Alimento da vida

    Em Cafarnaum Jesus, pedagogicamente, conduz um diálogo com seus interlocutores para lhes deixar preciosas lições (Jo 6,24-35). Diante de seus milagres os contemporâneos do Mestre Divino reagiam diferentemente. Uns, sem contestar as curas operadas por Ele, não chegavam a fazer um ato de fé em sua pessoa como ocorreu com Caifás. Outros apenas ficavam maravilhados. Viam nos milagres do Nazareno somente prodígios deslumbrantes, admitiam que Deus concedera a Jesus poderes extraordinários, mas contemplavam nele um mero Profeta. Foi este o caso daqueles que procuravam Cristo após a multiplicação dos pães. Claras as palavras de Jesus: “Vós me procurais não por haverdes visto milagres, mas porque comestes dos pães e vos saciastes”. Eles não penetravam fundo na teologia dos sinais que Ele operava, ainda que houvesse aqueles que reconheciam uma relação especial dele com o Pai que o enviara, tanto mais que Ele já havia dito anteriormente: ”O Pai e eu somos um” (Jo 10, 30). O que Jesus almejava era a interpretação profunda de sua missão: “Esta é a obra que Deus quer: que creiais naquele que ele enviou”. De fato, se a fé em Jesus está enraizada no coração de um homem ou de uma mulher suas obras manifestarão ao mundo que Ele é verdadeiramente o Salvador, o Messias prometido. Crer é obra de Deus porque o fruto real que Deus espera de cada um é a submissão total a Ele, acatando tudo que o seu Filho veio anunciar nesta terra. O cristão deve se identificar com a pessoa de Jesus e a seu mistério. Foi o que aconteceu com São Paulo: “O meu viver é Cristo” (Fl 1,21), Ele não pode ser apenas um ideal dado aos homens, não só o Galileu cujas parábolas nos encantam. Ele é, sobretudo, Aquele que o Pai enviou e que pode dar “o alimento que permanece para a vida eterna”. Ele, o único que pode fazer seu seguidor chegar à outra margem da vida onde Ele o espera para lhe outorgar uma felicidade perene. Ele é o Filho bem Amado do Pai e com o Espírito Santo é o Mestre da vida. Por vezes, a dúvida se enraiza em muitos corações que se tornam lentos em fazer um ato de confiança absoluta no Redentor, desejando, como os ouvintes que foram a Cafarnaum, sinais ainda mais estupendos, não obstante tantos fatos admiráveis em seu derredor. A todos Jesus está sempre repetindo: ”Eu sou o Pão da vida”. Aquele que vai até Ele não terá mais fome, não terá mais sede. Ele, este Pão que alimenta e leva à felicidade, nutre a fé e a esperança, porque Ele´é a revelação do Pai e sacia a sede ao ser humano de amar e ser amado. Tudo isto é para que a caminhada para o Pai se torne possível, mas muitos querem já na terra a beatitude eterna. O estilo do ser racional é tantas vezes imediatista e deseja algo que se dará apenas lá na Casa do Pai e não sabe captar os prodígios que o Todo-Podeoroso a cada instante realiza em seu derredor. Nesta terra o cristão tem que aderir aos critérios divinos e não impor a Deus o seu modo de pensar. O discípulo de Jesus não precisa Lhe pedir como outrora seus ouvintes: “Dá-nos sempre deste pão”, porque todas as vezes que se aproximar da Eucaristia verá coisas sublimes dentro de si mesmo. Este Pão do Céu está sempre oferecido a quem tem fé. Ele convida a cada um a ir até Ele, crer nele, sintonizar sua vida com Ele, escutá-lO, seguir suas inspirações. Bento XVI chamou a atenção sobre o ato de adoração eucarística como um elemento de vital importância na vida dos católicos. O culto público, como a participação na Missa dominical ou a própria recepção da Comunhão, deve estar ligado a um ato de latria. Este precisa ser a manifestação viva de uma fé madura. Jesus eucarístico é, de fato, o Filho de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Pão vivo. Na Eucaristia a Igreja se junta a Jesus para adorar o Deus da vida, mas esta adoração comporta sua presença e uma contemplação via reflexão da Liturgia da Palavra e da Liturgia eucarística. Pela adoração o fiel está aderido a Jesus cujo sacrifício deve estar sempre presente em cada um. O sacrifício ou o culto espiritual do Salvador na Cruz foi o ato supremo de adoração e a Missa é a renovação incruenta do sacrifício do Gólgota. Eis aí o que se dá em cada Missa, ou seja, Jesus está a exigir de seus seguidores a reverência totalizada. A participação no culto eucarístico oferece ou deve oferecer a orientação segura para a vida do cristão. Assim cada comunidade vai se tornando uma sociedade de amor, percebendo as maravilhas operadas por Deus a cada instante.

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