IGREJA EM MISSÃO

              Na sequência da mensagem especial que tradicionalmente a Igreja envia a seu povo, por ocasião do Dia Mundial das Missões, Papa Francisco faz nesse ano um apelo mais que especial, extraordinário. Lembra aos jovens a necessidade de conexão com o espírito de serviço e vida missionária como características primeira da sua pertença à Igreja. Os jovens conectados já não são do mundo, mas de Deus; não mais se pertencem, mas vivem pelas mesmas razões pelas quais Cristo viveu.

              Eis palavras do Santo Padre: “Sê homem de Deus, que anuncia Deus: este mandato toca-nos de perto. Eu sou sempre uma missão; tu és sempre uma missão; cada batizada e batizado é uma missão. Quem ama, põe-se em movimento, sente-se impelido para fora de si mesmo; é atraído e atrai; dá-se ao outro e tece relações que geram vida. Para o amor de Deus, ninguém é inútil nem insignificante. Cada um de nós é uma missão no mundo, porque fruto do amor de Deus”. A totalidade desse parágrafo nos mergulha na vida missionária sem perspectivas de fuga. Nossa vida deve respirar a missão de Cristo em sua Igreja. Não temos outro caminho. Ou se é cristão e missionário ou não nos sobra alternativas. Ou respiramos a missão ou entulhamos nossos pulmões com as brisas passageiras do mundo. Ou tudo ou nada.

              Continua Francisco: “Esta vida é-nos comunicada no Batismo, que nos dá a fé em Jesus Cristo, vencedor do pecado e da morte, regenera à imagem e semelhança de Deus e insere no Corpo de Cristo, que é a Igreja”. Essa somos nós, os batizados. A visão e compreensão do que seja esse corpo místico, mais que linguagem poética ou mística de um conceito, é o centro de nossa pertença a vida trinitária. “Eu sou a cabeça e vós os membros”, diria Jesus. “Por conseguinte, neste sentido, o Batismo é verdadeiramente necessário para a salvação, pois garante-nos que somos filhos e filhas, sempre e em toda parte: jamais seremos órfãos, estrangeiros ou escravos na casa do Pai”, sentencia o Papa. Querem maior privilégio? Maior alegria e segurança do que essa certeza de pertença e inserção na vida da Igreja, na vida do Pai?  Exatamente a consciência dessa verdade é que norteia a vida cristã, fortalece seus membros e lhes dá segurança no caminho estreito que a fé exige.

              Até aqui o que vimos foi um painel de revelações básicas para assumirmos com novo ardor nossa vida missionária. “Aquilo que, no cristão, é realidade sacramental – com a sua plenitude na Eucarística -, permanece vocação e destino para todo o homem e mulher à espera da conversão e salvação”, enfatiza Francisco. Ou seja: nossa presença e ação no mundo deve motivar e transformar aqueles que ainda são do mundo, que desconhecem essa realidade mística de pertença também a Deus. A vida possui um projeto mais que biológico ou carnal, sobre o qual grande parte dos humanos ainda desconhece, por deslizes ou fraquezas da missão da Igreja. Missão que é exclusividade nossa, como membros desta. Falha nossa, portanto.

              O sínodo da Amazônia, já em curso, vem nos lembrar tudo isso. “A Igreja não é uniforme e isso gera uma harmonia na diversidade”, disse o Papa durante a Jornada Mundial da Juventude em 2013, no Brasil. “Com o Sínodo, toda essa diversidade original convoca novo tempo na Igreja; um tempo de entender para compreender a fé”, concluiu. Entender e compreender aqui não são sinônimos, mas desafios de aprofundamento de um mistério. No caso, como evangelizar sem desrespeitar a cultura alheia, a língua, o território, a espiritualidade de cada povo. Missão de fé não possui um único idioma. Em diferentes traduções, a Escritura Sagrada revela os ensinamentos de Cristo. Aqui, em meio da floresta ou na selva de pedra de nossas civilizações, ou na floresta de nossos preconceitos e ideias fixas, políticas públicas sem nada de público… A fé traduz esse idioma da unidade na diversidade.

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