Encerramos o ano litúrgico com a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. As leituras deste domingo nos falam do Reino de Deus (esse Reino de que Jesus é rei). Apresentam-no como uma realidade que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história (através do amor) e que terá o seu tempo definitivo no mundo que há-de vir.
A primeira leitura(cf. Ez 34,11-12.15-17) utiliza a imagem do Bom Pastor para apresentar Deus e para definir a sua relação com os homens. A imagem sublinha, por um lado, a autoridade de Deus e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; e sublinha, por outro lado, a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo. Ezequiel, cujo o nome tem o significado de poder de Deus, junto aos deportados para a Babilônia, a partir do ano 597 a.C. Quando a ruína se abateu sobre a cidade e os exilados caíram o desânimo, o profeta Ezequiel tornou-se o mensageiro da esperança. É justamente esta vida nova, anunciada que mostra que Deus mesmo há de tomar conta do seu povo e o governará com justiça e misericórdia e seu juízo há de ser imparcial
O Evangelho(cf. Mt 25,31-46) nos apresenta, num quadro dramático, o “rei” Jesus a interpelar os seus discípulo acerca do amor que partilharam com os irmãos, sobretudo com os pobres, os débeis, os desprotegidos. A questão é esta: o egoísmo, o fechamento em si próprio, a indiferença para com o irmão que sofre, não tem lugar no Reino de Deus. Quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios ficará à margem do Reino. Estamos diante do juízo final traçado por São Mateus. Naquele dia, o Filho do Homem se assentará em seu trono glorioso, acompanhado de todos os seus anjos. Todos os povos se encontrarão reunidos diante dele e haverão de ser divididos, uns à direita e outros à esquerda. Depois, São Mateus trata do diálogo do rei com ambas as alas. O esquema é semelhante: sentença com motivação; pergunta dos réus; réplica do rei. Encerra-se, com a proclamação da sentença, com direções opostas, segundo a conduta que tiverem assumida, enquanto viverem na terra: “Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”(cf. Mt 25,46). O evangelho de hoje serve para responder à pergunta: Como poderão salvar-se os que não conhecem Jesus ou consideram verdadeira a sua própria religião? Obviamente a fé será substituída pelas obras de misericórdia, necessárias também entre os cristãos porque a fé sem obras está morta (Tg 2, 17) e São Paulo afirma que o que tem valor é a fé que atua mediante o amor (Gl 5, 6). A mensagem do Juízo Final que tem, por base, três dimensões: pessoal, eclesial e social, onde, de acordo com os ensinamentos de Jesus, as obras de misericórdia, praticadas em relação aos mais pequeninos, aqui e agora, serão decisivas no dia do Juízo Final, quando o Filho do Homem julgará cada um de acordo com suas obras.
Na segunda leitura, São Paulo(cf. 1Cor 15,20-26.28) lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do batizado é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz. Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-Se-á em tudo e atuará como Senhor de todas as coisas (vers. 28). São Paulo proclama a fundamental verdade da fé: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram”(Cf. 1Cor 15,20). O ponto central da fé católica é o mistério da Redenção: por um só homem vem a ressurreição dos mortos. O Ressuscitado tem poder de sujeitar as forças adversárias de Deus e do ser humano. O último inimigo a ser vencido é a morte.
O último juiz virá. E o julgamento dele será sobre o serviço que tiveres prestado aos seus irmãos mais pequeninos. Ele chamará e congregará todos os que lhe forem fiéis e lhes dirá: Vinde benditos de meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado deste a fundação do mundo, porque tive fome e me destes de comer. Será que tu serás um destes benditos? Se sim, parabéns! E se não o tempo é este e a hora é agora de acertares o passo e convertendo-te seguires as pegadas do Mestre.