SUA FÉ O SALVOU E SUA GRATIDÃO O DIGNIFICOU

    No tempo de Cristo, na Palestina, a situação do leproso era pior do que em nossos dias. Estava condenado a viver à margem da sociedade. A Bíblia registra a legislação do Levítico: “O enfermo atacado de lepra trajará vestes rasgadas, andará de cabeça descoberta […] e ele gritará: “Impuro”!” Impuro!”[…] Durante todo o tempo que durar a moléstia será considerado impuro como o é de fato e viverá isolado na sua cabana fora do acampamento” (Lev 13,45). Eis, porém, que na entrada de uma povoação saíram ao encontro de Jesus dez homens leprosos a clamarem: “Jesus Mestre, tem piedade de nós” (Lc 17,11-19). Rejeitados pelos homens, apelam para o divino Taumaturgo. Jesus sempre exigiu de seus miraculados uma fé profunda. Ordenou simplesmente que eles fossem se apresentar aos sacerdotes. Eles fizeram um ato de fé, obedeceram e pelo caminho ficaram curados. Entretanto, apenas um retornou para agradecer ao seu Benfeitor. Este, sim, ficara inteiramente curado no corpo e no espírito, pois se colocou em condições de escutar Jesus a lhe afiançar: “Levanta-te e parte, a tua fé te salvou”. Ele havia obtido a plenitude da salvação, a vida segundo a fé que permite verdadeiramente e livremente usufruir o bem estar do corpo e da alma, dando a Deus uma resposta de amor, manifestando um reconhecimento que enobrece e abre as portas para novos benefícios divinos. Estava imunizado de toda e qualquer lepra espiritual. Assim é o coração bondoso de Deus que nunca rejeita nem se desgosta perante as misérias humanas, mas sabe recompensar os gestos de gratidão, sinal de que se recebeu com fé o favor do céu. Aí está a razão pela qual nunca se deve imaginar que há uma distância intransponível entre o fiel que acredita e Jesus. Este está ainda mais próximo daqueles que sofrem, que sentem o peso da solidão e se acham longe de todo socorro humano. No caso dos dez leprosos Jesus passou por cima de todas as repugnâncias advindas da horripila enfermidade e com doçura infinita, aos remetê-los aos sacerdotes, já os havia curado. Era preciso apenas constar oficialmente que estavam livres da lepra, pois a cura fora súbita e completa para os dez ao mesmo tempo. O chocante neste episódio foi, de fato, que apenas o samaritano, o mais pobre e desprezível aos olhos dos judeus, foi grato, acrescentando ao ato de fé uma admirável manifestação de agradecimento, prostrando-se aos pés de Jesus. Estava cheio de alegria e esta transbordou num gesto sublime. Cumpre reter a lição deste agraciado, porque Deus está presente na vida de cada um de seus seguidores. Quantas graças são recebidas, por entre a agitação do cotidiano, no fim de um dia, no término de uma semana. É preciso a exemplo do samaritano, o qual veio dizer a Jesus o quanto estava agradecido pela cura maravilhosa, que saibamos continuamente agradecer a Deus. A gratidão é a chave de ouro que abre os tesouros divinos. Quem faz sempre a releitura de tudo que lhe vai acontecendo durante o dia há de perceber a presença dadivosa do Ser Supremo “no qual nos movemos, existimos e somos” (Atos 17,28). Ele é, realmente, rico em misericórdia. Muitas vezes o cristão se limita a um exame de consciência moralizador e se esquece de captar a multidão de benefícios que lhe advém de seu Senhor. A fé exige uma visão mais ampla de tudo que vai acontecendo a quem vive e implora continuamente a proteção celeste. Deus vai a cada passo deixando marcas na vida de quem nele crê, que O ama e nele confia. A leitura dos acontecimentos que se dão em derredor do seguidor de Cristo aumenta a fé e a gratidão, mas é necessário apreender todos os sinais indicadores da bondade do Pai amoroso. Então se multiplicam os hinos de ação de graças, de arrependimento pelas ingratidões e de preces ardentes pela contínua ajuda divina. O ideal, portanto, é ser como o leproso agradecido e não como os nove, também agraciados, mas dos quais se queixou Jesus, dado que não se mostraram reconhecidos. Donde a importância do conselho de São Paulo na sua carta a Timóteo, recomendando que é preciso sempre se lembrar de Jesus Cristo ressuscitado entre os mortos, pois Ele é, de fato, nossa salvação, nossa glória. Portanto a Ele se devem hinos gratulatórios, pois Ele é o Mediador de todos os favores que continuamente recebemos.

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