Solenidade da Epifania do Senhor

    As nações de toda a terra, hão de adorar-vos, ó Senhor” (Sl 71,72)

     Celebramos no domingo, dia 4 de janeiro, a Solenidade da Epifania do Senhor. Essa solenidade acontece dentro do Tempo do Natal, que vai até o próximo domingo, dia 11 de janeiro, com a Festa do Batismo do Senhor. Na segunda-feira, dia 12, inicia-se a primeira parte do Tempo Comum. Pelo calendário civil, o Dia de Reis, que está relacionado com a Solenidade da Epifania — pois é quando os reis magos chegam para adorar o Menino Jesus e lhe oferecer presentes — é celebrado no dia 6 de janeiro. Neste ano, essa data ocorre numa terça-feira, mas, por questões pastorais, a Igreja no Brasil, com permissão da Santa Sé, celebra essa solenidade no domingo anterior, a fim de possibilitar uma maior participação dos fiéis.

    Normalmente, no dia 6 de janeiro, as pessoas costumam desmontar a árvore de Natal e o presépio. Porém poderiam desmontá-los na Festa do Batismo do Senhor, quando se encerra o Tempo do Natal. O Tempo do Natal é um período de alegria, pois o Senhor nasceu; as celebrações nos envolvem nesse mistério que é a aliança eterna de Deus com a humanidade. Na Epifania, Deus o revela à humanidade, manifesta o Verbo encarnado que se fez carne para toda a humanidade; Deus assume a nossa humanidade, e, no Batismo, é revelado que Ele é filho de Deus e começa a sua vida pública.

    Estamos no início do ano civil e também ainda dentro do início de mais um ano litúrgico. Peçamos ao Senhor a graça de ver o seu Filho revelado e que Ele nos mostre a sua vontade para a nossa vida. Aproximemo-nos do Senhor e, do mesmo modo que os magos, ofereçamos presentes: não mais o incenso, a mirra e o ouro, mas ofereçamos o nosso coração.

    Ao nascer, Jesus não se manifesta somente a Israel, mas à humanidade inteira. A salvação de Deus é para todos os povos, e não somente para um povo. Todos os povos devem se unir diante do presépio e adorar o Menino Deus. Que, neste dia, o Menino Deus se manifeste a todos os povos e que o mundo inteiro possa se unir num único propósito: a paz. Inclusive, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Leão XIV pediu que todos se unam nesse propósito.

    Os sábios Baltasar, Melchior e Gaspar oferecem presentes ao Menino: ouro, incenso e mirra. Conforme dissemos acima, que nós também possamos oferecer ao Senhor aquilo que temos de mais precioso e pedir que Ele seja o Senhor das nossas vidas, o nosso maior presente. Ao adorar o Menino Deus no presépio, voltemos o nosso olhar para a cruz, pois Ele nasceu e morreu por nós, com o intuito de nos salvar. Ele ressuscitou, não ficou na cruz; não é um Deus derrotado, mas vitorioso.

    A primeira leitura da missa da Solenidade da Epifania é do profeta Isaías (Is 60,1-6). O profeta Isaías, que viveu há cerca de quatrocentos anos antes de Jesus, exorta o povo a se levantar, pois a luz acendeu-se, a luz chegou e a glória do Senhor apareceu sobre Israel. O profeta dirige-se ao povo que voltava do exílio da Babilônia, que andava triste e desanimado e, por conta de seus inúmeros pecados, achava que Deus havia se esquecido deles. Esse mesmo contexto serve para aquilo que estamos celebrando hoje: o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; Jesus nasceu e veio para iluminar as trevas do pecado, para que o povo, guiado por essa luz, chegasse até Deus.

    Todos os povos irão adorar o Senhor e se curvar diante dele, sobretudo no momento de sua morte na cruz. No alto do Monte Calvário, Ele se entrega, e todos os povos se prostram diante d’Ele. O Senhor manifesta o seu poder salvador: o seu Filho não fica na cruz, mas ressuscita e nos dá a garantia da vida eterna.

    O salmo responsorial é o 71 (72), que nos diz em seu refrão: “As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor”. Jesus é o Emanuel, o Príncipe da Paz, e toda a humanidade deve curvar-se diante d’Ele para adorá-lo. No princípio, o adoramos na manjedoura, como o Menino Deus, e hoje o adoramos na Eucaristia. Ele se fez Corpo e Sangue e vem até nós. Que todos os povos se voltem ao Senhor, o adorem e que a paz reine sobre nós.

    A segunda leitura da solenidade é da carta de São Paulo aos Efésios (Ef 3,2-3a.5-6). Paulo afirma que foi por graça de Deus que lhe foi revelado o mistério da Encarnação do Filho de Deus, que morreu e ressuscitou para nos salvar. Deus continua a se revelar até os dias de hoje, graças à ação do Espírito Santo. Os diáconos, padres e bispos são mediadores dessa graça. Até os pagãos são admitidos à mesma graça, graças ao Evangelho. A salvação é para todos, sobretudo para aqueles que, de coração sincero, buscam o Senhor.

    O Evangelho é de São Mateus (Mt 2,1-12). Esse trecho do Evangelho retrata quando os reis magos foram até Jerusalém buscar informações sobre onde havia nascido o Rei dos Judeus. Eles explicaram que viram a sua estrela no Oriente e queriam adorá-lo. Herodes fica muito perturbado e nervoso, pois achava que Jesus iria ocupar o seu lugar, afirmando que somente ele era rei em Israel. No entanto, o reinado de Jesus não se trata disso; é um reinado voltado para o amor e a misericórdia, distante dos poderes deste mundo. O reinado de Jesus é eterno.

    Os mestres da Lei começam a procurar entre os escritos e constatam que o Menino Jesus deveria nascer em Belém de Judá, conforme havia sido anunciado pelo profeta. Herodes chama os magos em particular e quer saber quando a estrela havia aparecido no Oriente. Depois, envia-os a Belém e pede que, assim que tivessem notícias sobre o Menino, voltassem para contar-lhe, para que ele também fosse adorá-lo.

    Sabemos, porém, que a intenção de Herodes não era adorar o Menino Deus, mas matá-lo por pura inveja. Por isso, quando os magos retornam do local onde Jesus nasceu, avisados em sonho que lhes diz que sigam por outro caminho e não retornem a Herodes. Diante disso, Herodes fica revoltado e manda matar todas as crianças do sexo masculino de zero a dois anos, esperando encontrar Jesus entre elas. São os Santos Inocentes, que celebramos no dia 28 de dezembro.

    Os reis magos chegam ao lugar onde o Menino estava e encontram Maria, José e a criança recém-nascida. Oferecem a Ele aquilo que tinham de mais precioso e que é simbólico também: ouro, incenso e mirra. O ouro representa a realeza do Menino, pois Ele veio para ser Rei de todos os povos; o incenso representa a sua divindade; e a mirra, um óleo muito precioso entre os judeus, utilizado nos mortos, aponta para a morte de Jesus.

    Hoje não oferecemos mais ao Senhor ouro, incenso e mirra, mas oferecemos a Ele o dom da nossa vida. Na missa deste domingo, agradeçamos primeiramente a Deus por ter manifestado Jesus a nós e pela oportunidade que temos de continuar adorando-o todos os dias na Eucaristia. Voltemos o nosso olhar para a cruz, de onde pendeu a nossa salvação, e conformemos a nossa vida à vida de Jesus.

    Estejamos atentos aos sinais dos tempos e peçamos a Deus muita paz para todos nós, para que o mundo inteiro compreenda que somente o diálogo e o amor são o caminho para a construção da paz, como tanto insiste o Papa Leão XIV. Haverá sempre uma luz no caminho da humanidade apontando para Jesus, basta seguir o caminho.

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here