Celebramos neste domingo, dia 2 de novembro, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, ou simplesmente Dia de Finados. Esse é um dia para lembrarmos, com carinho, daqueles que já faleceram. Não é um dia de tristeza, mas de saudade — um momento em que recordamos o bem que aqueles que já partiram fizeram enquanto estiveram entre nós.
Muitas pessoas aproveitam o Dia de Finados para ir ao cemitério e visitar o túmulo de seus entes queridos, rezando por eles e pedindo a sua intercessão, já que estão na esternidade. Ao celebrarmos Finados, celebramos a razão da nossa fé: a certeza da ressurreição e da vida eterna. A nossa vida aqui na terra é passageira; não levaremos nada daqui. A única certeza que temos é que ressuscitaremos e que a vida não termina com a morte, mas continua na eternidade. Intercedemos pelos que se encontram no purgatório.
O Dia de Finados é feriado nacional no Brasil. Neste ano, em particular, cairá no domingo, o que nos dá a oportunidade de participar da Santa Missa, rezar por nossos entes queridos e, conforme o horário, visitar o cemitério logo em seguida — ou, se preferirmos, ir primeiro ao cemitério e participar da missa à tarde. Normalmente, os cemitérios, nesse dia, celebram missas de hora em hora, e assim temos também a oportunidade de participar da Eucaristia no próprio cemitério. Em todos os 19 cemitérios de nossa arquidiocese teremos a presença de missionários, ministros, consagrados e seminaristas para rezarem junto com os familiares.
O próprio Jesus nos garantiu que existe a vida eterna e que nos prepararia um lugar junto de Deus. Ele nos abriu o caminho e, da mesma forma que venceu a morte, nós também a venceremos. A nossa vida está nas mãos de Deus: Ele nos deu a vida e somente Ele tem o poder de tirá-la. Ninguém tem o direito de tirar a própria vida nem a vida do outro. O tempo de Deus é diferente do nosso. Nossa vida pode durar sessenta, setenta ou oitenta anos, mas devemos procurar viver retamente, para estarmos preparados para o momento do encontro com o Senhor.
O cristão não deve ter medo da morte, por mais que o tema nos assuste um pouco. Desde a catequese, aprendemos que nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e morremos. Enquanto estivermos neste mundo terreno, devemos viver amando a Deus e ao próximo, com a certeza no coração de que um dia nos encontraremos com o Senhor. Não sabemos o dia nem a hora do nosso encontro definitivo com Deus. Como dizia Jesus: “Vós não sabeis qual o dia nem a hora; nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai.” O mundo terreno termina para aqueles que morrem, mas, para eles, inicia-se a vida eterna.
O Dia de Finados, neste ano, segue-se após a celebração de Todos os Santos, pois somos convidados a viver a santidade no cotidiano. Pelo nosso batismo, somos chamados a ser sal da terra, luz do mundo e testemunhas de Jesus Cristo. Todos somos chamados a buscar uma vida santa. Como nos ensinava São Paulo, devemos procurar viver segundo o Espírito que recebemos no batismo, pois, se vivermos segundo a carne, cairemos no pecado.
No dia da missa de Finados, somos convidados a inscrever na missa comunitária os nomes dos falecidos de nossas famílias — algo que deve ser feito na Secretaria Paroquial —, pois nesse dia rezamos especialmente pelo eterno descanso de nossos entes queridos. As igrejas costumam ficar abertas durante todo o dia, para que os fiéis possam acender velas, participar das missas e rezar pelos falecidos. Neste ano, as missas dominicais acontecerão normalmente, e as paróquias permanecerão abertas para a oração e o recolhimento.
Desde os primeiros séculos, os católicos têm o costume de rezar por seus entes queridos, prestar homenagens e enfeitar os túmulos — a exemplo de Jesus, que morreu, foi sepultado, e cujo corpo foi preparado por José de Arimateia para o sepultamento. Depois, é claro, Jesus deixou o túmulo vazio e ressuscitou. Ainda hoje se celebram as missas de sétimo dia, mês e ano dos falecidos.
Desde o século XI, os Papas Silvestre II, João XVIII e Leão IX recomendavam vivamente que os cristãos dedicassem um dia para rezar por aqueles que já haviam falecido e muitas vezes não eram lembrados. Celebrar a memória de quem já partiu é, de certa forma, afirmar que a pessoa permanece conosco. Não podemos esquecer aqueles que se foram, pois todos deixaram alguma marca em nossa vida.
A partir do século XII, o Dia de Finados passou a ser celebrado pela Igreja Católica em 2 de novembro. Desde o século IV, foi acrescentada à Oração Eucarística a oração por todos os fiéis defuntos, para que, a cada missa, os cristãos possam lembrar de quem já partiu.
É difícil nos separarmos de quem amamos, e a morte é, de fato, um momento doloroso. Mas celebramos este dia com saudade, e não com tristeza, tendo a certeza de que um dia nos encontraremos no céu com aqueles que já se foram e aqui viveram uma vida de conversão. Celebremos este dia com esperança e fé, certos de que a vida não termina aqui, mas continua na eternidade, e que um dia todos nós nos reuniremos na casa do Pai. Que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz! Amém!


