Nesta última etapa do “caminho do advento”, a liturgia desvela um pouco mais a identidade do menino que vem de Deus e que os homens esperam ansiosamente. Ele entra no mundo pela porta da humildade e da simplicidade; mas é “o Senhor” da história, o rei-Pastor que há de guiar-nos aos campos eternos onde há Vida em abundância.
Na primeira leitura – Mq 5,1-4 – o profeta Miqueias deixa aos habitantes de Judá um convite à esperança. Promete a esse povo humilhado, angustiado, com futuro incerto, que Deus lhe vai enviar um rei novo, humilde e bom, que inaugurará uma era de prosperidade, de justiça e de harmonia. Como pastor de Judá, ele deixar-se-á guiar pelas indicações de Deus; e será, para todos os que o esperam, “a paz”. A profecia menciona Belém, a insignificante cidade de Davi, e não Jerusalém, o grande centro da época. Da dinastia davídica brotará o verdadeiro rei de Israel, o Príncipe da paz.
No Evangelho – Lc 1,39-45 – duas mulheres, grávidas de esperança, convidam-nos a centrar a nossa atenção no menino que está para chegar e a acolhê-lo convenientemente: com o mesmo amor, com a mesma alegria, com a mesma gratidão, com o mesmo espanto que elas sentiram diante da visita de Jesus. Jesus é – dizem-nos elas – o centro da história da salvação, a realização plena das promessas de Deus, o “Senhor” da história que vestiu a nossa humanidade para nos trazer a paz. Quando Maria entra na casa, a família toda – também a criança no ventre – se alegra e é inundada pelo Espírito Santo. É a alegria do encontro de famílias que se amam e se solidarizam. Isabel bendiz Maria por ter acreditado nas palavras do Anjo. Assim se conclui o tempo das promessas e tem início nova aliança de salvação para a humanidade.
Jesus é o cumprimento pleno e perfeito das promessas vetotestamentárias, de todo o antigo Israel. Desse modo, Isabel e João Batista, que representam o tempo da promessa e da espera, tornam-se testemunhas da presença e da ação de Deus no meio do seu povo; Maria e Jesus são sinais do tempo da realização, da Nova Aliança. Por isso, o Batista pula de alegria no ventre de sua mãe, e toda a casa fica repleta do Espírito Santo. Maria recebe de Isabel a primeira bem-aventurança evangélica, pois acreditou e esperou em seu Senhor!
Na segunda leitura – Hb 10,5-10 –, um “mestre” cristão do séc. I oferece-nos a chave de leitura para entendermos a vida de Jesus: desde que Ele “entrou” no mundo, dispôs-se a pôr a sua vida ao serviço do plano de Deus, numa obediência total e numa entrega absoluta à vontade do Pai. É assim que são chamados a viver todos aqueles que se dispõem a acolher Jesus e a segui-l’O. Jesus não veio para oferecer sacrifícios segundo a Lei, mas para realizar, de modo perfeito, o melhor sacrifício de todos: cumprir a vontade de Deus.
Bendigamos a Deus o Sim de Maria, a Mãe de Jesus. Com Isabel, proclamamos Maria bendita entre todas as mulheres e Jesus o bendito fruto do seu ventre! Contemplemos, na visitação de Maria a Isabel, a solidariedade entre as mães que reconhecem o agir do Espírito Santo. O encontro dessas duas mulheres é sinal dos cristãos que se encontram, saindo de si para se solidarizar. Devemos ir ao encontro do outro como Maria fez e como fazem muitas mulheres na Igreja. As mulheres corajosas que existem na Igreja são como Nossa Senhora. Essas mulheres, que levam adiante a família, a educação dos filhos, a evangelização e enfrentam tantas adversidades. Que possamos ser servidores da alegria, como Maria Santíssima!
+ Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá, PR