Hoje, é Natal!

                “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura” (Lucas 2, 11-12). Segundo os textos bíblicos, é o primeiro anúncio oficial dado ao mundo do nascimento do Salvador. A Igreja, através da solene liturgia do Natal, anuncia para o mundo que “hoje nasceu o Salvador”. O fato histórico não se repete, mas o seu significado chega hoje a nós. Não são dois milênios que nos separam dos acontecimentos de Belém, mas 2021 anos que nos unem a eles.

                As palavras dirigidas aos pastores não apresentam nenhum sinal extraordinário ou maravilhoso para reconhecerem a presença do Salvador. Verão apenas um menino recém-nascido necessitado de todos os cuidados, como todos os recém-nascidos. Está deitado numa manjedoura e não num berço, por ter nascido num estábulo. O sinal de Deus é um menino carente de ajuda e pobre. Os pastores, somente com o coração, poderão ver nele o Messias anunciado pelos profetas.

                “O sinal de Deus é a simplicidade. O sinal de Deus é o Menino. O sinal de Deus é que ele faz-se pequeno por nós. Este é seu sinal e seu modo de reinar. Ele não vem com poder e grandiosidades externas. Ele vem como menino – inerme e necessitado da nossa ajuda. Não nos quer dominar com a força. Tira-nos o medo da sua grandeza. Ele pede o nosso amor: por isto faz-se menino. Nada mais quer de nós senão o nosso amor, mediante o qual aprendemos espontaneamente a entrar nos seus sentimentos, no seu pensamento e na sua vontade – aprendemos a viver com Ele e a praticar com Ele a humildade da renúncia que faz parte da essência do amor. Deus fez-se pequeno a fim de que nós pudéssemos compreendê-lo, acolhê-lo, amá-lo” (Bento XVI, Homilia de Natal 2006).

                Também é anunciado aos pastores: “Hoje (…) nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor”. Tem algum valor e significado um “Salvador” para a humanidade neste terceiro milênio? Será necessário ainda um salvador para o homem que faz viagens à lua, descobre o genoma humano, cria o mundo virtual, faz remédios, vacinas…

                A primeira impressão é que o Salvador é dispensável. Por outro lado, numa época de abundância e consumo ainda se morre de fome, de pobreza; diariamente há vítimas de ódio racial e religioso; intolerâncias; incentivo à violência e a fabricação de armas, a promoção de conflitos e guerras; manutenção de privilégios econômicos e sociais para algumas categorias. Com frequência escuta-se “ainda hoje acontece isso”. É um clamor de aflição pedindo ajuda. Um reconhecimento que falar de “Salvador” para o homem de hoje, se faz necessário.

                Temos numerosos progressos, mas no fundo o ser humano permaneceu igual. A fragilidade humana permanece, a liberdade continua dividida entre o bem e mal, entre a vida e a morte. Este mundo do ser humano, que a Bíblia designa “coração”, necessita sempre ser “salvo”. A sociedade atual ficou mais complexa e, muitas vezes, mais enganosa ameaçando a integridade pessoal e moral.

                O convite dirigido aos pastores e a humanidade atual é encaminhar-nos com o coração ao encontro do Menino que é o Cristo Senhor Salvador.

                Feliz e abençoado Natal de 2021!

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