Surpreenda-se com a simplicidade e a leveza da “décima virtude do cristão” – e pratique-a todos os dias!
A palavra “eutrapelia” vem do grego, como boa parte dos vocábulos “esquisitos” da nossa língua, e o seu significado não tem nada de difícil, nem de entender, nem de praticar: ela quer dizer “alegria, brincadeira, bom humor”, de acordo com um interessante texto publicado pelo autor italiano Paolo Gulisano.
A eutrapelia é uma virtude que consiste em fazer as pessoas rirem – mas de modo bem diferente do escárnio, que consiste em zombar e ferir o próximo. É por isso que o riso evocado pela eutrapelia é virtuoso: é o riso da alegria, não da burla; não é a sátira maldosa e corrosiva, nem a gargalhada debochada, mas sim o bom sorriso.

A eutrapelia tem relação, portanto, com a modéstia: ela nos modera na arrogância e nos ajuda a não dar excessiva importância àquilo que não tem essa importância. Aliás, um “grande eutrapélico” mencionado por Paolo Gulisano em seu texto é Chesterton, que dizia que a razão pela qual os anjos voam é o fato de levarem as coisas com leveza.
Essa virtude foi incentivada por filósofos do talante de um Aristóteles, por escritores do cacife de um Dante Alighieri e por santos da envergadura de um Tomás de Aquino, de um Felipe Néri, de um Francisco de Sales e de um João Bosco.