A Igreja no Brasil encerra a sua jornada de oração pelas vocações voltando o coração para aqueles que são os guardiões e transmissores da fé: os catequistas. No costume pastoral brasileiro, quando agosto nos presenteia com este quinto domingo, o olhar sobre a catequese se alarga, convidando-nos a contemplar a profundidade teológica, histórica e eclesial dessa vocação insubstituível.
A vocação do catequista não é uma mera função funcionalista ou administrativa; trata-se de uma verdadeira participação no próprio múnus profético de Cristo (Munus Docendi), ressaltado pela Lumen Gentium (n. 35). Desde a aurora do cristianismo, o Kerygma (o primeiro anúncio) e a Didaché (o ensino sistemático) constituíram os pilares da expansão do Reino.
A patrística nos ensina que a catequese é o próprio ato de “fazer ecoar” (katechein) a Palavra de Deus no coração do ser humano. Grandes teólogos dedicaram sua vida a essa missão mistagógica: São Cirilo de Jerusalém, com suas Catequeses Mistagógicas; Santo Agostinho, ao escrever De Catechizandis Rudibus (A Catequese dos Iniciantes), ensinando que a fonte de toda a catequese deve ser o amor de Deus manifestado na história da salvação; e São João Crisóstomo, cujas homilias catequéticas formavam o caráter cristão na antiga Antioquia e Constantinopla.
Ao longo dos séculos, o papel do catequista revelou sua força transformadora sobretudo nas situações de vulnerabilidade, perseguição e guerra. Nas catacumbas do Império Romano, sob os regimes totalitários do século XX na Europa Oriental, ou durante as perseguições em países da Ásia e África, foram os catequistas leigos que — frequentemente privados da presença física dos sacerdotes — mantiveram acesa a chama da fé, batizando, ensinando o Evangelho na clandestinidade e pagando, muitas vezes, com a própria vida.
O Magistério recente da Igreja, de forma especial através do Motu Proprio Antiquum Ministerium (2021) e do Diretório para a Catequese (2020), reconhece a catequese como um Ministério Laical Instituído, sublinhando sua dignidade e responsabilidade no tecido eclesial. O catequista contemporâneo é chamado a ser não apenas um instrutor, mas uma testemunha, um acompanhante no processo da Iniciação à Vida Cristã (IVC). Pastoralmente, o catequista pode desenvolver seu ofício por três vias básicas que também podem vincular-se uma após outra: a querigmática, a do acompanhamento e a comunitária.
Pela dimensão querigmática, o catequista procura transmitir a mensagem da fé investindo os esforços no exercício pessoal rumo a uma experiência profunda e transformadora com a pessoa de Jesus Cristo, antes de qualquer dogma, doutrina ou ensinamento mais robusto, categórico ou mesmo catedrático. Pelo acompanhamento, aposta-se no exercício da escuta empática e da misericórdia frente às feridas existenciais. Pela via comunitária, está a inserção do catecúmeno na vida litúrgica, orante e fraterna da comunidade local, é quando o fiel já começa a sentir-se definitivamente parte do corpo místico de Cristo, sua Igreja, momento fundamental tanto para o fiel como para a comunidade que o recebe.
Na Igreja primitiva, inclusive, o catecumenato não era apenas um percurso de instrução doutrinária, mas um rigoroso e apaixonante itinerário de conversão e discernimento que podia durar de dois a três anos. Em meio a um clima de constantes perseguições pelo Império Romano, esse longo tempo de maturação na fé cumpria uma dupla função vital: por um lado, permitia que a Palavra de Deus transformasse radicalmente os costumes e a vida moral do candidato antes de sua imersão nas águas batismais; por outro, servia como uma prudente salvaguarda para a própria comunidade eclesial. Através do testemunho dos padrinhos e de um criterioso acompanhamento dos bispos e catequistas, examinava-se a retidão de intenção do catecúmeno para proteger o rebanho contra impostores e espiões que buscavam infiltrar-se nas assembleias cristãs para posteriormente denunciá-las às autoridades imperiais.
Na era da informação, a catequese encontra um novo e vasto campo de missão: o continente digital. Hoje, homens e mulheres dedicam-se a criar canais de mídia, programas, podcasts e cursos de formação católica online, expandindo as fronteiras da evangelização para além das paredes dos templos. Esse novo ecossistema pastoral exige dos catequistas digitais uma fidelidade ainda mais rigorosa.
Frente à pulverização de conteúdos e ao risco de individualismos teológicos, a atividade catequética no ambiente virtual é provocada a manter-se ancorada no Magistério, garantindo que o ensino esteja em total harmonia com o Catecismo da Igreja Católica e os ensinamentos dos bispos em comunhão com o Papa; é provocada ainda a promover a unidade eclesial, evitando polarizações e ideologias. Por sobre tudo isto, os catequistas dos meios digitais são chamados a atuarem como pontes para a vida comunitária, compreendendo que a formação digital não substitui a experiência dos sacramentos, da liturgia e do abraço fraterno na comunidade paroquial, mas deve sempre conduzir a ela.
Quero agradecer a todos os catequistas de nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro pelo seu vivo testemunho de transmissores da fé católica. O seu labor é fundamental no múnus de ensinar do Arcebispo e dos seus colaboradores, os párocos. Recebam a minha bênção especial neste dia e a minha gratidão!
Àqueles e àquelas que sentem em seu interior o sobressalto da vocação catequética: não tenham medo! Responder a esse chamado é aceitar o convite para ser cooperador da Verdade e construtor de uma sociedade mais justa e iluminada pela esperança cristã. Seja nas salas de catequese de nossas comunidades rurais ou urbanas, no acompanhamento dos adultos e jovens, na atuação com as populações vulneráveis ou diante das câmeras e redes virtuais, o Espírito Santo continua a necessitar das suas vozes, das suas mãos e dos seus corações. Que a força da Tradição e o sopro da novidade do Espírito sustentem cada catequista a manter-se firme, jubiloso e perseverante nesta nobre missão!


