Mensagem do Papa Leão para o IX dia Mundial dos Pobres

    “Tu es a minha esperança” (Sl 71,5)

     No dia 16 de novembro, a Igreja celebra o Dia Mundial dos Pobres. Mais do que uma celebração, é um dia de reflexão, em que somos convidados a voltar o nosso olhar para aqueles que mais precisam e a tomar consciência sobre a importância de partilhar aquilo que temos. Deus ama os pobres e tem preferência pelos pequeninos do Reino. Jesus, quando esteve entre nós, acolhia os pobres, fazia refeição com eles e dizia que eram os preferidos do Senhor. Aqui em nossa arquidiocese, por antiga tradição, esse dia é precedido pela Semana dos Pobres quando reflexões, ações e presença se sucedem por todo o território arquidiocesano e também pelas mídias virtuais com suas “lives”.

    Jesus não condena a riqueza, nem aqueles que, com o suor de seu trabalho, conquistaram seus bens. Mas Deus condena os que possuem bens e não partilham com aqueles que menos têm. Por isso, todos nós somos convidados a voltar o olhar para os que menos têm, partilhando aquilo que temos a mais.

    Infelizmente, tem aumentado o número de moradores em situação de rua nas grandes cidades, pessoas desempregadas e com dificuldades de levar sustento para a família. Também cresce o número de pessoas que procuram as paróquias pedindo cestas de alimento. Nesse sentido, as Pastorais Sociais, o Movimento Social e a Cáritas Arquidiocesana, com o Banco da Providência, a ação social do Cristo Redentor e outros grupos das novas comunidades e de consagrados e consagradas precisam muito de nossa ajuda e contribuição, partilhando o que temos com aqueles que pouco ou nada possuem — não somente por ocasião do Dia Mundial dos Pobres, mas ao longo de todo o ano.

    O Dia Mundial dos Pobres foi instituído pelo saudoso Papa Francisco há 9 anos. Desde que assumiu o Pontificado como Sucessor de Pedro e Vigário de Cristo, chamou a atenção do mundo inteiro para que voltasse o olhar aos pobres, demonstrando grande preocupação com a situação da fome no mundo. A intenção do Santo Padre não é apenas “comemorar” o Dia Mundial dos Pobres, mas levar todos a refletirem sobre como podem melhorar a situação da pobreza e da fome no mundo, tomando consciência sobre a importância de partilhar.

    Seguindo os princípios evangélicos ensinados por Jesus, devemos acolher a todos e ajudar os que mais precisam em suas necessidades. Jesus nos ensina a acolher e a não excluir ninguém, pois, no banquete eterno do Céu, ninguém será excluído.

    O Papa Francisco assumiu o Pontificado em 2013 e, desde então, trazia em seu coração o desejo de chamar a atenção da sociedade para a questão da pobreza. Assim, a partir de 2017, instituiu o Dia Mundial dos Pobres no 33º Domingo do Tempo Comum, ou seja, no penúltimo domingo do ano litúrgico. Portanto, este é o nono Dia Mundial dos Pobres, e o Papa Leão XIV continua o legado deixado por seu antecessor, pois a situação da pobreza e da fome no mundo, conforme dissemos, continua cada vez mais preocupante.

    A cada ano, o Santo Padre elabora uma mensagem com um tema específico para melhor vivermos essa data, como acontece nas demais celebrações. Esta é a primeira mensagem escrita pelo Papa Leão XIV, que assumiu o Pontificado neste ano. Do mesmo modo que Jesus não excluiu ninguém, nós também não devemos excluir. Ele mesmo disse que somente quem tem o coração de pobre pode herdar o Reino dos Céus. Jesus não condena a riqueza, mas condena aqueles que têm tudo e não ajudam os mais necessitados.

    O tema da mensagem escolhida pelo Papa Leão XIV para este ano é: “Tu és a minha esperança” (Sl 71,5). Como não poderia ser diferente, o tema está intimamente ligado ao Jubileu da Esperança, que a Igreja vive neste ano até o dia 28 de dezembro nas Dioceses e até o dia 6 de janeiro próximo em Roma. É claro que todos nós devemos ter esperança no Senhor, mas, em especial, os pobres — que muitas vezes se encontram perdidos e sem saída, e só encontram esperança em Deus.

    Conforme dissemos, o Senhor tem preferência pelos pobres: são os preferidos do Reino. Quando Jesus esteve entre nós, estava sempre com os pobres, pois Ele mesmo, que tinha tudo para ser rico, se fez pobre. Jesus sempre andou na contramão do pensamento dominante da sociedade de seu tempo, que excluía pobres, pecadores e doentes — e Ele incluía a todos. Ensinava-nos a partilhar o que temos com os que nada têm e condenava aqueles que eram ricos, mas pobres de espírito. Ou seja, a pessoa pode ser rica, desde que partilhe com quem tem pouco ou nada.

    Segundo o Papa Leão XIV, em sua mensagem, o pobre confia inteiramente em Deus, porque o Senhor não decepciona ninguém que reza com confiança. Em meio às provações da vida e a tudo o que enfrentamos no dia a dia, a nossa esperança é sustentada pela firme e encorajadora certeza do amor de Deus. O amor de Deus é derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo. É o Espírito Santo que nos anima e dá coragem para seguir em frente, mesmo quando desanimamos, pois Deus nunca nos decepciona.

    Diante das riquezas e dos bens deste mundo, que são passageiros, percebemos que Deus é a nossa maior riqueza, pois tudo na vida passa, mas Deus permanece. Em sua mensagem, o Santo Padre recorda as palavras de Jesus aos discípulos:

    “Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam” (Mt 6,19-20).

    No Dia Mundial dos Pobres, o Santo Padre costuma celebrar a Eucaristia na Basílica de São Pedro e, em seguida, partilhar o almoço com alguns pobres na Sala Paulo VI, em evento organizado, como nos outros anos, pelo Dicastério para o Serviço da Caridade. Ao mesmo tempo, o Dicastério para a Evangelização realiza diversas iniciativas de ajuda aos mais necessitados.

    Em todo o mundo, as paróquias e dioceses promovem ações para vivenciar o Dia Mundial dos Pobres, arrecadando alimentos e roupas para famílias carentes e pessoas em situação de rua. A Pastoral Social acolhe essas doações e as encaminha a instituições ou famílias necessitadas.

    O Papa Leão XIV conclui sua mensagem desejando que a celebração do Ano Jubilar desperte em toda a Igreja o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres. Ele lembra que a melhor forma de combater a violência e as armas é através do trabalho, da educação, da habitação e da saúde, que os governos devem promover e garantir a todos.

    O Sumo Pontífice encerra pedindo que nos confiemos à Virgem Maria, Mãe dos aflitos, e com Ela entoemos um cântico de esperança, fazendo nossas as palavras do Te Deum:

    “In Te, Domine, speravi, non confundar in aeternum” — Em Vós espero, meu Deus, não serei confundido eternamente.

    Convido a todos a lerem a mensagem do Papa Leão XIV para o nono Dia Mundial dos Pobres e, a partir dela, darmos maior atenção aos mais pobres e vulneráveis, que precisam de alguém e de Deus como sinal concreto de escuta e proximidade.

    Celebremos este Dia Mundial dos Pobres, mas, mais do que celebrar, que ele seja um dia de reflexão e de ação concreta na vida daqueles que mais precisam.

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