Corpus Christi

    Hoje, ainda, há fome no mundo. E não se pensa apenas na fome espiritual de que tanto fala a Igreja. Certamente, há muitas pessoas desorientadas, perdidas no desamor, na violência, fechadas em si mesmas, esgotadas por dificuldades. Mas é que, além de tudo isso, em nosso mundo há ainda uma fome real, estômagos vazios que não sabem o que é tê-los cheios. Muitas de nossas paróquias continuam repartindo comida com as pessoas que não têm recursos para comprá-la. Isso não acontece apenas na África ou na Ásia. Isso acontece em países industrializados e ricos, nisso que chamamos pomposamente de democracias avançadas.
    Por isso, o pão, alimento básico em muitas culturas, é um autêntico sacramento da vida. O pão e o vinho das culturas mediterrâneas, o pão e os peixes do Evangelho. Para aqueles que têm fome, o alimento urge de maneira absoluta. Tudo mais pode esperar, mas a fome e a sede é preciso satisfazê-las logo. Em muitos países se proclamam leis para atender a muitas outras necessidades: desde o respeito aos animais até o direito das pessoas sem vez e sem voz. Está certo. Tudo isso está bem. Mas não podemos nos esquecer dessas urgências fundamentais que continuam batendo a nossa porta: a fome e o pão como alimento básico que a sacia, ou seja, sinal-sacramento da vida. Sem ele, não há esperança.
    A Eucaristia é o sacramento do pão, o sacramento da vida compartilhada. A Eucaristia é um sacramento cheio de força que nos recorda nossa elementar dependência do alimento. Sem alimento, não há vida. Sem alimento, a morte chega. Ao redor do alimento, a família humana cresce, a relação é estabelecida. Compartilhar o pão significou sempre compartilhar a vida, a amizade, o carinho. Convidar alguém para nossa mesa significa convidá-lo para beber algo e dar-lhe de comer.
    Hoje e a cada dia é Jesus quem nos convida a comer com Ele e com os irmãos. Não podemos esquecer nenhum aspecto, ou seja, somos convidados a comer com Jesus e com os irmãos, pois uma coisa não existe sem a outra. Ao comermos com Jesus, reconhecemos a nossa necessidade básica de pão. Ao comermos com Jesus, fazemos parte de sua família e a nossa fraternidade é reafirmada. Ao comermos com Jesus, a sua palavra nos chega, junto com o pão, no fundo do nosso coração. Ao comermos com Ele, podemos sonhar que o nosso mundo dividido e machucado reconcilia-se e que a humanidade é uma única família. Ao comermos com Ele, o nosso sonho torna-se um pouco mais real. E ganhamos força para continuar comprometidos a servir ao Evangelho, para continuar amando, curando, ajudando e compartilhando. E, sobretudo, dando de comer aos famintos.
    Jesus oferece-se como pão da vida para aprendermos o amor, a solidariedade, a paz. Venite adoremus!

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