Cardeal Gabriel Zubeir Wako, Arcebispo de Cartum. Cardeal Gabriel Zubeir Wako, Arcebispo de Cartum.
O cristianismo é a religião mais perseguida no mundo inteiro. Mais de cem milhões de cristãos sofrem violentamente a opressão e a expulsão de suas terras. E nas listas internacionais de perseguição e extermínio de cristãos, o Sudão está na vanguarda.
Nos termos do artigo 5 da Constituição, a Sharia é a fonte da legislação e da jurisprudência no Sudão. Minorias religiosas, sobretudo cristãs, estão expostas à arbitrariedade do regime islâmico. Igrejas e terrenos que não estão mais sendo utilizados podem a qualquer momento passar para a propriedade do Estado. Além disso, não existem licenças para a construção de novas igrejas. As igrejas e os seus sacerdotes são vigiados pelos serviços de inteligência. Catequese e ensino nas escolas ficam na sombra da arbitrariedade. A sensação de vulnerabilidade e o medo são companheiros constantes dos padres.
Nesse clima é fundamental sentir a solidariedade dos cristãos no mundo – porém, mais ainda, o espírito de comunhão entre todos. Os padres nas 27 paróquias da Arquidiocese de Cartum precisam de um lugar onde eles possam falar abertamente e cultivar um intercâmbio sobre o seu trabalho, suas perspectivas pastorais, seus sucessos e problemas. Um lugar onde possam encontrar conselho e braços abertos, onde sintam afeto e compreensão. Uma casa onde possam rezar, pensar e planejar, onde possam aprofundar seus conhecimentos teológicos e discutir a aplicação pastoral dos mesmos. Em suma, eles precisam de uma casa de oração, uma casa de restabelecimento espiritual e mental.
Essa casa existe. É para lá que vão os padres do Sudão e Sudão do Sul. É uma casa da unidade. Mas está velha, caindo aos pedaços. Rachaduras nas paredes, vazamentos no telhado e portas empenadas testemunham o seu uso constante e a necessidade urgente de reforma. Para isso não se requer nenhuma autorização, é só ter o dinheiro. Nós prometemos a reforma para que esse oásis de amor, no meio de um ambiente hostil, possa continuar atuando.
Fonte: AIS