Cardeal Sandri. O melhor caminho para o ecumenismo é a caridade

Começou nesta quinta-feira (12/09) em Roma o encontro dos bispos católicos orientais. Entrevista com o prefeito da Congregação para a Igrejas orientais, cardeal Leonardo Sandri

Cidade do Vaticano

As Igrejas Católicas Orientais na Europa são chamadas a percorrer o caminho do amor, da caridade. São palavras do cardeal Leonardo Sandri ao falar sobre o encontro dos bispos católicos orientais  que iniciou nesta quinta-feira (12/09) em Roma. A reunião tem como tema: “A missão ecumênica das Igreja orientais católicas da Europa”. O ecumenismo, recorda o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, é um desafio especialmente na Europa onde “há tantas possibilidades ecumênicas, mas também muitas reprimendas porque vemos muitas divisões em curso”. “Os desafios de hoje na Europa – recorda o cardeal – devem ser enfrentados com uma grande comunhão”.

 

Cardeal Sandri: Nestes incontro dos bispos católicos na Europa os temas variam muito. Para este ano escolhemos “O ecumenismo na Europa de hoje”. É um tema muito importante para as Igrejas Católicas Orientais. Pode-se dizer que é um desafio, porque não podem existir Igrejas católicas orientais se não há uma orientação para o ut unum sint (para que sejam uma só), a unidade dos cristãos. Este tema de reflexão será também um desafio para todas as nossas Igrejas Católicas Orientais, especialmente na Europa onde há muitas possibilidades ecumênicas, mas também muitas reprimendas porque vemos muitas divisões em curso. Portanto, creio que escolheram um tema muito importante e de grande transcendência para a vida futura das Igrejas católicas orientais.

Igrejas Católicas Orientais

Qual é a missão ecumênica das Igrejas Católicas Orientais na Europa de hoje?

Cardeal Sandri: É difícil pensar, trabalhar para um desafio ecumênico baseado apenas em discursos, programas e reuniões. No meu discurso quero sublinhar o caminho do ecumenismo na Europa para as Igrejas Católicas orientais, que é o caminho do amor, da caridade. Colocando também em destaque todas as iniciativas, em particular as que nascem de associações ou movimentos como a Cáritas, por exemplo na Ucrânia, na Geórgia… Para mim este é o caminho imediato, o caminho que não deve ser procrastinado, das Igrejas Católicas orientais para iniciar um diálogo, um comportamento comum, uma interação entre todos com suas próprias riquezas através da caridade, do serviço dos sacerdotes e principalmente dos leigos.

A união na caridade propõe o autêntico rosto da Igreja…

Cardeal Sandri: O caminho da caridade não é um caminho que nos separa por causa da liturgia, pela espiritualidade e pelas particularidades que cada Igreja possui na própria identidade. Mas é o que nos une: ama o teu próximo, serve o teu próximo porque assim você ama a Deus.

Igrejas Católicas Orientais

Entre os temas no centro deste encontro dos bispos católicos orientais, há também o diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.

Cardeal Sandri: É um tema importante e obviamente é realizado considerando a universalidade da Igreja, mas neste diálogo com a Igreja Ortodoxa há também a amizade, a troca. Por exemplo, há inúmeras iniciativas que podem ser feitas no mundo de hoje que é atraído por novas idolatrias, por novos ídolos temporais que podem ser enfrentados juntos através de um diálogo, atitudes comuns, declarações comuns e, principalmente enfrentando estes desafios do mundo de hoje na Europa com uma grande comunhão.

Igrejas Orientais católicas

Dentro da Igreja Católica há Igrejas particulares, chamadas sui iuris Igrejas ou Ritos, com plena comunhão com a Igreja de Roma, mas que se distinguem da Igreja Católica latina pela forma de seus ritos litúrgicos e devoção popular, pelas diferentes disciplinas sacramentais (administração dos sacramentos) e canônicas (normas jurídicas), terminologia e tradição teológicas.

 

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