Celebramos neste dia 27 de junho a memória litúrgica de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Este é mais um título atribuído à Mãe de Jesus, como tantos outros que temos. Dependendo do local e da circunstância em que ela aparece, recebe um título.
Perpétuo Socorro, mais do que um título atribuído por conta de alguma aparição ou circunstância, é uma invocação que fazemos à Mãe de Jesus, sobretudo nos momentos de aflição. Para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro temos o ícone, ou seja, uma pintura que é carregada de significados sagrados e nos motiva à oração quando contemplamos a pintura. O ícone não é simplesmente um quadro ou uma obra de arte a ser admirada, mas, ao contemplá-lo, nos aproximamos de Deus.
O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, segundo a tradição, surgiu na Ilha de Creta, entre os séculos XIII e XVII. O quadro representa a Virgem Maria da Paixão com o Menino Jesus nos braços. Mas a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro começou a se propagar mais em 1870 e espalhou-se por todo o mundo. Devemos recorrer a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro sempre que nos sentirmos aflitos e diante de alguma situação difícil; podemos pedir socorro à Mãe, que ela nos atenderá. Todas as mães ajudam os seus filhos, sobretudo se estão passando por dificuldades; com Nossa Senhora não é diferente.
Essa imagem mariana foi pintada com o intuito de reavivar a esperança dos fiéis e a oração dos cristãos. Olhando e contemplando a imagem, conseguimos captar a mensagem espiritual que ela transparece. Vai além do que simplesmente uma beleza artística.
Segundo uma tradição bem antiga, a imagem foi trazida da Grécia, da cidade de Creta, através de um negociante que roubou a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no século XV. A intenção desse negociante era vender a imagem assim que chegasse a Roma. Enquanto ele atravessava o Mar Mediterrâneo, caiu uma grande tempestade que quase naufragou o barco. Quando ele chegou a Roma, adoeceu e, arrependido, contou a um amigo a sua história, e esse amigo sugeriu que ele devolvesse a imagem a uma igreja.
A esposa desse amigo não quis devolver a imagem. Após ficar viúva, Nossa Senhora apareceu à sua filha de seis anos e lhe disse para colocar a imagem numa moldura e levar o quadro até uma igreja: a Igreja de São João de Latrão ou Santa Maria Maior. Em 27 de março de 1499, o ícone foi entronizado na Igreja de São Mateus, ficando lá por mais de 300 anos.
Certa vez, aconteceu uma invasão na Igreja de São Mateus, e a congregação dos Agostinianos, que tomava conta da igreja, escondeu o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em um local oculto, e ele permaneceu esquecido por 30 anos. Um monge muito devoto, antes de morrer, contou a história a um coroinha que, tempos depois, se tornou padre redentorista e ajudou a reencontrar o ícone.
Atualmente, o quadro original encontra-se na Igreja de Santo Afonso, em Roma. É considerado um ícone mariano rico de simbolismo, formas e cores. O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é formado por quatro figuras: Nossa Senhora, o Menino Jesus e dois arcanjos.
No ano de 1866, o Papa Pio IX entregou a imagem aos Redentoristas e fez uma recomendação a eles: que propagassem, aos quatro cantos da terra, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Fizeram, então, muitas cópias do ícone e a difundiram por todas as partes do mundo. Atualmente, a imagem encontra-se na Igreja de Santo Afonso, em Roma, conforme dissemos acima.
Com um semblante grave e melancólico, Nossa Senhora traz no braço esquerdo o Menino Jesus, ao qual o Arcanjo Gabriel apresenta quatro cravos e uma cruz. Ela é a Senhora da morte e a Rainha da vida; ela é o socorro daqueles que a invocam com amor filial. Peçamos sempre o socorro de Nossa Senhora em nossos momentos de aflição. O centro da pintura não é Nossa Senhora, mas Jesus. Maria indica o caminho, ou seja, ela não é “salvadora”, mas sim seu Filho Jesus. Nossa Senhora é a intercessora, a mediadora. Ela ouve os nossos rogos e os leva até Jesus. Ela traz Jesus em seus braços, pois tudo aquilo que pedirmos ela transmitirá ao seu Filho.
Maria estava presente no início da Igreja primitiva. Quando sopra sobre os discípulos o Espírito e os envia em missão, Maria também estava ali, e a sua missão era rezar para que a missão desse certo. Até hoje Maria acompanha a Igreja com a oração. Cada fiel pode recorrer a Nossa Senhora e pedir o seu “socorro”. A Igreja também reza incessantemente pedindo a proteção materna de Nossa Senhora, pois onde está a Mãe, o Filho também está.
Podemos recorrer a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro sempre que nos sentirmos aflitos, desesperados ou diante de alguma situação difícil. Assim como, quando ficamos doentes, precisamos ir ao “pronto-socorro” para aliviar as nossas dores e sarar nossa doença, Nossa Senhora deve ser sempre o nosso “Socorro”, para que alivie o nosso sofrimento quando nos sentirmos desesperados.
Ao contemplarmos a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, observamos as mãos do Menino Jesus segurando as mãos de Nossa Senhora. Esse gesto transmite a confiança que o Filho tem na Mãe. Portanto, confiemos os nossos pedidos à Virgem do Perpétuo Socorro e seguremos em suas mãos.
Interessante esse título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mas nem sempre ele é invocado pelos fiéis. Que possamos lembrar sempre de Nossa Senhora e divulgar essa devoção, e que ela seja o nosso Perpétuo Socorro. Perpétuo quer dizer para sempre, eterno. Que Maria seja o nosso “Socorro” aqui na terra e depois no céu.
Que Nossa Senhora nos ensine, sobretudo, a fazer a vontade de Deus e a estar sempre disponíveis para servir a Deus e ao próximo. Que, a partir de hoje, possamos recorrer a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Segue abaixo uma oração que podemos fazer a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro:
“Minha Mãe do Perpétuo Socorro, sede o meu amparo, meu socorro eterno, meu socorro sempre. Sede meu socorro materno em todas as minhas necessidades, Mãe! Sei que a Senhora nunca abandona seus filhos! Entrego-me em Tuas mãos! Amém!”
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, rogai por nós que recorremos a vós!



