A Fundação “Ajuda à Igreja que Sofre” de olhos postos no Quênia

A Ajuda à Igreja que Sofre tem na agenda programas humanitários e educativos para quem vive sob constante ameaça no Quênia.

Em 2012 lançou a “Rádio Akicha”, emissora que transmite a partir da diocese queniana de Lodwar e que tem como público alvo os “Turkana”, povo queniano de fé cristã. A programação prevê temas ligados à educação, à pastoral, mas também notícias e música. “Mesmo os muçulmanos ouvem com interesse essas emissões” – refere o P. Avelino Bassols, da comunidade missionária local de São Paulo Apóstolo – ao ponto de alguns deles terem comprado a Bíblia para aprofundar os textos sagrados ouvidos na Rádio.

Educação, comunicação, diálogo, são as palavras-chave sobre as quais Ajuda à Igreja que Sofre está trabalhando no Quênia e na Somália, com o objetivo de enfrentar os conflitos que dividem estes dois países fronteiriços. O papel de “Rádio Akicha” é fundamental neste processo: “é um meio de comunicação que desempenha várias tarefas – afirmou Dom Dominic Kimengich, Bispo de Lodwar: desde a luta contra a difusão do HIV-SIDA ao apoio à pastoral para os fiéis. Podemos assim contribuir para a formação e a educação dos jovens”; um exemplo de dialogo e de educação que, se espera, possa constituir a base para que atentados como o que aconteceu na Universidade de Garissa não voltem a acontecer, como aliás, afirmou o Papa Francisco na Via Sacra da Sexta-feira Santa.

O Quênia é um país de maioria cristã: 84,4%. Os muçulmanos são 9,7%. O país tem passado nos últimos anos por terríveis incursões terroristas de al Shabbab, uma das quais o ataque ao centro comercial Westgate, em Nairobi, em que perderam a vida 68 pessoas, algumas das quais assassinadas apenas porque não sabiam recitar de coro versos do Alcorão ou porque não sabiam o nome da mãe do profeta Maomé.

Na Somália 99,8% da população (10 milhões e 195 mil pessoas) é de religião muçulmana. A liberdade religiosa é praticamente inexistente para a pequena minoria cristã, perseguida pelos extremistas. Nos territórios controlados por al Shabaab, não está em vigor nenhuma Constituição formal. O que se aplica é a versão radical da Sharia, lei islâmica que não deixa espaço a outras religiões. Quem é suspeito de ter abandonado o islã para abraçar o cristianismo é detido por longo tempo sem nenhuma garantia jurídica ou então é justiçado sem processo. O apedrejamento é a punição para casos de adultério, e em caso de furto, a punição é o corte das mãos. Nos territórios sob a hegemonia de al Shabaab, santuários e cemitérios antigos foram destruídos, assim como salas de cinema, lugares de restauração e de convívios. A versão radical da Sharia não permite aos habitantes vestir-se à maneira do mundo ocidental, de ver jogos de futebol, de cantar ou dançar em matrimônios e, sobretudo, de organizar eventos desportivos. Um obscurantismo que condiciona muito a vida das pessoas no Corno da África.

 

Fonte: AIS – Ajuda a Igreja que Sofre