Celebramos nesta segunda feira, dia 10 de agosto, a memória litúrgica de São Lourenço, patrono dos diáconos. Assim como temos São Luiz Gonzaga patrono dos jovens e seminaristas e São João Maria Vianney patrono dos padres, São Lourenço é patrono dos diáconos. Temos em nossa arquidiocese, em Bangu, a Paróquia de São Lourenço que todos os anos reúne os diáconos permanentes para celebrar esse dia. Neste ano antecipamos o Dia do Diácono para o sábado anterior (dia 8), para em nossa Catedral celebrarmos esse dia em unidade com o início da Semana Nacional da Família. Uma feliz oportunidade, pois a maioria dos diáconos permanentes tem sua família.
Estamos num mês especial para a Igreja que é o mês vocacional, onde em cada semana recordamos uma vocação em específico. Temos como tema, Comunidades Vocacionais, Encontro, Testemunho e Missão, que será o tema também do 5º Congresso Vocacional do Brasil no próximo mês de setembro.
Na primeira semana deste mês vocacional recordamos a vocação ao ministério ordenado, Bispos, Padres e Diáconos, na segunda semana a vocação ao matrimônio e a família iniciando com o domingo, dia dos pais; na terceira semana, na festa transferida do dia quinze pra o domingo, rezamos pela vocação a vida consagrada e na quarta semana o chamado aos vários ministérios leigos na igreja. No último domingo celebramos o dia nacional dos catequistas.
No dia 04 de agosto celebramos São João Maria Vianney, patrono dos padres e no dia 10 São Lourenço patrono dos diáconos. O diaconato é o primeiro grau do sacramento da ordem, o segundo grau é o presbiterato e o terceiro grau o episcopado. Tanto o padre como o bispo trazem consigo o carisma diaconal, ou seja, aquele que serve e anuncia Jesus Cristo.
Após o Concílio Ecumênico Vaticano II tem crescido muito o número de diáconos permanentes, e temos no diaconato dois grupos: os chamados “transitórios” e os permanentes. Os “transitórios” são aqueles que se preparam para o sacerdócio ministerial, o presbiterato, e, exercem o ministério diaconal por ao menos seis meses e depois são ordenados sacerdotes. Os permanentes são homens casados, com a autorização da esposa e filhos, ingressa na escola diaconal, vive esse tempo de formação acadêmica, pessoal, humana, pastoral e depois de aprovado é ordenado diácono e exerce o ministério na comunidade, ajudando no anúncio da Palavra e presidindo os sacramentos e principalmente colocando-se a serviço dos pobres e vulneráveis. Os diáconos permanentes não ordenam padres, ficam para sempre diáconos. Só ordenam sacerdotes em casos muito especiais, se ficarem viúvos e for da vontade de Deus e da Igreja.
Normalmente os diáconos permanentes são o braço direito do padre na comunidade, pois, auxiliam no sacramento do batismo, assistem matrimônio, visitam as famílias e assistem os pobres. O diácono é o homem da palavra e da caridade. Inclusive o diácono quando necessário preside a celebração da palavra, e ajuda o padre na administração da paróquia.
Rezemos por todos os diáconos nesse dia a eles dedicado, e que São Lourenço os proteja e os guie em seu ministério. Em muitas de nossas paróquias temos a presença do diácono permanente, e do mesmo modo que rezamos pelos sacerdotes no dia 04, rezemos pelos diáconos nesse dia. Do mesmo modo que agradecemos a presença do padre em nossa paróquia no dia 04, nesse dia 10 agradeça a presença do diácono em sua paróquia.
O dia de São Lourenço nesse ano é em uma segunda-feira, e, provavelmente as homenagens aos diáconos será feita no domingo dia 09 quando toda a comunidade está reunida. Por isso, nesse Domingo agradeça ao diácono que esta presente em sua comunidade e reze por ele. Ou se a comunidade realizar a missa na segunda-feira dia 10, se esforce por fazer presente.
Rezemos para que Deus continue suscitando homens de bom coração e bom caráter que queiram abraçar o ministério diaconal. Pode ser até mesmo o esposo, ou algum parente próximo. Com certeza é uma grande graça de Deus, como qualquer vocação Deus chama e espera a resposta daquele que foi chamado. O diácono permanente recebe o primeiro grau do sacramento da ordem e faz parte do sacerdócio ministerial de Cristo. O diácono é aquele que está a serviço da comunidade e em nome da igreja visita os doentes, assiste aos matrimônios, preside o batismo, as celebrações da Palavra e, principalmente, cuida dos pobres além de tantos outros serviços na Igreja.
A ordenação diaconal é mencionada desde o início da Igreja primitiva, conforme o livro de Atos dos Apóstolos (At 6, 1-7): Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária. Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: “Não é razoável que abandonemos a Palavra de Deus, para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra”. Esse parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
Observamos no trecho do livro dos Atos dos Apóstolos a necessidade que surgiu de que os discípulos escolhessem alguns homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo, sabedoria e fé, que se dedicassem ao anúncio da Palavra de Deus, e a servir aos mais pobres e as viúvas. A partir da eleição e escolha dos sete homens acontece o que conhecemos hoje como ordenação diaconal. O mesmo acontece nos dias de hoje, a Igreja tem necessidade de ordenar diáconos para o anúncio da Palavra de Deus e para servir aos mais pobres. O diácono é conhecido como o homem da caridade. É preciso escolher homens íntegros e de fé. Aqueles que são ordenados recebem a unção do Espírito Santo, através da oração consecratória e partir de então serão chamados a viverem segundo o Espírito Santo.
O patrono dos diáconos, São Lourenço, nasceu na Espanha na primeira metade do século II, e, segundo conta a tradição, São Lourenço era muito amigo do Papa Sisto II, que lhe conferiu a função de arquidiácono. Ele administrativa os bens e as ofertas para ajudar os pobres, órfãos e viúvas, seguindo o exemplo dos sete homens escolhidos pelos apóstolos.
No ano 258 d.C., foi publicado um decreto do imperador Valeriano, em que ordenava que todos os bispos, presbíteros e diáconos deveriam ser condenados à morte. Lourenço, alguns diáconos e o Papa Sisto II foram presos. O Pontífice foi assassinado no dia 6 de agosto. O imperador poupou a vida de Lourenço pedindo que lhe entregasse os “tesouros da Igreja”. Ele reuniu órfãos, cegos, coxos, viúvas e idosos e apresentou ao imperador dizendo: “Eis aqui os nossos tesouros, que nunca diminuem e podem ser encontrados em toda parte”.
No dia 10 de agosto aconteceu o martírio de São Lourenço, ele foi queimado em uma grelha, e, após a sua morte, o corpo de São Lourenço foi deposto em uma sepultura na via Tiburtina. No lugar de seu martírio, foi construída uma Igreja, dedicada a São Lourenço.
Celebremos a memória litúrgica de São Lourenço, nessa segunda-feira. Rezemos para que nunca faltem diáconos para bem servir o povo de Deus. E ainda, que Deus continue suscitando muitos jovens para o ministério ordenado e para vocação sacerdotal e possam servir a Deus como diáconos transitórios, e em seguida como presbíteros. Que nunca faltem os diáconos e sacerdotes na Igreja para que a Igreja continue seguindo a sua vocação de salvar a todos. Que o Espírito Santo continue suscitando homens cheios de fé e íntegros para bem servir o povo de Deus, sobretudo as viúvas, órfãos e idosos.


