Segundo Domingo do Tempo Comum

    Estamos iniciando a segunda semana do Tempo Comum, em que a cor litúrgica predominante é o verde; verde de quem caminha no dia a dia, cheio de esperança, porque sabe que o Filho de Deus veio habitar entre nós, entrou em nosso tempo para santificar os pequenos e aparentemente insignificantes momentos de nossa vida: “O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós” (Jo 1,14). Para nós, nunca mais o tempo, a vida e a história humana serão a mesma coisa! Agora, tudo tem o gosto da presença de Deus; nossos tempos têm sabor de eternidade, o gostinho da vida de Deus, do companheirismo misericordioso de Deus. Que este Tempo Comum seja, para todos nós, tempo de graça, tempo de vigilância amorosa, tempo de esperança invencível!

    Na segunda leitura deste domingo, São Paulo (1Cor 1,1-13) lembra a sua vocação de apóstolo e a vocação de todos à santidade. Continua o Apóstolo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação…” (1Ts 4,3). O próprio Jesus ordena: “Sede perfeitos, assim como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Como prova concreta desses desígnios do Senhor, contamos com o sacramento do perdão (confissão), que nos concede as graças necessárias para lutarmos e vencermos os defeitos que talvez estejam arraigados no nosso caráter e que, muitas vezes, são a causa do nosso desalento. No sacramento da confissão, renovamos as forças e nos é devolvida a graça perdida pelo pecado. Peçamos ao Senhor: Senhor, ensinai-me a arrepender-me, indicai-me o caminho do amor! Movei-me com a vossa graça à contrição quando eu tropeçar! Que as minhas fraquezas me levem a amar-vos cada vez mais!

    O Evangelho (Jo 1,29-34) mostra o início da missão de Jesus. João Batista o apresenta: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Ele é o Ungido do Senhor. Ele batizará no Espírito. Ele é o Filho de Deus. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, anuncia São João Batista; e esse pecado do mundo engloba todo gênero de pecado: o original, que em Adão afetou também os seus descendentes, e os pessoais, dos homens de todos os tempos. No Cordeiro de Deus está a nossa esperança de salvação.

    João Batista reconheceu em Jesus esse Messias tão humilde e tão grande: Ele é o próprio Deus: “Passou à minha frente porque existia antes de mim!”. E, como Deus feito homem, Ele é o único e absoluto Salvador de todos — não há salvação sem Ele nem fora d’Ele. João reconhece n’Ele o Ungido, aquele sobre quem o Espírito “desceu e permaneceu”. O próprio Jesus dará testemunho dessa realidade: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque Ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19). João Batista reconhece ainda n’Ele aquele que, cheio do Espírito Santo, batizará no Espírito Santo: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é o que batiza com o Espírito Santo”. Batizando-nos no Espírito, este Santíssimo Jesus-Messias concede-nos o perdão dos pecados, a sua própria vida divina e a graça de, um dia, ressuscitarmos dos mortos!

    “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Essas palavras soam aos nossos ouvidos em cada Santa Missa, ao aproximar-se um dos momentos mais sublimes do sacrifício eucarístico: a comunhão. E nós respondemos: “Senhor, eu não sou digno…”. Jesus Cristo vem a nós em cada celebração eucarística. Não nos esqueçamos, no entanto, de que a graça da comunhão de Deus conosco passa pelo sacrifício do seu Filho, Cordeiro oferecido ao Pai, que, com a sua obediência e com o seu amor, tira o pecado do mundo. De fato, essas palavras do Evangelho segundo São João aludem diretamente ao sacrifício redentor de Jesus Cristo.

    A Missa é sacrifício de louvor, isto é, uma realidade sagrada oferecida a Deus. Não se pode negar essa verdade de fé divina e católica; quem assim o fizesse cairia na heresia. O sacrifício está presente em toda a Sagrada Escritura; também o está nas diversas religiões. O ser humano sempre sentiu o desejo de oferecer dons a Deus. A universalidade desse fato nos mostra que é uma tendência natural do ser humano dirigir-se à divindade ofertando-lhe algo. Nas pessoas há tendências universais, independentemente da cultura na qual estejam inseridas: a consciência da limitação e da culpa; a intuição de que existe um ser que está acima de todos, Criador e Providente (= Deus); essa inclinação a oferecer a Deus dons, seja para agradá-lo, seja para aplacá-lo; o desejo de não morrer, entre outras.

    Apresentando-se ao Pai com o seu Mistério Pascal, Jesus envia, desde o santuário celeste, esse mesmo Mistério, a sua Páscoa, à humanidade. Como? Através da Santa Missa, que é a atualização dos Mistérios de Cristo, cujo centro é a Cruz gloriosa, isto é, a sua Morte e Ressurreição, que mereceu também o envio do Espírito Santo. Em cada Santa Missa torna-se presente, de modo atual, o Mistério da Cruz gloriosa; e, ao entrarmos nesses raios divino-humanos da Eucaristia, somos redimidos, salvos, santificados e glorificados antecipadamente.

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