Irmãos e irmãs, reunidos nesta manhã de Quinta-feira Santa, celebramos uma das liturgias mais significativas da vida da Igreja: a Missa do Crisma. Nesta celebração, manifestamos de modo visível a unidade da Igreja particular ao redor do bispo, consagramos os santos óleos e recordamos, de maneira especial, o dom do sacerdócio ministerial.
A Palavra de Deus que hoje escutamos ilumina profundamente o sentido desta celebração (Primeira Leitura – Is 61,1-3a.6a.8b-9 –. O profeta Isaías proclama: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu” (Is 61,1). Esta unção não é apenas um símbolo, mas uma missão: anunciar a boa nova aos pobres, curar os corações feridos, proclamar a libertação. Esta palavra encontra sua plenitude em Cristo, o Ungido do Pai.
No Evangelho, segundo Evangelho de Lucas (cf. Lc 4,16-21), vemos Jesus na sinagoga de Nazaré, lendo exatamente esse trecho de Isaías e afirmando: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lc 4,21). Jesus revela que Ele é o Cristo, o Ungido por excelência, aquele sobre quem repousa o Espírito.
Mas esta unção não permanece apenas em Cristo. Pelo Batismo, todos nós participamos da sua unção. Tornamo-nos um povo sacerdotal, profético e régio. E é por isso que hoje também se consagra o óleo dos catecúmenos, o óleo dos enfermos e o santo crisma: sinais concretos da ação de Deus na vida do seu povo.
O santo crisma, de modo particular, nos recorda que fomos marcados pelo Espírito Santo. Na Crisma, fomos fortalecidos; na Ordenação, os ministros são configurados a Cristo; no Batismo, fomos incorporados à vida nova. A Igreja vive desses sinais, que não são meros ritos, mas ação eficaz da graça.
Esta celebração, porém, tem também um rosto muito concreto: o presbitério reunido com o seu bispo. Hoje, os sacerdotes renovam as promessas feitas no dia da ordenação. É um momento de verdade e de memória. Recorda-se o chamado inicial, a entrega feita, o caminho percorrido.
E aqui é necessário ser claro: o sacerdócio não é uma função, não é uma carreira, não é um papel social. É uma configuração a Cristo, Servo e Pastor. O sacerdote é chamado a viver aquilo que celebra, a oferecer a própria vida, a gastar-se pelo povo de Deus.
Num mundo marcado pelo individualismo e pela busca de interesses próprios, o testemunho sacerdotal precisa ser ainda mais autêntico. Não há espaço para duplicidade. O povo de Deus espera pastores que sejam próximos, fiéis, homens de Deus.
Ao mesmo tempo, esta celebração recorda a todos os fiéis a responsabilidade de rezar pelos seus sacerdotes. O ministério ordenado não se sustenta apenas por esforço humano, mas pela graça de Deus e pela comunhão da Igreja.
Irmãos e irmãs, a Missa do Crisma nos coloca diante do mistério da unção. Cristo é o Ungido. Nós somos ungidos nele. E essa unção nos envia em missão.
Não se trata de um privilégio, mas de um compromisso. Ser ungido significa ser enviado. Significa assumir a responsabilidade de levar a presença de Cristo ao mundo: nas famílias, no trabalho, na sociedade.
Ao nos aproximarmos do Tríduo Pascal, esta celebração nos prepara para compreender mais profundamente o que celebraremos: o dom total de Cristo, que se entrega na Eucaristia e na cruz.
Que esta Missa renove em todos nós a consciência da nossa vocação. Que fortaleça os sacerdotes na fidelidade ao seu ministério. E que todo o povo de Deus se reconheça como um povo consagrado, chamado a testemunhar o Evangelho.
Assim, unidos ao Cristo Ungido, possamos viver com autenticidade a nossa fé e caminhar firmes rumo à Páscoa. Amém.




