A Igreja encerra o Ano Litúrgico neste domingo, 22 de novembro, com a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. E a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece o roteiro Celebrar em Família para download gratuito.
Neste tempo de pandemia, o Roteiro para a celebração em família tem contribuído para que muitos fiéis celebrem, em comunhão com a Igreja, o Dia do Senhor. Acolhendo as orientações das autoridades sanitárias, os bispos, nas mais diversas situações e realidades, vão, a partir de um cuidadoso discernimento, orientando suas dioceses, paróquias e comunidades sobre o retorno das celebrações comunitárias presenciais. Mas são inúmeros os fiéis que ainda se encontram impossibilitados, por motivo de saúde ou idade, ou porque pertencem ao denominado ‘grupo de risco’, de participar das celebrações comunitárias dominicais.
Assim, a Comissão para a Liturgia continua a oferecer esta sugestão de Celebração da Palavra de Deus para ser celebrada nas casas, em família: “São muitos os horários de transmissão de missas em nossos canais católicos que podemos acompanhar, mas vivendo a dignidade de povo sacerdotal que nosso batismo nos conferiu, podemos não só acompanhar, mas CELEBRAR com nossas famílias o Dia do Senhor”.
A Comissão para a Liturgia da CNBB sugere que seja preparado um local adequado na casa para os familiares celebrarem e rezarem juntos. “Prepare sua Bíblia com o texto a ser proclamado, um vaso com flores, um crucifixo, uma imagem ou ícone de Nossa Senhora e uma vela a ser acesa no momento da celebração. Escolha quem irá fazer o “Dirigente” (D) da celebração: pode ser o pai ou a mãe e quem fará as leituras (L). Na letra (T) todos rezam ou cantam juntos”, sugere.
A celebração da Solenidade de Cristo Rei recorda a proposta do Reino de Deus, onde Jesus é o rei. “Este reino que foi semeado em nossa realidade e em nossas vidas. Como discípulos, seguidores do “Caminho” somos chamados a testemunhar, edificar, por meio do amor essa presença que terá seu tempo definitivo no mundo que há de vir”. No Evangelho, de Mateus, Jesus fala do Julgamento das Nações.
BAIXE O ROTEIRO PARA A CELEBRAÇÃO DA SOLENIDADE DE CRISTO REI.
Cuidar da evangelização
Neste final de semana, a Igreja no Brasil realiza em todas as comunidades e Coleta do Bem, gesto concreto da campanha É tempo de cuidar da Evangelização. A iniciativa unifica em uma só coleta as arrecadações da Solidariedade e da Evangelização, respectivamente realizadas no Domingo de Ramos e no 3º Domingo do Advento. As doações podem ser realizadas nas celebrações presenciais e também de modo virtual, por meio do site doe.cnbb.org.br
Sempre é tempo de cuidar da evangelização, ainda mais nessa época de pandemia. Por isso, é preciso cuidar do anúncio da Palavra de Deus e das celebrações litúrgicas. É preciso igualmente cuidar dos pobres e trabalhar em favor da casa comum. Para que tudo isso aconteça são necessários recursos financeiros. Por essa razão, nossa generosa participação chega aos irmãos e irmãs que, com a pandemia, estão sofrendo ainda mais.


![No Evangelho do quinto domingo da Páscoa deparamos o início do testamento espiritual de Jesus. Judas acabava de sair para se lançar nas trevas da traição e do desespero. Então, mais do que um discurso Cristo abre o seu coração numa conversa afetuosa com seus discípulos (Jo 13,31-35). O Pai iria glorifica-lo e, portanto, próximo estava o dia de sua partida deste mundo. Como legado Ele deixa para seus seguidores um mandamento novo. Glorificação do Pai porque o Filho manifestaria todo o seu amor, tendo amado os homens até o fim. Depois de sua morte, o Pai acolheria seu Filho bem amado na sua própria glória. Ele partiria deste mundo, mas um liame bem claro ficaria entre Ele e seus seguidores: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros, que assim como eu vos amei, vós também vos ameis uns aos outros”. Jesus apresenta um preceito que Ele diz novo. Isto embora no Livro do Levítico, Deus já tivesse ordenado: “Tu amarás teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Não obstante, tratava-se de um preceito novo, porque promulgado na nova aliança, aliança definitiva que Ele selaria, justamente pela sua morte e sua glorificação. O modelo do nosso amor ao próximo ficaria sendo o amor de Jesus por nós: “Como eu vos amei, vós deveis, vós também, amar uns aos outros”. Seu amor tinha um fundamento que lhe dava uma característica única, ou seja, Ele se sacrificaria por todos porque os recebera do Pai. Na oração feita por Ele ao Pai isto ficou bem claro: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste, separando-os do mundo. Eram teus e os destes a mim, eles guardaram a tua palavra. […] Quanto a mim dei-lhes a glória que tu me comunicaste, para que sejam um como nós somos um” (Jo 17, 6.23). Nestas palavras rebrilha uma fraternidade nova, alicerçada numa nova concepção da dileção divina. Adite-se que Ele nos amou até o fim, quando se sacrificou no alto da cruz por toda a humanidade. Portanto, o amor ao próximo não deveria ter para seus discípulos nenhum limite. Como consequência o cristão deveria amar a todos indistintamente a começar dos mais próximos que são os que habitam sob o mesmo teto, os companheiros de trabalho ou dos lugares de diversão, enfim numa fraternidade universal, abrangendo inclusive os inimigos, envolvendo-os num laço de um perdão cordial. Este aspecto Ele deixou bem ressaltado na prece por Ele ensinada: “Perdoai-nos como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Por tudo isto, mandamento, de fato novo cuja prática deveria florir no serviço, na esperança, na paz. Isto sem querer seu discípulo enquadrar os outros em seus moldes mentais, manipulando o próximo ou simplesmente retribuindo às suas atenções. Além disto, interessando-se cada um pelas misérias alheias, apesar de das suas impertinências, das suas importunações. Mandamento novo a exigir devotamento, fidelidade, gratuidade. Amor, portanto, realista que se manifesta no cotidiano. Com este mandamento novo Jesus inaugurava um novo estilo de vida, uma nova atitude, tanto que Ele asseveraria: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros”. Jesus deixou como herança a seus seguidores um mandamento expresso num imperativo decisivo: “Amai-vos”. Tal a sua herança e a missão que dava para todas as etapas da vida do cristão. Amar, porém, como Ele ensinou nem sempre seria fácil, porque amar supõe total desinteresse pessoal. Amar é um ato que se dirige ao próximo que deve ser reconhecido como outro, respeitando-se sempre as diferenças. Assim cai por terra todo egoísmo. O amor como Jesus ensinou leva a entrar na fragilidade do próximo, passando por cima de suas vulnerabilidades. Isto supõe renúncia e abnegação contínuas. Esta atitude resulta então da certeza de que, assim praticando a caridade, se pode participar da verdadeira vida que é comunhão com Deus, o qual é amor, Esta dileção paira longe da sensibilidade, tornando-se uma responsabilidade, fruto de um mandato que repousa sobre o exemplo do Mestre divino. É deste modo que se reconhece que a palavra chave do cristianismo é o amor. Esta caridade é obra prima do gênero humano regenerado pelo sangue de um Deus. É o que há de mais nobre nas elucubrações da inteligência e o que existe de mais glorioso nos eflúvios do coração. Sacrificar-se pelo próximo. Ir de encontro de toda dor, de toda amargura, de todo desatino. Diminuir a estatística do sofrimento. Aumentar a crônica do bem. Irradiar por toda parte felicidade, serenidade, harmonia. Tudo isto é a maior manifestação da grandeza humana, o apogeu da perfeição evangélica, a atitude mais agradável a Deus, o ápice da perfeição do ser racional. A caridade é assim esplendorosa porque tem dimensões divinas. Envolve pensamentos, atitudes, palavras. Sorri com os alegres, pranteia com os tristes. Perdoa, desculpa e exalta as qualidades do outro. Faz do pecador um santo e eleva este santo a Deus. Ela ameniza, cura, distribui do muito, do pouco, “se faz tudo para todos para salvar a todos” (1 Cor 9,22). Onde resplandece assim a caridade, aí Deus está.](https://catolicanet.net/wp-cnet/wp-content/uploads/criança-13-768x435-324x160.jpg)