Estamos celebrando o trigésimo segundo Domingo do tempo comum. Duas cenas comoventes, de gente pobre, sem valor nem importância, histórias de pessoas sem nome, ocupam hoje nossa atenção. A liturgia nos leva a encontramos com duas viúvas. A primeira mostra a recompensa de Deus e a segunda, é valorizada por Jesus Cristo.
Na primeira leitura – 1 Reis 17,10-16 – a Viúva de Sarepta. Qual o nome dela? Qual o enredo da sua vida? Qual o nome do seu filho? Que idade tinha? A Escritura se cala. Vai direto ao ponto: no tempo do profeta Elias uma seca mortal varreu a Terra Santa e sua vizinhança. O Livro dos Reis explica que isso se deveu à idolatria de Israel e à impiedade de Acab, seu rei. Até o profeta Elias, que anunciou o castigo, teve que sofrer as consequências: primeiro ficou sendo alimentado por um corvo na torrente de Carit; mas, depois, a torrente secou. Também os profetas de Deus sofrem, também eles participam da sorte do seu povo.
Também os amigos do Senhor devem combater os combates da vida. Mas, secada a torrente de Carit, Elias deixou a Terra Santa como flagelado de seca. Pois bem: Elias, um dos maiores amigos de Deus, foi retirante e chega no estrangeiro, na fronteira de Israel com o Líbano. Vê uma viúva cananéia, pagã, portanto, apanhando uns gravetos para fazer fogo. Pois bem, o homem pede-lhe um pouco d’água e também um pedacinho de pão.
E ante o pedido do Homem de Deus, a resposta da viúva pobre e sem nome é de fazer chorar de dor: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha e um pouco de azeite. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. Ela não amaldiçoa Deus; pelo contrário: “Pela vida do Senhor, teu Deus!” – ela diz, com respeito por Deus e por seu profeta, apesar de ser uma pagã! E Elias manda que ela prepare o pão primeiro para ele; e garante: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. A viúva fez assim, e aconteceu como o profeta de Deus dissera.
Na segunda leitura – tirada de Hebreus 9, 24-28 – mostra que Cristo nos apresenta no céu, diante do Pai, em nosso favor. O Autor sagrado explica que ele se fez homem uma só vez, entregando-se todo, a vida toda, por nós, até morrer para apagar os pecados da multidão! Ele fez como aquelas viúvas: Ele não se poupou, não poupou nada; tudo entregou ao Pai por nós. E agora, ele estará para sempre diante do Pai, com o seu sacrifício, como Cordeiro glorioso e imolado (Ap 5,6), até que apareça no final dos tempos “para salvar aqueles que o esperam”. Eis o mistério: sem saberem, aquelas duas mulheres participavam da entrega de Cristo, da generosidade de Cristo, dos sentimentos de Cristo! Sem nem imaginarem, aquelas mulheres colocaram a esperança em Cristo.
O Evangelho de São Marcos – Mc 12,38-44 – apresenta uma segunda cena. A de uma viúva também sem nome, sem importância. Chega junto ao cofre do tesouro do Templo. Ali joga duas moedinhas. Era “tudo aquilo que possuía para viver!” E o Senhor viu, e comoveu-se com sua generosidade, pois conhecia seu coração e sabia da sua penúria miserável! Esta viúva, indigente, quase esmoler, dá tudo ao Senhor, não reserva nada para si! O Senhor Jesus, que desmascara nossos pensamentos ama aquela viúva, elogia aquela mulher, comove-se com ela.
Voltemos agora o olhar do coração para o Céu, para junto do Pai! Lá está o nosso Salvador, eternamente vitorioso e eternamente imolado de amor! Lá está Jesus, com seu sacrifício eterno, único, perfeito irrepetível, totalmente suficiente e eficaz! Ele nos deu tudo! Mais ainda: Ele se deu todo… Todo a nós, todo por nós! Agora, olhemos para este Altar, em torno do qual nos reunimos. O sacrifício único e santíssimo, esse sacrifício que está para sempre diante de Deus, estará sobre o Altar sagrado, para ser nossa oferta e para que nós dele participamos!
No próximo domingo celebraremos o VIII Dia Mundial do Pobre, mais do que uma celebração é um dia de reflexão e de pensar como podemos ajudar os mais necessitados. Desde que o Papa Francisco assumiu o pontificado teve uma grande preocupação com os mais pobres, que deve ser uma preocupação de toda a Igreja, por isso, desde 2017 ele instituiu no penúltimo domingo do tempo comum o dia mundial do pobre, chamando a nossa atenção para olhar ao nosso redor e estender a mão para aqueles que mais precisam. Aqui nós já iniciamos a semana (prolongada) dos pobres com muitas atividades, reflexões e propostas.
O tema escolhido pelo Santo padre para o dia mundial do pobre desse ano é: “A oração do pobre eleva-se até Deus” (Eclo 21,5). Somos convidados a rezar por todos os pobres e que a nossa oração se transforme em ação concreta, doando alimento, roupas, calçados para aqueles que mais precisam. Todos nós temos que ser pobres, mas pobres de espírito, pois assim estaremos livres para olhar as necessidades dos outros e herdar o reino dos céus.