Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do Advento. A tradição litúrgica da Igreja chama este Terceiro Domingo do Advento de Gaudete, isto é “Alegrai-vos!” No Missal Romano, a antífona de entrada exclama: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4, 4.5). Como expressão dessa alegria, pode-se usar no lugar do roxo, o cor-de-rosa, no tom conhecido como “rosa antigo”. É um roxo suavizado, que exprime a exultação pela aproximação do Santo Natal. Alegrai-vos! Alegremo-nos! O Senhor está perto! Está próximo o Natal; está próxima a Vinda do Senhor; está próximo de nós o Salvador nosso nos diversos momentos de nossa existência! Ele não é Deus de longe; é perto: seu nome será para sempre Emanuel, Deus-conosco!
Alegrai-vos! Há quem se alegre no pecado, há quem se alegre em futilidades, há quem, mesmo alegrando-se com coisas que valem a pena, esquece que toda alegria é passageira. Quanto a vós, caríssimos, alegrai-vos com tudo quanto é bom e louvável, mas colocai vossa maior e definitiva alegria no Senhor! Somente nele o coração repousa plenamente, somente nele encontra-se a paz que dura mesmo em meio à tribulação mais dura, somente nele o anseio mais profundo de nossa alma. Alegrai-vos! Mas seja o Senhor o fundamento da vossa alegria, a causa última da vossa exultação!
Na primeira leitura – Sf 3,14-18 – Sofonias é o profeta da verdadeira alegria, aquela que nasce da certeza do perdão de nossos pecados: “O Senhor revogou a sentença contra ti. O Senhor está nomeio de ti, nunca mais temerás o mal”. O profeta anuncia a libertação do “Resto de Israel”, ou seja: a libertação do pequeno resto que preservou sua fé no poder de Deus! Os ricos ficaram na Babilônia, mas os pobres experimentaram a libertação e voltaram para Jerusalém!
Na segunda leitura – Fl 4,4-7 – São Paulo recomenda aos Filipenses que vivam na alegria, “pois o Senhor está próximo!” Nada deve inquietá-los, mas que seu estilo de vida cause boa impressão aos olhos dos pagãos. Deus será sua alegria e será bem maior que suas dificuldades. Alegrai-vos, pois, o Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma”, mas nossa alegria não está na festança material e, sim, da certeza que o Salvador está em nosso meio e perdoará os nossos pecados.
No Evangelho – Lc 3,10-18 – João Batista anuncia a chegada do Messias e ensina como acolhê-lo inaugurando um novo estilo de vida baseado na partilha de bens, na obediência às leis do Bem Comum, na recusa da violência e do abuso de poder. Todos se arrependam dos pecados e aguardem o “Batismo no Espírito Santo e no fogo”. O Povo acorria para ouvir a pregação de João Batista e pedia conselho para saber como deveria preparar-se para acolher o Messias: “Que devemos fazer para adquirir a salvação?” De fato, a conversão não é tento mudança de ideias, mas é prática de boas obras de honestidade, de justiça e de solidariedade.
Caríssimos, eis a causa da nossa alegria. Nós, os cristãos, temos direito de nos alegrar, mesmo diante das tristezas do mundo; temos o dever de manter a esperança, mesmo quando as possibilidades humanas fracassam; temos a oportunidade de continuar esperando ainda quando os nossos cálculos se mostrem errados. Porque nossa esperança e certeza não se fundam em nós nem em nossas possibilidades, mas naquele que vem, naquele que o Pai do céu nos envia, naquele que nunca conseguiremos conhecer totalmente, o Santo Messias do Pai, Jesus, nosso Deus-Salvador.
A alegria do mundo procede de coisas exteriores: nasce precisamente quando o homem consegue escapar de si próprio, quando olha para fora, quando consegue desviar o olhar do seu mundo interior, que produz solidão porque é olhar para o vazio. O cristão leva a alegria dentro de si, porque encontra a Deus na sua alma em Graça. Esta é a fonte da sua alegria! Não nos é difícil imaginar a Virgem Maria, nestes dias do Advento, radiante de alegria com o Filho de Deus no seu seio. A alegria do mundo é pobre e passageira. A alegria do cristão é profunda e capaz de subsistir no meio das dificuldades. É compatível com a dor, com a doença com o fracasso e as contradições. “Eu vos darei uma alegria que ninguém vos poderá tirar” (Jo 16,22), prometeu o Senhor. Nada nem ninguém nos arrebatará essa paz gozosa, se não nos separarmos da sua fonte.
O Senhor pede que estejamos sempre alegres! Só Ele é capaz de sustentar tudo na nossa vida. Não há tristeza que Ele não possa curar: “Não temas, mas apenas crê” (Lc 8,50), diz-nos o Senhor. Fujamos da tristeza! Uma alma triste está à mercê de muitas tentações. Quantos pecados se têm cometido à sombra da tristeza! Por outro lado, quando a alma está alegre, abre-se e é estímulo para os outros; quando está triste obscurece o ambiente e faz mal aos que tem à sua volta.
Resta-nos, então, escutar com atenção o conselho do Apóstolo: estar sempre alegre em Cristo; com os olhos fixos nele; orar sem cessar, buscando realmente ser amigo íntimo do Senhor, dando graças em todas as circunstâncias, sabendo que ele está próximo de nós, nunca longe de nossas aflições e desafios. E mais: afastarmo-nos de toda maldade, procurando viver segundo Cristo e não segundo o mundo, santificando no Senhor nosso corpo, nossa alma e nosso espírito ou, em outras palavras, nossa dimensão física, nossa vida inteligente e nossa sede de Deus, nossa saudade de Infinito.
De maneira, concreta e solidária, neste domingo iremos fazer a Coleta da Solidariedade dentro da Campanha da Evangelização 2024 promovida pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Quem reparte os dons que tem é sempre alegre e solidário. Sejamos alegres, solidários, misericordiosos e generosos na coleta ajudando assim a financiar os projetos de evangelização da Igreja no Brasil. Assim nosso Advento será de verdadeira vigilância, oração e partilha para bem celebrar o Natal do Menino Jesus! Por isso, na partilha, alegrai-vos!