O idadismo, também chamado de ageísmo ou etarismo, refere-se a estereótipos, preconceitos e práticas discriminatórias baseadas na idade. De acordo com a OMS, ele ocorre quando a idade é utilizada para categorizar e dividir pessoas de forma a gerar desvantagens, injustiças ou exclusão, afetando tanto indivíduos mais velhos quanto mais jovens, embora atinja com maior frequência as pessoas idosas. Esse fenômeno pode se manifestar em diferentes níveis, individual, interpessoal e institucional, e envolve dimensões cognitivas (estereótipos), emocionais (preconceitos) e comportamentais (discriminação), podendo ocorrer de forma explícita ou implícita.
As formas explícitas são aquelas conscientes e facilmente reconhecíveis, como negar oportunidades de trabalho com base na idade, usar linguagem depreciativa ou excluir pessoas idosas de espaços sociais e decisões.
Já as formas implícitas são mais sutis e muitas vezes naturalizadas, ocorrendo de maneira inconsciente, como infantilizar pessoas idosas, assumir incapacidade sem avaliação individual, falar mais alto ou mais devagar sem necessidade, ou acreditar que envelhecer significa necessariamente declínio e dependência.
O idadismo na educação pode se manifestar de forma explícita ou sutil no cotidiano escolar, influenciando práticas, discursos e relações. Muitas vezes, ele não é percebido como preconceito, pois está naturalizado em expressões, atitudes e estruturas institucionais. Reconhecer exemplos concretos é fundamental para identificar e transformar essas práticas.
Na linguagem, o idadismo aparece em expressões que associam a idade a limitações, como comentários que reforçam a ideia de que pessoas mais velhas são “desatualizadas”, “lentas” ou menos capazes de aprender. Também se manifesta na infantilização, quando adultos mais velhos são tratados com diminutivos ou com um tom inadequado, ou ainda em piadas e generalizações que reforçam estereótipos negativos. No ambiente escolar, esse tipo de linguagem pode ocorrer tanto entre estudantes quanto entre profissionais, influenciando a forma como o envelhecimento é percebido.
No currículo, o idadismo se evidencia pela ausência ou superficialidade com que o tema do envelhecimento é abordado. Muitas vezes, a velhice aparece apenas associada a doenças, dependência ou fim da vida, sem contemplar a diversidade de experiências e possibilidades dessa fase. A falta de conteúdos que discutam o envelhecimento de forma positiva e crítica contribui para a construção de visões limitadas e estereotipadas. Além disso, a pouca valorização de temas relacionados à convivência intergeracional reforça a distância entre diferentes faixas etárias.
Nas atitudes, o idadismo pode se manifestar na desvalorização de professores ou profissionais mais velhos, na resistência a suas contribuições ou na suposição de que não acompanham mudanças pedagógicas ou tecnológicas. Também pode aparecer na forma como estudantes se referem a pessoas idosas ou na ausência de iniciativas que promovam o contato e o diálogo entre gerações. Essas atitudes impactam diretamente o clima escolar e contribuem para a reprodução de preconceitos. Viver o idadismo sem os preconceitos e práticas discriminatórias.
Prof. Dr. Inácio José do Vale, PhD.
Profissional de saúde mental
Trabalha Clinicando na Comunidade de Ação Pastoral – CAP
Especialista em Psicanálise, Psicologia e Psiquiatria
Especialista em Psicologia Clínica pela Faculdade Dom Alberto-RS.
Especialista no Ensino de Filosofia e Sociologia pelo Centro Universitário Dr. Edmundo Ulson – Araras-SP.
Autor do livro Terapia Psicanalítica: Demolindo a Ansiedade, a Depressão e a Posse da Saúde Física e Psicológica

