-nos que o caminho para o céu passa pela fidelidade diária, pela perseverança na fé e pelo compromisso com o Evangelho.
Que esta solenidade fortaleça nossa esperança, renove nosso ardor missionário e nos ajude a viver com os pés na terra, mas com o coração voltado para Deus. E que jamais esqueçamos a promessa do Senhor ressuscitado: Ele permanece conosco todos os dias, até o fim dos tempos.




