Um bispo equilibrado e santo!

    Conheci Dom Eugênio Araujo Sales, 5º. Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, primeiramente na Assembleia dos Bispos da CNBB, em Itaici, e depois, mais de perto, nos Encontros anuais dos Bispos no Sumaré, no Rio de Janeiro, pois desde o primeiro, não faltei a mais nenhum. Foi ele sempre humilde e principalmente acolhedor. Jamais deixou de responder a algum questionamento ou explicação que lhe era solicitado. Homem equilibrado, fiel à Igreja em todos os momentos. Buscou sempre a unidade e a fraternidade entre os bispos e ele mesmo dizia isso nos Encontros de Estudos, sem fazer qualquer oposição à CNBB. Buscava para os encontros as pessoas mais especializadas no assunto, seja no Brasil ou em Roma. Presente em todos os momentos, com a sua cortesia de sempre. Homem de oração e de muito amor à Igreja.

    Aconteceu comigo um fato muito especial: no primeiro encontro com os Bispos no Sumaré eu, jovem bispo, estava sentado em uma mesa sozinho. O palestrante principal era o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O Cardeal Joseph Ratzinger veio e sentou-se comigo. Começamos a conversar. Eu coloquei, à época a reintegração de um sacerdote do clero da Arquidiocese de Juiz de Fora, aonde era Bispo Auxiliar. Eu não havia tido sido bem atendido no antigo Santo Ofício. Coloquei a questão ao Cardeal Joseph Ratzinger. Ele me ouviu atentamente por mais de meia hora. Quando retornou a Roma tomou todas as providências e em tempo recorde eu recebi o rescrito positivo. Depois pude agradecer ao Cardeal Eugenio Sales as delicadezas destes encontros anuais do Sumaré que sempre foram de partilha, enriquecimento espiritual e colegialidade episcopal.

    Para mim a principal característica do Cardeal Eugenio Sales foi o equilíbrio e a santidade. Ele falava muito pouco. Ouvia muito! Encorajava com o testemunho de fidelidade absoluta a Deus, à Igreja, ao Papa e ao Magistério Pontifício. Em momentos de tensões eclesiais ele era o porto seguro para recomeçar sempre em comunhão com o Sucessor de Pedro.

    Meu agradecimento aos muitos ensinamentos e testemunhos edificantes de solicitude pastoral e de afeto colegial que nos deixaram o Cardeal Eugenio Araujo Sales. A sua ponderação, discrição e firmeza fazem falta em tempos tumultuados em que o silêncio e a prudência são deixados de lado e reina as “maledicências” e os pré-julgamentos e condenações. Sejamos distribuidores da misericórdia e da acolhida evangélica. Descanse em paz querido irmão Dom Eugenio Sales.

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