O Missionário da Unidade no Ano Jubilar

Ao descortinar-se o horizonte do ano civil de 2026, o coração da nossa “Cidade Maravilhosa” começa a bater em um ritmo diferente. Janeiro, para nós cariocas, não é apenas o mês do verão intenso ou das férias; é, liturgicamente e afetivamente, o tempo sagrado em que a cidade se veste de vermelho para honrar o seu glorioso padroeiro. É com o espírito exultante que nos preparamos para vivenciar mais uma Trezena de São Sebastião, uma verdadeira peregrinação de fé que percorre as veias e artérias desta metrópole, levando a imagem do Mártir e, com ela, a presença viva de Jesus Cristo a cada recanto do nosso território.

Neste ano de graça de 2026, a nossa celebração reveste-se de um caráter histórico e solene, pois estamos imersos no Ano Jubilar Arquidiocesano. Fazemos memória de uma caminhada eclesial que remonta a 1575 quando iniciou a Prelazia e 100 anos depois a Diocese, e depois foi elevada à dignidade de Arquidiocese em 1676. Celebrar São Sebastião neste contexto jubilar é revisitar as raízes profundas da nossa identidade católica e carioca. Por isso, o tema que nos guiará nestes dias não poderia ser outro senão: “São Sebastião, Missionário de Comunhão e Unidade”.

Vivemos tempos que exigem de nós uma fé robusta. Inspirados pelo lema jubilar — “Alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e enviados à missão” — somos convocados a ser, como nosso padroeiro, resilientes diante das “flechas” que o mundo moderno lança contra a dignidade humana. A Trezena, que se inicia no dia 7 de janeiro, é a materialização desta “Igreja em Saída” que não espera acomodada, mas vai ao encontro.

A nossa peregrinação missionária começa, significativamente, abraçando a carne sofredora de Cristo. No dia 7 de janeiro, quarta-feira, iniciaremos nossa jornada logo cedo no INCA (Instituto Nacional do Câncer), na Praça da Cruz Vermelha, e seguiremos para o Hospital dos Servidores e o Hospital Souza Aguiar. Ali, onde a fragilidade humana se faz palpável, a imagem de São Sebastião chega como um sinal de que a dor não tem a última palavra. Ainda neste primeiro dia, subiremos o Morro do Borel e visitaremos a comunidade da Casa Branca e o Morro do Salgueiro, reafirmando a opção preferencial da Igreja pelos mais pobres e pela presença nas periferias geográficas e existenciais.

A missão de unidade nos leva a percorrer toda a extensão da nossa Arquidiocese. No dia 8 de janeiro, estaremos na Zona Norte, em lugares de intensa vida popular como o Mercadão de Madureira, santificando o trabalho e o comércio, e visitaremos as capelas em Engenho Novo, Inhaúma e Manguinhos. No dia seguinte, 9 de janeiro, a imagem peregrina atravessará a Baía para a Ilha do Governador, onde teremos um encontro com a dor e com a esperança de ressocialização. Visitaremos os Hospitais de Bonsucesso e do Fundão (Clementino Fraga Filho) , mas também dedicaremos nossa tarde aos jovens privados de liberdade nas unidades do Degase (Dom Bosco e Escola João Luiz Alves). Como São Sebastião visitava os cárceres de Roma para animar os cristãos, nós vamos ao encontro destes jovens para dizer-lhes que Deus não desiste de ninguém.

A vastidão do nosso território nos levará, no sábado, dia 10 de janeiro, à Zona Oeste, passando por Inhoaíba, Paciência e Santa Cruz, chegando até Guaratiba. É o momento de abraçar as comunidades distantes do centro geográfico, mas que estão no coração da Igreja. No domingo, dia 11 de janeiro, continuaremos esta missão em Bangu, Taquara e Anil, encerrando o dia no Recreio dos Bandeirantes e Vargem Grande. É a Igreja que se faz presente onde o povo está, celebrando a fé nas paróquias e capelas que são faróis de esperança em meio aos desafios urbanos.

A segunda-feira, 12 de janeiro, será marcada pela diversidade de ambientes. Visitaremos os hospitais da Tijuca, como o São Francisco na Providência de Deus e o São Vicente de Paulo, e faremos a travessia das barcas para a bucólica Ilha de Paquetá, onde celebraremos na Paróquia Bom Jesus do Monte. Este deslocamento sobre as águas da Guanabara nos recorda que somos chamados a ser pescadores de homens, lançando as redes da evangelização em todas as margens.

A devoção mariana também se entrelaça com a honra ao mártir. No dia 13 de janeiro, subiremos à Basílica Santuário de Nossa Senhora da Penha , pulmão espiritual da Zona Norte, além de visitarmos o Mercado São Sebastião e o Hospital Mário Kroeff. A visita se estenderá às comunidades de Brás de Pina, Parada de Lucas e Engenho de Dentro, tecendo uma rede de oração que une a cidade de ponta a ponta.

Nos dias 14 e 15 de janeiro, a Trezena assume um caráter institucional e cívico muito forte. Visitaremos os poderes constituídos e as forças de segurança, rezando por aqueles que têm a responsabilidade de governar e proteger o nosso povo. Estaremos no Palácio Guanabara e no Detran, bem como na Prefeitura do Rio. Visitaremos o Quartel General do Corpo de Bombeiros e a sede da Polícia Federal, além do QG e do Hospital da Polícia Militar. São Sebastião, que foi soldado romano, conhece os desafios da vida militar. Pedimos a sua intercessão para que nossos agentes de segurança sejam protegidos e ajam sempre com justiça e paz.

A cultura e a comunicação, tão vitais para o Rio de Janeiro, terão seu momento especial nos dias 16 e 17 de janeiro. Iniciaremos no Santuário do Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara, e visitaremos os veículos de comunicação como a Band e a Rede Globo, pedindo que a verdade e a ética guiem os meios de comunicação. Mas também iremos ao encontro da cultura popular no Cacique de Ramos e na Cidade do Samba. A fé não é inimiga da alegria; pelo contrário, o Evangelho deve iluminar todas as manifestações culturais genuínas do nosso povo.

A reta final da nossa preparação nos leva, no domingo dia 18 de janeiro, a visitar a Rádio Tupi e a Capelania Militar em Deodoro, seguindo para Santíssimo e Campo Grande. E na segunda-feira, véspera da festa, dia 19 de janeiro, teremos a tradicional Procissão Marítima, saindo da Praça Mauá, abençoando as águas que banham nossa cidade, e à noite, a entrega do Prêmio Missionários de Esperança, reconhecendo aqueles que fazem a diferença na evangelização e na cultura.

Finalmente, chegaremos ao dia grandioso, 20 de janeiro, Solenidade do nosso Padroeiro. O dia começará com a Santa Missa Solene às 10h na Basílica Santuário de São Sebastião, na Tijuca. E, às 16h, viveremos o ponto alto da nossa unidade diocesana: a grande Procissão Arquidiocesana, saindo da Basílica na Tijuca em direção à Catedral Metropolitana no Centro. Ver aquele mar de fiéis caminhando pelas ruas, cantando o hino do padroeiro, é a demonstração mais eloquente de que a fé católica está viva e pulsante no coração do carioca. Encerraremos com a Missa Solene na Catedral, renovando nosso compromisso de sermos “um só no Cristo”.

Convido cada um de vocês a participar. Consultem a programação, vejam onde o Santo Mártir passará perto de sua casa ou trabalho. Enfeitem suas janelas, vistam o vermelho do martírio e do amor, e unam-se a nós nesta grande corrente de oração. Que São Sebastião, Herói da Fé e nosso Protetor, interceda pelo Rio de Janeiro neste Ano Jubilar, livrando-nos de todos os males e fazendo de nós instrumentos de sua paz.

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