Neste dia 9 de novembro, sábado, celebramos a dedicação da Basílica de Latrão, ela é a mãe de todas as Igrejas, pois a Basílica de Latrão é a Catedral do Papa. Nesse dia somos convidados a rezar pelo Papa e por sua missão para que, lá de Roma, ensine a todos os povos. Celebrar a dedicação da Basílica de Latrão é lembrar da missão do Papa como sucessor de Pedro e rezar por ele.
Celebrar a dedicação de uma Igreja é ao mesmo tempo demonstrar o quanto amamos a Igreja de Cristo e que aquele templo é dedicado ao Senhor. Na verdade, todos nós somos templos vivos do Senhor e recebemos o Espírito Santo no batismo.
É prudente, em primeiro lugar, toda Igreja importante ser dedicada e depois a cada ano celebrar o aniversário da dedicação da Igreja junto com os fiéis. Por isso, seria prudente o pároco, junto com a secretaria, procurar nos livros da Igreja e pesquisar nos documentos o dia, mês e ano que ocorreu a dedicação da igreja matriz paróquia e celebrar sempre a cada ano na data em ação de graças. Se por acaso não foi dedicada ou não achar nos livros a data preparar uma celebração da dedicação, guardar a data, e celebrá-la a cada ano junto com a comunidade, pois é uma festa para a comunidade, dedicar a paróquia do bairro. Espero que em breve nossa Cúria Metropolitana possa editar, mesmo que de maneira digital, uma relação da data das dedicações das Igrejas de nossa Arquidiocese. Isto enriquece a nossa história e caminhada de fé e ajuda na pesquisa histórica-científica de como as nossas comunidades paroquiais colabora, desde sempre, na construção de uma cidade que, diante de suas contradições, quer ser construtora da justiça e da paz!
Normalmente nas dioceses e arquidioceses celebra-se a dedicação da Catedral, e ao longo do ano litúrgico celebramos a dedicação da Basílica de Latrão, além da dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo. Por isso, é bom que as paróquias celebrem o dia da dedicação de sua Igreja Paroquial e a cada ano celebrem com os fiéis.
A criação da festa da dedicação da Basílica de Latrão aconteceu há tempos, em 1724 sob o pontificado de Bento XIII, desde então ela foi estendida a toda cristandade. O Papa Bento XIII tomou essa atitude pelo fato da Igreja ter sido várias vezes destruída e reconstruída, tendo a sua última reconstrução nessa data. Essa data representa também a nossa comunhão e unidade concreta com o Romano Pontífice, sucessor do Apóstolo Pedro. Nesse dia podemos elevar à Deus uma prece pelo pontificado do Papa e fazer memória de sua importância para todos nós. E ainda, Dia de Ação de Graças pela própria paróquia à qual frequenta e testemunhar a comunhão com o Papa.
Por volta do ano 313, quando o imperador Constantino deu plena liberdade aos cristãos, eles não mediram esforços para construir os templos, por isso muitas igrejas foram construídas nessa época. O próprio imperador doou ao Papa Melquíades a antiga propriedade da família Lateranense. Ali se construiu a Basílica, o batistério, e a “Patriarquia”, ou seja, a residência do bispo de Roma. Onde os papas habitaram até o período de Avinhão.
O Papa Silvestre I dedicou-a ao Santíssimo Salvador em 318 ou 324, somente após o século VI foram acrescentados os títulos dos santos São João Batista e São João Evangelista. Ali foi construída uma capela dedicada a São João Batista que servia de Batistério. No século IX, o Papa Sergio III confirmou a dedicação a São João Batista. Por fim, no século XII, Papa Lúcio II também dedicou a São João Evangelista. Desde então ficou denominada a Basílica Papal do Santíssimo Salvador e dos Santos João Batista e Evangelista de Latrão. A Basílica é considerada pelos cristãos como a principal, a “mãe e cabeça de todas as Igrejas da cidade e do mundo”.
O saudoso Papa Bento XVI disse certa vez na comemoração da dedicação dessa basílica: “Queridos amigos, a festa de hoje celebra um Mistério sempre atual, isto é, Deus quer edificar no mundo um templo espiritual, uma comunidade que o adore em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23-24). Mas esta celebração recorda também a importância dos edifícios materiais, nos quais as comunidades reúnem para celebrar o louvor de Deus. Cada comunidade tem, portanto, o dever de conservar com cuidado os próprios edifícios sagrados, que constituem um precioso patrimônio religioso e histórico. Invoquemos então a intercessão de Maria Santíssima, para que nos ajude a tornar-nos como ela, ‘casa de Deus’, templo vivo do seu amor”. (Angelus, 9 de novembro de 2008).
O Papa Bento XVI nessa mensagem ressalta aquilo que já falamos aqui sobre a importância de dedicar a paróquia e de celebrar o aniversário da dedicação a cada ano.
Tenhamos sempre os olhos fixos no Senhor e não desviemos o nosso foco, somos templos do Espírito Santo e chamados a trilhar aqui um caminho de santidade. Sejamos santos como Deus é santo. As pedras do templo podem ruir, mas o Senhor que está ali no sacrário permanecerá.
Celebremos com alegria a memória litúrgica da basílica de São João de Latrão e tenhamos a certeza de que somos templos vivos do Espírito Santo e temos que nos dedicar inteiramente a Ele.