Clorose: a esquisita ‘doença do amor’

    “O amor é cura, mas também é loucura.” “A Psicanálise é, em sua essência, uma cura pelo amor!”, afirmou o renomado médico neurologista austríaco, professor e criador da psicanálise Dr. Sigmund Freud.

    Escritores, pintores, poetas e dramaturgos se debruçaram – mais até do que médicos – sobre a doença. O motivo talvez esteja no perfil das vítimas: eram em sua maioria meninas adolescentes ou jovens apáticas.

    Os sintomas eram variados e muitas vezes vagos: aparência “pálida, como se estivessem sem sangue”, aversão à comida (carne em particular), dificuldade para respirar, palpitações, mudanças de humor, fadiga, apatia e tornozelos inchados.

    A doença recebeu outros nomes, como febris amatoria ou “febre amorosa”, até que o Dr. Jean Varandal, professor de Medicina em Montpellier, cunhou o termo “clorose” em 1619. A clorose é um enigma na história da medicina. Crescia e diminuía sem uma explicação clara, e chamou a atenção em particular no início do século XIX.

    Para se ter uma ideia, nos registros históricos da Enfermaria de Finsbury, em Londres, entre 20 de março e 20 de abril de 1800, o transtorno “clorose e amenorreia” era o segundo mais citado, depois de “problemas pulmonares sem febre”. Na década de 1890, 16% das internações no Hospital São Bartolomeu, em Londres, eram por essa causa. Depois, sem que haja uma explicação clara, os registros da doença começaram a decair. No início do século XX, esses registros desapareceram, deixando perguntas: seria porque os sintomas foram atribuídos a um diagnóstico diferente? Ou porque o tratamento ficou mais eficiente ao focar a dieta das pacientes, em vez da sua virgindiade? Ou por algum motivo o mal deixou de ser diagnosticado?

    Há várias hipóteses que tentam explicar esse desaparecimento, geralmente mencionando melhoras na alimentação e nas condições de vida da população. Houve médicos que relacionaram a doença à riqueza, sugerindo que os costumes sociais das mulheres mais abastadas, como usar corpetes justos e levar uma vida sedentária de pouca exposição à luz solar e ao exercício físico, causavam predisposição à clorose.

    A psicoterapeuta e pesquisadora do Ambulatório do Amor em Excesso da Faculdade de Medicina da USP, Dra. Eglacy Sophia, destaca alguns sintomas dos ‘doentes de amor’: “Sintomas de abstinência (como angústia, taquicardia e suor) na ausência ou no distanciamento (mesmo afetivo) do amado” e “atitudes para reduzir ou controlar o comportamento de cuidar do parceiro são malsucedidas”.

    O amor patológico é uma doença que causa dependência, como se fosse uma droga, sendo a parceira ou parceiro o entorpecente. A pessoa doente se torna impulsiva e compulsiva devido ao vício. Esse amor doentio é a causa de muitas enfermidades, ansiedade, depressão e suicídio. Ele é causador de agressividade, desrespeito, relacionamentos falidos e de tantas incompatibilidades. Quem vive nessa situação, deve buscar tratamento médico e terapêutico.

    Prof. Dr. Inácio José do Vale, Psicanalista Clínico, PhD.

    Especialista em Psicologia Clínica pela Faculdade Dom Alberto-RS.

    Especialista Psicologia da Saúde, pela Faculdade de Administração, Ciências e Educação-MG.

    Doutorado em Psicanálise Clínica pela Escola de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea. Rio de Janeiro-RJ. Cadastrada na Organização das Nações Unidas – (ONU).

    Autor do livro Terapia Psicanalítica: Demolindo a Ansiedade, a Depressão e a Posse da Saúde Física e Psicológica  

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