Esperança e fé

                A liturgia dominical nos oferece os temas da esperança e da fé (Sabedoria, 18,6-9, Salmo32, Hebreus 11,1-2.8-12 e Lucas 12,35-40). Através de três parábolas contadas por Jesus, da recordação da história do Êxodo e da história dos patriarcas somos envolvidos para sermos pessoas de fé, de esperança e de operosa caridade. Afinal, estas virtudes teologais são intercambiáveis e inseparáveis. Durante o ensinamento de Jesus, Pedro pergunta: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” Jesus não lhe responde nem sim, nem não, mas claramente dá a entender o que está sendo ensinado vale para todos e para sempre.

                A Carta aos Hebreus diz que “a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem”. A fé descrita aqui não acentua no que se crê, mas o fim ao qual leva. É a força dinâmica que projeta no futuro a vida do cristão, apresentando como exemplos testemunhas de fé na história. Dá destaque particular a Abraão, o pai dos crentes. Nele, a fé se manifesta como obediência, que se traduz em abandonar as seguranças pessoais para lançar-se no desconhecido. A fé fez de Abraão um peregrino sem que alcançasse tudo o que Deus lhe havia prometido. Por outro lado, foi abençoado e enquanto caminhava vivia a “convicção acerca de realidades” que esperava.

                Esta compreensão de fé tem íntima relação com a temática do Evangelho marcado pela virtude da esperança. As parábolas contadas por Jesus tem situações obscuras, noite, hora incerta, mas espera-se a chegada do libertador ou juiz, que é o próprio Cristo. Para quem está envolvido nesta situação espera-se atenção e vigilância. Por isso, a postura de indiferença, distração ou, pior ainda, negativa e distraída são inconcebíveis. O cristão é convidado a estar em “modo de espera”, isto é na certeza e na surpresa da chegada do Senhor. As parábolas alertam para estar sempre prontos e em constante atividade.

                “A esperança não decepciona” (Rm 5,5) orienta o Ano Jubilar. Em várias parábolas Jesus alerta para a tendência natural à acomodação e à rotina como um perigo. Viver deste modo é uma falsa segurança. A Bula do Jubileu traz para o momento presente os ensinamentos de Jesus. Ela constata a existência de tantas pessoas desanimadas, acomodadas, pessimistas e sem perspectiva para o futuro. Convida para vivermos o tempo presente como “peregrinos de esperança”.

                Abraão tornou-se peregrino e não errante. Confiava que Deus o estava conduzindo para um fim e seria acompanhado de perto por Ele. Do mesmo modo, toda a vida do cristão é um caminho a ser percorrido, não num mundo imaginário, mas num mundo repleto de tribulações, incertezas e sofrimentos. Um caminhar na certeza da presença perene do Espírito Santo, como tocha que nunca se apaga, para dar apoio e vigor ao peregrino.

                A esperança exercitada é o princípio do crescimento da espiritualidade cristã. Ela nos torna vigilantes para descobrir novas possibilidades de fazer o bem, de fazer algo mais e melhor. “Ela é extremamente concreta e prática; passa o tempo colocando diante dos nosso olhos tarefas a realizar. Quando não houvesse absolutamente nada a fazer numa situação, então sim, seria a paralisia e o desespero. Mas a esperança que olha o eterno descobre que há sempre algo que se pode fazer para melhorar a situação … É o antídoto para o desânimo. Mantém vivo o desejo. É também uma grande pedagoga, no sentido de que não mostra tudo de um vez o que se deve fazer, ou o que se pode fazer, mas coloca uma possibilidade de cada vez, dá apenas o pão cotidiano. Distribui o esforço e assim torna possível chegar ao fim” (Cardeal Cantalamessa).

    A oração do salmista revela a sua fé e esperança: “Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-las quando é tempo de penúria. No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!”

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