5° Domingo da Páscoa

    “Eu sou o Caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6)

     Celebramos, neste domingo, o quinto deste tempo da Páscoa, iniciando também um mês especial para todos nós, que é o mês mariano. Logo mais, no dia 13, celebraremos Nossa Senhora de Fátima; no dia 24, Nossa Senhora Auxiliadora; e, no dia 31, a visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel. Além disso, no dia 10 de maio, comemoramos o Dia das Mães. Por isso, ao longo desse mês, procuremos rezar o santo terço todos os dias e agradecer à Virgem Maria por nos ter dado Jesus.

    Ainda estamos envolvidos nesse tempo de alegria que é a Páscoa do Senhor. Estamos na 5ª semana; daqui a duas semanas celebraremos a solenidade da Ascensão do Senhor e, dentro de três semanas, encerraremos o tempo da Páscoa com a solenidade de Pentecostes.

    A cada Eucaristia recordamos a Páscoa do Senhor e fazemos memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Por isso, participemos da missa dominical toda semana e recordemos a entrega que Jesus fez por nós. O domingo é o dia da ressurreição do Senhor, o dia que o Senhor fez para nós, o primeiro dia da semana; por isso, é nosso compromisso participar da Santa Missa. Por mais que também seja um dia de descanso e lazer, tiremos um tempo para participar da Santa Missa.

    No Evangelho de hoje, o Senhor nos encoraja e nos dirige palavras de consolo: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé também em mim!”. Jesus nos encoraja, mesmo em meio às dificuldades, a manter a fé em Deus e nele também e a não desanimar. Algumas vezes, diante de algumas dificuldades da vida, colocamos a fé em dúvida, mas são nesses momentos que devemos fortalecer a nossa fé e confiar em Deus.

    Jesus está prestes a voltar em definitivo ao Pai. Diz aos apóstolos que voltará ao Pai, mas não os deixará órfãos: enviará o Espírito Santo, o Paráclito, que os defenderá e irá à frente deles. O Espírito Santo é a presença espiritual de Jesus no meio deles e em nosso meio. Jesus os encoraja a acreditarem nele e na força do Espírito Santo.

    A primeira leitura da missa deste domingo é dos Atos dos Apóstolos, como temos acompanhado desde o início do tempo pascal, e retrata justamente os atos dos apóstolos após a ressurreição de Jesus e o início da Igreja primitiva. O trecho do livro dos Atos dos Apóstolos deste domingo é (At 6,1-7) e diz que o número dos fiéis crescia sempre mais; com isso, os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica, dizendo que as suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. Os discípulos, então, decidiram por bem escolher sete pessoas de boa índole, repletas do Espírito Santo, que servissem às viúvas, enquanto os apóstolos não deixariam de anunciar a Palavra. A proposta agradou a toda a multidão, e eles escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um pagão que seguia a religião dos judeus.

    Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. Observamos, nessa leitura, em primeiro lugar, o número “sete”, que significa totalidade e a perfeição de Deus. Por isso, a decisão dos apóstolos era perfeita, e o Espírito Santo estava com os escolhidos. Em segundo lugar, observamos que os apóstolos realizam aquilo que vemos hoje nas ordenações diaconais, presbiterais e episcopais: eles impõem as mãos sobre esses homens, e ali acontece a efusão do Espírito Santo, como acontece nas ordenações, “oração consecratória”. Com isso, a multidão de fiéis foi crescendo mais e mais.

    O salmo responsorial é o 32(33). O refrão do salmo deste domingo é: “Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!”. A graça maior que podemos pedir ao Senhor é o dom do Espírito Santo, para que Ele dirija os nossos passos no caminho da santidade, a fim de que possamos encontrar o Senhor.

    A segunda leitura é da Primeira Carta de São Pedro, que também estamos acompanhando desde o início do tempo pascal. Pedro era o líder do grupo dos apóstolos e o primeiro Papa da Igreja. O trecho da leitura deste domingo é (1Pd 2,4-9). Pedro convida a comunidade que o ouve e a cada um de nós a nos aproximarmos do Senhor. Ele é a pedra viva, rejeitada pelos homens. Nós, como pedras vivas, somos chamados a nos distanciar daquilo que desagrada ao Senhor e a oferecer sacrifícios agradáveis a Deus. Deus nos tirou das trevas e nos colocou no caminho da luz, por meio da revelação de Jesus Cristo.

    O Evangelho deste domingo é de João (Jo 14,1-12). Nesse trecho do Evangelho, Jesus prepara os discípulos para a sua volta definitiva ao Pai, que se dará em breve, mas Ele acalma o coração deles, dizendo que vai, mas não os deixará órfãos: enviará o Paráclito, o defensor, o advogado, que caminhará à frente deles, que é o Espírito Santo prometido da parte do Pai. Jesus os envia em missão e dá início à Igreja primitiva, e, com a força do Espírito Santo, eles poderiam realizar tudo aquilo que Jesus realizava.

    Jesus diz ainda que irá primeiro para preparar um lugar para os discípulos, pois Ele irá primeiro, e, logo após, irão os discípulos. Jesus disse isso aos apóstolos, e serve para nós hoje também, pois a nossa vida na terra é passageira; após a nossa passagem aqui, viveremos eternamente ao lado de Deus. A vida não termina aqui, mas se inicia na vida eterna. Como diz Jesus, tenhamos fé em Deus e fé nele também.

    Tomé, um dos discípulos, conhecido como “Dídimo”, diz a Jesus que não sabia para onde Ele iria e como poderia saber o caminho. E Jesus responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Jesus é a nossa “porta” de acesso ao Pai; Ele abriu o caminho e, do mesmo modo que Ele voltou para o Pai, nós também voltaremos.

    Jesus é a imagem do Pai, e quem o vê, vê o Pai. Por isso, toda vez que participamos da celebração da Missa, na hora da consagração do pão e do vinho, vemos o próprio Deus na hóstia consagrada. Ao comungarmos, recebemos o Corpo e o Sangue de Cristo, que o sacerdote, por intermédio divino e pela ação do Espírito Santo, consagra.

    Comungamos aqui, diariamente, aquilo que vamos viver no céu eternamente. Participamos do banquete agora, para, depois dessa passagem aqui na terra, participarmos do banquete eterno no céu. É isso que a liturgia de hoje nos garante. Busquemos o Senhor tenazmente e aguardemos, com fé, a vinda do Espírito Santo e o nosso encontro definitivo com o Senhor.

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