O terceiro domingo de agosto, dentro do mês vocacional no Brasil (peregrinos porque chamados), é dedicado à Vida Religiosa Consagrada. É o dia em que a Igreja se volta de modo especial para aqueles e aquelas que, movidos pelo Espírito Santo, consagram inteiramente suas vidas ao Senhor, professando os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. É um convite a reconhecer, agradecer e rezar pelos consagrados e consagradas, mas também a redescobrir que a entrega radical a Cristo é um chamado presente no coração de todo batizado.
Jesus mesmo nos aponta o caminho da vida consagrada quando diz:
“Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mt 19,21).
A vocação à vida consagrada é uma resposta concreta a esse convite de Cristo. Trata-se de um modo particular de viver no mundo sem pertencer ao mundo (cf. Jo 17,16), para ser sinal visível do Reino de Deus. Por isso, a vida consagrada é profundamente missionária e profética: é uma presença que denuncia o egoísmo e anuncia a esperança.
Ao longo dos séculos, o Espírito Santo suscitou uma variedade imensa de formas de vida consagrada: as virgens consagradas, eremitas, ordens monásticas, congregações religiosas apostólicas, institutos seculares, novas comunidades. Cada carisma nasceu para responder a necessidades concretas da Igreja e da sociedade: a educação, a saúde, o cuidado dos pobres, a evangelização, a contemplação, a defesa da vida, a promoção da paz, principalmente para testemunhar Jesus Cristo.
São Paulo nos lembra: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (1Cor 12,4-5).
Assim, contemplativos e missionários, monges e freiras de clausura, irmãos leigos e irmãs engajadas em obras sociais participam de uma mesma missão: tornar Cristo presente no mundo.
Vivemos um tempo de rápidas mudanças e profundas crises — sociais, culturais e espirituais. O Papa Francisco, de saudosa memória, nos recordou que os consagrados são chamados a “acordar o mundo” pelo testemunho de uma vida alegre, simples e cheia de compaixão. A pobreza evangélica desafia o consumismo; a castidade consagrada testemunha que é possível amar de forma universal e desinteressada; a obediência evangélica lembra que a verdadeira liberdade se encontra na escuta e na vontade de Deus.
Como diz o profeta Isaías: “O Senhor me ungiu e enviou-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres, curar os corações feridos, proclamar a libertação aos cativos” (Is 61,1).
A vida consagrada assume exatamente essa missão — sendo presença de consolo, justiça e esperança.
O terceiro domingo do mês vocacional, dia da vida consagrada não é apenas para os religiosos. Ele recorda que toda a Igreja é chamada a apoiar, valorizar e caminhar junto com eles. É um dia para rezar pelas vocações, mas também para abrir os olhos e reconhecer o quanto a vida consagrada tem sustentado a ação evangelizadora no Brasil e no mundo. Foram os religiosos os primeiros missionários de nossas terras quando da chegada dos portugueses no séculos 16.
Para muitos jovens, este domingo pode ser um momento decisivo. A inquietude vocacional pode ser a voz de Deus chamando: “Segue-me” (Lc 5,27). É preciso coragem para responder, e a comunidade cristã tem papel fundamental ao incentivar e testemunhar que a vida entregue ao Senhor é fonte de alegria.
A vida consagrada é um dom para toda a Igreja. Como lembra o Concílio Ecumênico Vaticano II na Lumen Gentium (n. 44), ela “imita mais de perto e representa continuamente na Igreja o modo de vida que o Filho de Deus assumiu ao vir ao mundo para cumprir a vontade do Pai”. Os consagrados, com sua vida simples, comunitária e missionária, nos lembram que nossa pátria definitiva não está aqui, mas “nos céus, de onde aguardamos o Salvador” (Fl 3,20).
Quero manifestar minha gratidão a todos os religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, membros das novas comunidades que na sua multiplicidade da riqueza de seus carismas enriquecem a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro com o seu bonito trabalho pastoral e o seu eloquente testemunho de seguimento dos conselhos evangélicos da pobreza, obediência e castidade. Deus os abençoe!
Neste terceiro domingo, renovemos nosso compromisso de rezar pelas vocações, apoiar as obras dos religiosos e religiosas e, acima de tudo, deixar-nos inspirar por sua coragem e fé. Que possamos, cada um em sua vocação, viver também como testemunhas da esperança (cf. 1Pd 3,15), anunciando com palavras e gestos que vale a pena dar a vida por Cristo.



