22º Domingo do Tempo Comum

    “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24)

     Celebramos neste domingo o vigésimo segundo deste Tempo Comum, encerrando neste domingo o mês de agosto, um mês especial para a Igreja, pois, em cada domingo recordamos uma vocação em específico. No primeiro domingo recordamos a vocação ao ministério ordenado e o dia do padre, no segundo domingo a vocação ao matrimônio, vida familiar e o Dia dos Pais, no terceiro domingo recordamos a vocação a vida religiosa e consagrada, no quarto domingo a vocação aos diversos ministérios e serviços que podemos exercer na comunidade e neste domingo recordamos o Dia Nacional dos Catequistas.

    Os catequistas são o braço direito do padre na comunidade, ensinam em nome do padre e da Igreja os catequisandos. O primeiro catequista da comunidade é o pároco, mas devido aos serviços pastorais e as demandas que ele possui não é possível estar nas turmas de catequese, então delega leigos para que façam esse serviço.

    Para ser catequista primeiramente é preciso ser chamado por Deus, como qualquer outra vocação, discernir e responder a esse chamado por meio da oração, em seguida conversar com o padre, e ele irá delegar para primeiramente para auxiliar uma outra catequista para depois assumir uma turma.

    Além disso, desde 2021 para ser catequista é necessário se preparar-se através da Escola Catequética e ao final do período recebe o ministério de catequista. É necessário antes de tudo uma vivência pastoral, frequência as missas dominicais, uma vida de acordo com aquilo que a nossa fé pede, então o padre encaminhará para a Escola Catequética, com a assinatura dele e do Bispo Diocesano.

    O saudoso Papa Francisco instituiu e aperfeiçoou o ministério de catequista através do documento Antiquum Ministerium. Ele tomou essa atitude devido a seriedade que é esse chamado, pois, conforme dissemos o catequista ensina em nome do padre e da Igreja, não pode ensinar aquilo que ele pensa, mas sim, o que pensa a Igreja.

    Quero desejar felicidades a todos os catequistas e perseverança em seu ministério, ainda quero dizer que o ministério de catequista é muito importante, pois por meio dos catequistas chegam novos cristãos católicos para a Igreja. O catequista é desde o batismo até a catequese de adultos. A equipe da pastoral do batismo é formada por catequistas, do mesmo modo que os demais. Portanto, sintam-se todos abraçados nesse domingo e que Deus os abençoe.

    No Evangelho deste domingo Jesus diz aos discípulos tudo aquilo que vai acontecer com Ele, que será entregue nas mãos das autoridades judaicas e que sofreria muito e seria morto, mas que no terceiro dia ressuscitaria. Pedro, inocentemente intervém e diz que “Deus não permita tal coisa”, e Jesus pede para que Pedro se afastasse, pois ele não pensava como Deus e sim como os homens. Pedro ainda não compreendia que era necessário que Jesus passasse pela Cruz para chegar à glória e selar de uma vez por todas a aliança de Deus com a humanidade.

    A primeira leitura da missa deste Domingo é do livro do profeta Jeremias (Jr 20,7-9), o profeta usa uma bela expressão para dizer que o Senhor o seduziu e ele deixou-se seduzir pelo Senhor. Na verdade, o profeta deixou-se atrair pela Palavra de Deus, e esse é mesmo sentimento que nós devemos ter todas as vezes que meditarmos a Palavra de Deus ou todas as vezes que formos a Santa Missa e ouvirmos a Palavra de Deus e a homilia do sacerdote.

    A partir da meditação da Palavra de Deus nos tornamos mais fortes e podemos “enfrentar” todos os inimigos, e ao mesmo modo que todos os profetas poderemos anunciar a justiça contida na Palavra e denunciar as injustiças. Não podemos desistir de anunciar a justiça e a verdade, quem anda sempre no caminho do bem, Deus estará sempre junto.

    O salmo responsorial é o 62(63), que diz em seu refrão: “A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus”! Nós devemos estar sempre sedentos da Palavra de Deus, todos os dias meditar um trecho da Bíblia, para que aquela Palavra ilumine todo o nosso dia. A meditação da Palavra de Deus acalma a alma e alegra o coração, nos ajuda a tomarmos as decisões acertadas ao longo dia.

    A segunda leitura da missa desse Domingo é da carta de São Paulo aos Romanos (Rm 12, 1-2), Paulo alerta a comunidade a seguir sempre aquilo que é certo e que agrada a Deus, o cristão católico é aquele que tem um comportamento diferente das outras pessoas, ou seja, pratica a justiça, a verdade, o amor, a paciência e a retidão. Essas coisas agradam a Deus e a partir de nossas atitudes podemos transformar a sociedade. Sejamos corajosos e não tenhamos medo de anunciar a verdade e o amor.

    O Evangelho de hoje é de Mateus (Mt 16, 21 -27). Este trecho do Evangelho é após o episódio da Transfiguração. Jesus começa a dizer para os discípulos o que deveria acontecer com Ele, eles já estavam próximos de Jerusalém. A vida pública de Jesus é de fato caminhar até entrar em Jerusalém, quando o povo o aclama como Rei e posteriormente sofrer a paixão, morte e ressurreição.

    Jesus sabia o que lhe aguardava, essa era a missão que recebeu do Pai e via o que as autoridades judaicas armavam contra Ele, e ainda, era necessário Jesus morrer na Cruz, para selar definitivamente a aliança de Deus com a humanidade e mostrar que a morte não tem a última palavra e do mesmo modo que Ele ressuscitou todos nós ressuscitaremos.

    Pedro chama Jesus a parte e diz: “Deus não permita tal coisa Senhor”, Pedro ainda não havia compreendido que era necessário que Jesus morresse na Cruz para nos salvar e pensando “humanamente” ele não queria que Jesus sofresse, do mesmo modo, que cada um de nós não quer que um ente querido ou alguém próximo sofra. A exemplo do episódio da Transfiguração que Pedro disse a Jesus: “Senhor é bom estarmos aqui”, ou seja, Pedro já queria estar na glória, sem antes passar pelos sofrimentos dessa vida.

    Por isso, tanto Pedro, como nós, temos que pensar como Deus e ver que é necessário passar pelos sofrimentos dessa vida para poder entrar na glória e que era necessário que Jesus morresse na Cruz para nos salvar.

    Jesus conclui dizendo que quem quiser segui-lo deve renunciar a si mesmo, tomar a sua Cruz de cada dia e segui-lo. Ou seja, é necessário estar com Jesus nos momentos “maus” e nos “bons”, não podemos estar com Jesus somente quando está tudo bem. É preciso vencer as adversidades aqui da terra para poder adentrar na vida eterna.

    Celebremos com alegria esse vigésimo segundo Domingo do Tempo Comum e peçamos ao Espírito Santo que nos oriente e nos ilumine para que possamos pensar como Deus e não como os homens e compreender a nossa missão aqui na terra, que é necessário passar pelos sofrimentos terrenos para chegar à glória eterna.

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