Uma vida em movimento

De todos os planos que Deus reservou para minha vida, trabalhar com Cinema de Animação e dar aula disso na universidade foram uns dos mais surpreendentes e fantásticos que tive. Meu primeiro contato com animação aconteceu no final da minha graduação, praticamente meses antes de me formar, numa disciplina eletiva do curso de Design da PUC-Rio. Virou meu projeto de conclusão de curso e, em seguida, meu caminho para a especialização. E, assim, se passaram pouco mais de 10 anos estudando, produzindo animações para Educação à Distância em um órgão do Estado e ensinando animação numa universidade privada. Outras atividades que exerço como animador e professor são a de frequentar festivais de animação (o Anima Mundi principalmente) para ver o que está sendo produzindo no mundo e aumentar a rede de contatos com animadores, além de organizar mostras de filmes de animação. Com isso, assisto aproximadamente a 300 curtas animados por ano. Muita coisa boa, muita coisa não tão boa assim. E, em alguns momentos, nesses festivais e mostras, surge um ou outro filme que trabalha a temática sobre o desejo do homem e até mesmo o despertar do senso religioso, além do cristianismo. E quando identifico um destes temas sempre indico aos amigos para assistirem. Foi nesse sentido que decidi organizar uma mostra reunindo alguns desses curtas que assisti nesses anos. Surgiu, então, a Mostra “A Busca em Movimento” com 9 curtas, dos quais 7 são brasileiros, um canadense e outro russo. E, da mesma forma que pude assistir todos esses filmes em festivais de animação afora, não me contive em exibi-los apenas para os amigos mais próximos. Sabia que aquela mostra era para todos. E propus fazê-la num dos locais mais significativos para a animação do Rio de Janeiro. Assim, no dia 29 de novembro, oferecida pelo Centro Cultural Fato & Presença, a Mostra “A Busca em Movimento” foi publicamente exibida na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. O mesmo lugar que, em 1969, abrigou um dos primeiros festivais internacionais de cinema de animação no Brasil. Com a decisão de procurar um local público para o evento, uma nova história começou para mim. Sempre gostei de divulgar os trabalhos de animação de colegas em sessões na universidade e nas outras mostras que organizo. Mas essa foi diferente por carregar algo que possui um significado de algo muito maior, propõe um caminho para o relacionamento com Cristo. Tinha receio, mas me arrisquei na certeza de que, quando se fala do encontro com Cristo de forma apaixonada, como experiência, como relacionamento com o próprio trabalho, Ele cuida, e trabalha para que tudo aconteça de forma bela. E de fato foi assim! Desde o caminho para selecionar os filmes, pedir autorização de exibição (nunca me imaginei enviando um email em russo e recebendo a resposta: “Nosso escritório em Moscou autorizou a exibição do filme na mostra A Busca em Movimento”), a acolhida do MAM que não só aceitou exibi-la como sugeriu um dos filmes de seu acervo para incluir na exibição, até a reação do público que compareceu ao evento e se deixou surpreender com as diversas temáticas e técnicas trabalhadas pelo cinema de animação. Foi de fato uma mostra que, assim como diz seu título, me colocou em movimento. O evento contou com a presença de cerca de 50 pessoas, incluindo amigos de Comunhão e Libertação, uma turma grande do Seminário Propedêutico Rainha dos Apóstolos, cinéfilos que frequentam o MAM e alguns dos realizadores dos filmes selecionados para o evento. Após a exibição dos filmes, falei um pouco sobre a escolha de cada um deles e do juízo que tirei ao assisti-los. Fiz notar que eles tratavam de temas muito importantes, como a busca pelo nosso desejo de beleza e como, de fato, a resposta estava no relacionamento com o Mistério.

Fonte: Revista Passos