Cidade futura

    Bem-aventuradas e felizes são as comunidades dos seguidores de Jesus de Nazaré, pelo espírito aberto e por aceitarem a proposta salvífica de Deus Pai, no feliz anúncio, naquela visão beatífica, que é a eterna felicidade. À semelhança de Deus fomos originados e colocados no mundo, permeando nosso coração com aquele desejo mais elevado: o de buscar a perfeição, a santidade. Sem meia-volta, é Deus que quer nos convencer de nossa missão, que é a da nossa periferia existencial, ou ambiental, como se fosse um bonito jardim, com o desafio de cuidar, excluindo aquela lógica ou espírito da serpente, afastando-nos do mal, do egoísmo e do orgulho, numa sociedade consumista e conflitiva, longínqua da não violência da justiça divina, com marcas visíveis da vida desigual e desleal, mesmo no seio da Igreja. Que sejamos convencidos, pela graça de Deus, de que a vida exige coragem de nos levantarmos de vez, e não de nos depararmos com o fracasso.

    Não me canso de repetir o que alhures já disse: É maravilhoso aprender com Santo Agostinho, na beleza de sua obra “A Cidade de Deus”, colocando-nos diante da vida humana como um mistério de amor, segundo o projeto divino, quando “dois amores estabeleceram duas cidades, a saber: o amor-próprio, levado ao desprezo a Deus: a terrena; e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio: a celestial”. Mesmo sendo enormes a saudade e a dor pela partida de nossos entes queridos, que nossa humilde e confiante oração seja a de jamais perdermos de vista a esperança, na certeza da promessa da imortalidade, antevendo conforto e consolo incontestáveis, segundo as letras sagradas: “Não temos aqui na terra cidade permanente, mas estamos à procura da cidade que há de vir” (cf. Hb 13, 14).

    É indispensável, nesse contexto, pensar na caridade fraterna e no amor, para o qual somos destinados, que é o de amar como Deus amou, amando-o em primeiro lugar e reservando-lhe momentos de oração e intimidade, com louvor, súplica e agradecimento pelo dom maravilhoso da vida. É a palavra de Deus, plena e fecunda de graças, que nos convida ao amor franco e genuíno, com todas as nossas forças, sendo nós conscientes de que fomos criados para a eternidade, e que na acesa chama da esperança nada de desânimo nem de decepção. Só nos resta convencermo-nos da realidade da morte como nossa amiga, irmã e companheira inseparável, na esperança de contemplar Deus face a face no céu e saborear sua afável e terna misericórdia, e na certeza de que nossa prece suba aos céus pelos nossos irmãos falecidos. Assim seja!

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