Meus irmãos e minhas irmãs, a paz de Cristo!
Hoje eu quero conversar com vocês sobre um assunto que mexe com todo mundo, porque mexe no bolso: a esmola. A gente fala de jejum e todo mundo aceita. A gente fala de oração e todo mundo acha bonito. Mas quando a gente fala de dar dinheiro, de partilhar bens, aí a conversa fica difícil, não é verdade? O apegou aos bens materiais é uma raiz muito forte dentro de nós.
Mas a Quaresma não estaria completa sem a esmola. O Evangelho fala de três coisas: oração, jejum e esmola. Não dá para escolher só duas. É um pacote completo. Se você reza muito e jejua muito, mas fecha a mão para o irmão que precisa, a sua religião está manca.
Eu gosto muito do que o nosso Papa, Leão XIV, disse outro dia. Ele falou assim: “A esmola não é dar o que sobra. A esmola é dar o que faz falta”. Pensem nisso. Às vezes a gente faz aquela faxina no guarda-roupa e tira só a roupa velha, furada, manchada que não serve mais, e dá para o pobre. Isso é bom? É. Mas isso não é caridade perfeita. Isso é descarte. Deus quer que a gente dê a roupa boa, aquela que a gente gosta. Deus quer que a gente partilhe o pão da nossa mesa, e não só as migalhas que caíram no chão.
Tem gente que diz: “Ah, Dom Anuar, eu não dou dinheiro na rua porque eles vão usar para beber pinga ou usar droga”. Eu escuto isso todo dia. Vou ser muito sincero com vocês. O que a pessoa vai fazer com o dinheiro é problema dela e de Deus. O meu problema é o meu coração duro. Se eu uso essa desculpa para nunca ajudar ninguém, o errado sou eu. Claro que a gente tem que ter prudência. Mas não podemos usar a prudência como máscara para o nosso egoísmo.
Se você tem medo de dar dinheiro na rua, então compre um lanche. Pague um prato de comida. Compre um cobertor. Ajude as entidades sérias da Igreja que cuidam dos pobres. O importante é não fechar a mão e não virar o rosto. O pior pecado contra o pobre não é negar a moeda, é negar o olhar. É fingir que ele não existe. É tratar gente como lixo.
O Papa Leão XIV nos pede para olharmos “olho no olho”. Quando você der uma ajuda, pergunte o nome da pessoa. Dê um bom dia. Aperte a mão. Devolva a dignidade. Às vezes, aquele irmão precisa mais de um sorriso e de uma palavra de carinho do que do dinheiro em si. A solidariedade cura a solidão.
A esmola também é um santo remédio para a ganância. O dinheiro quer virar o nosso deus. O dinheiro quer mandar na nossa vida. Quando a gente pega o dinheiro, que a gente suou para ganhar, e dá de graça para alguém, a gente quebra o orgulho do dinheiro. A gente diz: “Você não é meu dono. Deus é meu dono”. Isso liberta a alma! A gente dorme mais leve.
Eu quero propor um desafio para vocês nesta Quaresma. Façam a “Caixinha da Solidariedade” em casa. Coloquem lá o fruto do jejum de vocês. Se você deixou de comer pizza no sábado, coloque o valor da pizza na caixa. Se você deixou de comprar uma blusa nova, coloque o valor na caixa. No final da Quaresma, pegue esse dinheiro e faça uma obra de caridade concreta. Compre uma cesta básica para uma família vizinha que está desempregada. Leve fraldas para um asilo. Entregue na sua paróquia para a Campanha da Fraternidade.
Não tenham medo de ser generosos. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. A Bíblia diz que “quem dá ao pobre, empresta a Deus”. E Deus paga com juros altíssimos de bênçãos e graças! A viúva pobre do Evangelho deu duas moedinhas, mas deu tudo o que tinha. Jesus viu e abençoou. Ele vê o seu esforço também.
Lembrem-se: o caixão não tem gaveta. A gente não leva nada desse mundo, nem um centavo. A única riqueza que a gente leva para o céu é o amor que a gente deu. Os pobres são o nosso passaporte para o paraíso.
Vamos abrir as mãos e o coração. Vamos fazer desta Quaresma um tempo de partilha verdadeira.
Deus abençoe o bolso e o coração de cada um de vocês!




