XXVII Domingo do Tempo Comum

    Estamos celebrando o XXVII Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste domingo nos apresenta a realidade da fé. Surge a súplica dos Apóstolos: “Senhor, aumenta a nossa fé!” E Jesus lhes disse: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria” (Lc 17,6). É uma linguagem figurada que exprime a onipotência da fé.

    Jesus não pede muito; pede apenas um pouquinho de fé, como o minúsculo grão de mostarda, bem menor que a cabeça de um alfinete. Mas, se for sincera, viva e convicta, a fé será capaz de coisas muito maiores, inconcebíveis à compreensão humana. O Senhor quer educar seus discípulos numa fé sem incertezas nem vacilações; numa fé que, apoiada na força de Deus, tudo crê, tudo espera, a tudo se atreve e persevera invencível, mesmo diante das dificuldades mais árduas.

    Na primeira leitura (Hab 1,2-3; 2,2-4), até o profeta Habacuc experimenta impaciência diante das demoras de Deus. O Senhor parece não ter pressa em castigar os injustos… mas Ele deseja a salvação de todos os homens. Sua justiça pode demorar, mas não falha: “Esta profecia tende para um desfecho e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza. Quem não é correto vai morrer, mas o justo viverá por sua fé!” (Hb 2,3-4).

    Na segunda leitura (2Tm 1,6-8.13-14), o Apóstolo Paulo procura reavivar a fé em seu discípulo Timóteo, na Palavra de Deus recebida pela imposição de suas mãos apostólicas: “Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo, que habita em nós!” (2Tm 1,14).

    No Evangelho (Lc 17,5-10), aprendemos que, sem fé, nada de bom permanece na Igreja de Cristo. A fé é dom de Deus: é crer no seu poder e no seu amor, fonte de paz, felicidade e certeza de vida eterna. Precisamos pedir ao Senhor uma fé firme, que reanime o amor, nos ajude a superar nossas fraquezas e nos torne testemunhas vivas no lugar em que desenvolvemos nossa vida.

    A fé comunica uma força extraordinária! Com ela superamos obstáculos de ambientes adversos e dificuldades pessoais, muitas vezes ainda mais difíceis de vencer. Mas crer não significa compreender tudo. O profeta que fala em nome de Deus nem sempre compreende totalmente o agir divino, e por isso se angustia, pergunta e chora: “Senhor, por que ages assim? Por que teus caminhos nos escapam deste modo?”

    A verdade é que a fé não é uma realidade tranquila e sem conflitos. O próprio Jesus advertiu que somente os violentos conquistam o Reino dos Céus (cf. Mt 11,12s): somente aqueles que lutam, que teimam em acreditar! A fé sangra: sangra nas perguntas sem resposta, no sofrimento dos inocentes, na vitória dos maus, na presença do mal em tantas dimensões da vida… e Deus parece calar-se.

    A resposta de Deus a Habacuc não explica: convida a crer, a abandonar-se novamente, a perseverar. “Quem não é correto vai morrer, mas o justo viverá por sua fé!” Deus não oferece respostas prontas, mas chama à confiança renovada, ao abandono em suas mãos. Quem não se entrega, quem não vive na amizade com o Senhor, perde a fé; mas o justo, o amigo de Deus, permanece firme.

    O justo vive da fé! Eis a grande dificuldade do homem de hoje, que deseja enquadrar tudo na razão. Quando não compreende, revolta-se, dá as costas a Deus e, assim, morre espiritualmente… pois viver sem Deus é a pior das mortes, o maior dos absurdos. O justo, ao contrário, vive da fé, vive na fé, abandonado nas mãos do Senhor, como rezamos na Antífona de Entrada da liturgia deste domingo: “Senhor, tudo está em vosso poder, e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo!” (Est 13,9-11).

    No Evangelho, os discípulos pedem: “Senhor, aumenta a nossa fé!” E Jesus responde: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria.” Ou seja: se crermos verdadeiramente no amor que se manifestou até a cruz, se acreditarmos — aconteça o que acontecer — que Deus nos ama a ponto de entregar o seu Filho, teremos força para enfrentar todas as noites com sua luz, todos os pecados com sua graça, todas as mortes com a sua vida.

    Mas, se não crermos, pereceremos. O que o Senhor espera de seus servos é uma fé total, incondicional, pobre e amorosa. Contudo, muitas vezes buscamos recompensas, provas, certezas lógicas.

    Peçamos insistentemente ao Senhor que aumente a nossa fé e não descuidemos desse tesouro. Cremos em Deus e lutamos pelo bem da humanidade e de cada pessoa ao nosso lado, conscientes de que podemos e devemos oferecer aos nossos amigos o que temos de mais precioso: a fé em Deus, a amizade com Cristo e o verdadeiro sentido da vida… e também da morte.

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