“Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus” (Sl 97/98)
Celebramos neste dia a Solenidade do Natal do Senhor, dia de agradecer ao Senhor por nos ter dado tão grande dom. Celebrar o Natal, conforme já dissemos, é celebrar o nascimento de Jesus Cristo. O Natal é agradecer ao Senhor por nos ter enviado o seu Filho, o Redentor da Humanidade. Deus se fez homem, igual a nós em tudo, exceto no pecado, para nos pavimentar a salvação!
O Natal é tempo de toda a família se reunir em torno do presépio e refletir diante da imagem Menino Deus, conforme os Reis Magos o fizeram. Podemos oferecer presentes a Jesus, que não serão ouro, incenso e mirra, mas o nosso coração. Nesse dia de Natal, nos reunamos em torno do altar do Senhor e elevemos ao Menino Jesus um pedido especial pela paz, que o nascimento do Menino Jesus traga a paz sobre a terra, a união de todos os povos e o fim das guerras. Neste tempo de tantas guerras no mundo, violência em nossas cidades e admissão de interromper a vida de crianças no ventre de suas mães, celebrar a vida que nasce é a esperança que renasce, que mesmo diante de tantos absurdos podemos ter a certeza de que um novo mundo é possível.
Ao celebrar o Natal de Jesus, é sempre tempo de celebrar a esperança em dias melhores, agradecer o ano que passou e pedir tudo de melhor para o ano que vai iniciar. Inclusive, a partir do Natal desse ano, iniciaremos o Jubileu da Esperança, que irá até a festa da Sagrada Família de 2025. O tema central da Novena de Natal girou em torno da esperança. Que o nascimento de Jesus possa acender em todos os corações o desejo da paz e que todos os povos se unam no propósito de cessar as guerras e desavenças, e possamos nutrir a esperança num mundo melhor.
Com o nascimento do Menino Jesus, a nossa fé e nossa esperança são renovadas, a nossa fé em um Deus que nos ama e a esperança em dias cada vez melhores. Deus nos ama tanto que enviou o seu Filho ao mundo, a fim de se fazer igual aos homens, nascendo pobre e ensinando a todos os homens o caminho do amor. Com o nascimento de Jesus, conclui-se a aliança de amor entre Deus e os homens e conclui-se uma parte da história da salvação e inicia outra.
No dia de Natal, temos que participar da Santa Missa, é dia Santo de guarda. As liturgias são diferentes e nos enriquecem o coração, por isso devemos aproveitar desses momentos para participar. Que o nascimento de Jesus, hoje, ensine a humanidade o caminho da fraternidade, da paz e da esperança, e que, ao invés de muros, possamos construir pontes.
A primeira leitura da missa de hoje é da profecia de Isaías (Is 52, 7-10), Isaías diz que como são belos os pés do mensageiro, daquele que anuncia a paz e o bem. A função do profeta é ser esse mensageiro, ou seja, portador da boa nova e da justiça de Deus. No Novo Testamento, Jesus é esse mensageiro de Deus que anuncia à humanidade o caminho da salvação. O Senhor se lembrou de Jerusalém e, após o tempo do exílio e deserto, o povo desfrutará de sua terra, e a terra deserta e árida se transformará em frutífera.
Isaías, há cerca de quatrocentos anos antes do nascimento de Cristo, prevê que, com o nascimento de Jesus, Deus selaria uma nova e eterna aliança com a humanidade. A justiça de Deus se concretizaria com o nascimento de Jesus.
O salmo responsorial é o 97 (98). O refrão do salmo diz: “Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus”. Através do nascimento de Jesus, é aberto o caminho da salvação e todo o universo contempla essa salvação. A salvação de Deus é para todos, basta querer abrir-se para essa salvação que Ele quer oferecer. Todo o universo deve alegrar-se com o nascimento de Jesus Cristo e todos os povos devem unir-se para a construção da paz. A intenção última de Deus é salvar todo ser humano. Deus busca sempre salvar o ser humano e nunca condenar.
A segunda leitura dessa missa do dia de Natal é da carta aos Hebreus (Hb 1, 1-6). O autor sagrado diz que, de muitos modos, Deus falou à humanidade e, nesses dias, falou por meio de seu filho Jesus Cristo. Jesus é o herdeiro e, por meio d’Ele, Deus criou o universo, pois Jesus é a palavra encarnada do Pai e Deus criou o mundo por meio da Palavra. Ele morreu na cruz para nos perdoar de nossos pecados e para selar a aliança entre Deus e a humanidade. Com a morte de Cristo na Cruz, é selada uma aliança eterna e torna-se selada a história da salvação, e agora, do céu, Ele intercede por nós e todos os anjos o adoram.
O Evangelho é de João (Jo 1, 1-18). Esse trecho é o início do evangelho de João e é conhecido como o “prólogo de São João”. Ele inicia dizendo que, no princípio, era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. No princípio, estava ela com Deus. Deus criou o mundo por meio da Palavra e, depois, essa mesma Palavra se fez carne. Essa Palavra é o próprio Cristo, que veio para iluminar a vida daqueles que caminhavam em meio às trevas.
Antes de Jesus, porém, veio um homem, um grande profeta chamado João Batista, conhecido como o precursor, que pregava um batismo de conversão e preparava as pessoas para a chegada do Reino de Deus, que viria com Jesus. Ele vivia no deserto e nas montanhas e anunciava que Jesus Cristo é aquele que viria para iluminar as trevas e endireitar os caminhos tortuosos. João Batista não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Ele não era o Messias, mas veio preparar o caminho.
A palavra estava no mundo, mas o povo não quis conhecê-la, se rebelaram contra Deus e não queriam fazer a sua vontade. Por isso, João Batista pregava um batismo de conversão, advertindo as pessoas que o Reino de Deus está próximo. O Reino de Deus é justiça, paz, perdão, amor e misericórdia, tudo isso advém da Palavra de Deus e Jesus anuncia. Ele próprio é o Reino de Deus e nós somos convidados a vivê-lo no dia a dia.
A Deus ninguém jamais viu, mas o seu unigênito Ele deu a conhecer. Veio na forma de menino, no seio de uma família, cresceu, amadureceu e, a partir de seu batismo, iniciou a vida pública e saiu para anunciar o Reino de Deus.
De minha parte, ao clero e ao amado Povo de Deus da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, bem como aos meus leitores, aqueles que me acompanham pelas mídias sociais e plataformas digitais, quero desejar um Santo e abençoado Natal. Que Jesus continue renascendo em seu coração e que a ternura da manjedoura nos coloque como servidores do Reino de Deus e construtores e peregrinos de esperança cristã!
Celebremos com alegria esse santo Natal e, antes de tudo, agradeçamos a Deus por nos ter revelado o seu Filho. Que, ao celebrarmos mais uma vez o Natal, esse menino possa trazer paz à terra e todos os homens se unam num único objetivo, que é construir um mundo mais fraterno e solidário. Façamos como Maria e nos abramos à vontade de Deus.