Um batismo de conversão

    João Batista estava totalmente embebido das expectativas messiânicas de seu tempo. Esperava-se, para breve, a chegada do Messias e, com ele, a consumação dos tempos. Haveria uma intervenção divina na história, na qual os maus e injustos seriam eliminados. Seria poupado, apenas, quem tivesse mantido a fidelidade a Deus: os bons e os justos.
    O batismo de conversão expressava a boa vontade dos que esperavam ser acolhidos pelo Messias. Era sinal de ruptura com a infidelidade, de confissão do desejo de se manter fiel ao projeto de Deus, pauta do julgamento messiânico. Era uma forma de estar em dia com Deus e ser reconhecido pelo Messias.
    A ação de Jesus correspondeu à “salvação de Deus” irrompendo na história. Entretanto, não como fim da história, mas o começo de um tempo novo, onde os discípulos do Reino haveriam de encarnar o projeto de Deus, como Reino de bondade e de justiça, em meio a uma geração perversa, mas amada por Deus e chamada à conversão. Longe de ser um Messias violento e punitivo, Jesus seria a encarnação da misericórdia.
    Advento é tomada de consciência: Deus é Pai e libertador. Ele convida seus filhos, as comunidades cristãs, a se levantar e perceber que a libertação está próxima. O nascimento de Cristo e sua missão marcam o acontecimento central da história da salvação. O caminho de Jesus é proposta aberta a todos. Mas não nos iludamos: o caminho de Jesus não é o dos poderosos e a história da salvação não passa pela “história oficial” dos que dominam e oprimem.
    Celebrar a Eucaristia é reviver a presença de Deus que é Pai libertador, que salva em Cristo Jesus. A comunidade cristã que celebra o memorial da morte e ressurreição de Cristo é convidada ao discernimento: só o amor dinâmico que conduz à prática da solidariedade e da justiça é capaz de atualizar a vinda de Jesus.

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