Andressa Collet – Vatican News
O Papa Leão XIV, na segunda etapa desta quarta-feira (22/04), cumpriu agenda na cidade portuária de Bata, na Guiné Equatorial. O primeiro compromisso foi na prisão local onde organizações internacionais documentam um histórico de abusos no sistema penal com condições críticas aos detentos. O país tem mais de metade da população vivendo na pobreza, mesmo tendo o petróleo hoje representando quase metade do PIB e mais de 90% das exportações, segundo os dados do Banco Africano de Desenvolvimento.
No pátio interno do cárcere, depois de ser recebido por autoridades locais, o Pontífice encontrou presos que cumprem penas tanto contra o patrimônio como contra a pessoa, além de funcionários e representantes da Pastoral Carcerária. Leão XIV também ouviu a declaração do diretor da prisão, Reginaldo Biyogo Mba Ndong Anguesomo, que falou sobre a esperança nos processos de reabilitação e reinserção; do capelão, que reforçou o sentimento de esperança pela presença do Papa “que nos lembra que nenhuma pessoa está excluída do amor de Deus”; além do testemunho de um preso, que falou em nome do grupo, reconhecendo os erros graves cometidos à vítimas, às famílias e “a nós mesmos. Viver com esse fardo não é fácil. A prisão nos coloca todos os dias diante da nossa consciência”, afirmou ele. O detento agradeceu o acompanhamento do capelão e da presença do próprio Papa que ajudam a mostrar que “nosso coração ainda sonha em fazer o bem. Hoje o senhor não entrou apenas nesta prisão: entrou também em nossos corações”.
Não há justiça sem reconciliação
Na saudação, sob a chuva intensa que caiu de forma repentina no pátio da penitenciária, o Papa recordou que, em alguns lugares, ela é vista como um sinal da bênção de Deus: “Vamos rezar para que seja assim”. E convidou todos a viverem aquele momento como expressão da proximidade divina, daquele que nunca abandona. Em seguida, disse ter escutado com atenção todos os testemunhos, agradecendo pela clareza e por mostrarem “que, mesmo nas dificuldades, a dignidade humana e a esperança nunca se perdem”. Leão XIV também valorizou enalteceu sobre o “serviço fundamental” realizado nas instituições penitenciárias quando combinam “segurança, respeito e humanidade, garantindo a ordem necessária para acompanhar os reclusos num percurso de reintegração e de reconstrução das suas vidas”. Cada um com a sua história, disse o Papa, com erros e sofrimentos, continua a ser precioso aos olhos dos Senhor: “ninguém é excluído do amor de Deus!” e os detentos também fazem parte da força da Guiné Equatorial:
Leão XIV: vocês não estão sozinhos
O Pontífice então falou de esperança e de mudança. Embora a prisão pareça um lugar de solidão e desolação, disse Leão XIV, é um período que pode se tornar “de reflexão, reconciliação e crescimento pessoal. Que se faça tudo o que for possível”, recomendou ele, para que os detentos possam “estudar e trabalhar com dignidade na prisão” para ter a chance de “se tornar uma pessoa nova”. Lembrem-se sempre, finalizou o Papa se dirigindo aos presos, que “uma pessoa que se reergue depois de ter caído é mais forte do que antes”:
“Vocês não estão sozinhos. As suas famílias os amam e esperam por vocês, e muitos, fora destas paredes, rezam por vocês. E mesmo se alguém temesse ter sido abandonado por todos, Deus nunca os abandonará e a Igreja estará ao seu lado. Pensem também no país de vocês, nos jovens da Guiné Equatorial que precisam de exemplos de perseverança, responsabilidade e fé. Cada esforço de reconciliação, cada gesto de bondade, pode tornar-se uma centelha de esperança para os outros.”
Ao final do encontro, antes de receber de presente uma cruz de lenha realizada pelos detentos, o Papa convidou todos para fazer um momento de recolhimento e oração, pedindo que a paz de Jesus habite nos corações de todos e que a misericórdia do Senhor “abra sempre novos caminhos”.

