“Bem-Aventurado aquele que não perdeu a esperança”
No dia 27 de julho celebramos o V Dia Mundial dos Avós e Idosos, instituído há cinco anos pelo Papa Francisco. O Dia dos Avós e idosos é celebrado em geral no dia 26 de julho devido a celebração da festa de Sant’Ana e São Joaquim, só que muitas vezes a data acabava passando despercebida, então o Papa Francisco estendeu essa celebração para toda a Igreja instituindo no quarto domingo do mês de julho, o Dia Mundial dos Avós e Idosos.
O Papa Francisco escolheu o tema antes de falecer. O versículo escolhido é do livro de Eclesiástico e fala em outras palavras que a esperança no Senhor é o caminho para uma velhice tranquila. O tema da esperança também está relacionado ao ano jubilar que estamos celebrando.
O Papa Leão XIV publicou o texto dessa mensagem aprofundando o tema e dando instruções importantes. Ele nos recorda: “Na Bíblia, Deus mostra várias vezes a sua providência dirigindo-se a pessoas idosas. Foi o que aconteceu a Abraão, Sara, Zacarias, Isabel e também com Moisés, chamado a libertar o seu povo quando tinha oitenta anos (cf. Ex 7, 7). Com estas escolhas, Ele ensina-nos que, aos seus olhos, a velhice é um tempo de bênção e graça e que, para Ele, os idosos são as primeiras testemunhas da esperança. «O que é este tempo da velhice? – pergunta-se Santo Agostinho a este respeito, e continua – Deus responde-te assim: “Oh, que a tua força desapareça de verdade, para que em ti permaneça a minha força e possas dizer com o Apóstolo: quando sou fraco, então é que sou forte”» (Enarr. In Ps. 70, 11). Assim, a constatação de que hoje o número daqueles que estão avançados em idade aumenta cada vez mais torna-se, para nós, um sinal dos tempos que somos chamados a discernir, para ler bem a história que vivemos.
Com efeito, só se compreende a vida da Igreja e do mundo na sucessão das gerações. Por isso, abraçar um idoso ajuda-nos a entender que a história não se esgota no presente, nem em encontros rápidos e relações fragmentárias, mas se desenrola rumo ao futuro. No livro do Génesis, encontramos o comovente episódio da bênção dada por Jacó, já idoso, aos filhos de José, seus netos: as suas palavras os exortam a olhar com esperança para o futuro, como o tempo das promessas de Deus (cf. Gn 48, 8-20). Portanto, se é verdade que a fragilidade dos idosos precisa do vigor dos jovens, é igualmente verdade que a inexperiência dos jovens precisa do testemunho dos idosos para projetar o futuro com sabedoria. Quantas vezes os nossos avós foram para nós um exemplo de fé e devoção, de virtudes cívicas e compromisso social, de memória e perseverança nas provações! A nossa gratidão e coerência nunca serão suficientes para agradecer este bonito legado que nos foi deixado com tanta esperança e amor.”
Não podemos esquecer dos idosos de nossa família, pais, avós, tios, eles trazem consigo a sabedoria dos anos vividos. Além de ser um mandamento da lei de Deus honrar pai e mãe e cuidar dos mais velhos. Nesse dia dedicado aos avós e idosos faça uma visita aos idosos de sua família ou faça uma ligação, eleve uma prece a Deus por todos os idosos de sua família e reze por todos os falecidos.
Os idosos podem ser um sinal de esperança até mesmo na própria família, pois os mais jovens podem se espelhar nos mais idosos, buscar conselhos para uma vida longeva. Algumas pessoas infelizmente dizem que os idosos atrapalham, mas pelo contrário são um sinal de sabedoria e ajuda para os mais novos. Os idosos são importantes inclusive dentro da comunidade eclesial, pois através da experiencia deles conduzem uma pastoral e ensinam aqueles que chegam.
Quem sabe as paróquias podem promover um encontro de gerações para troca de experiencias. Um encontro descontraído através de uma tarde ou uma manhã, com café ou chá, ou até almoço. Ou ainda, incentivar os mais jovens a visitarem os mais idosos em casa, sobretudo aqueles que não podem ir até a Igreja, para conversar e rezar com eles. Incentivar os jovens a visitarem casas de repouso próximas da paróquia, porque muitas vezes os familiares colocam os idosos lá e esquecem deles, e eles se sentem sozinhos. A visita dos jovens vai animá-los bastante, quem sabe pode ser o início de um projeto que aconteça toda a semana ou uma vez ao mês. Seria o caso também de incentivar a pastoral dos idosos em nossas comunidades.
Segundo os dados estatísticos que temos a população já está mais idosa e tende com o passar do tempo ficar mais idosa ainda. Os casais têm tido menos filhos, apenas um ou no máximo dois, ou ainda, infelizmente alguns optam até por não ter filhos. Por isso, os jovens de hoje têm que pensar no futuro, ou seja, um dia com a graça de Deus serão idosos e não vão querer ser abandonados por ninguém e nem viver na solidão.
Por isso, cabe aos casais de hoje prepararem os filhos para o futuro, ensiná-los a respeitar os mais velhos, zelarem por sua família, se casarem e terem filhos, não somente para continuar a geração familiar, mas que possam ser sinais do amor de Deus no mundo.
Estimulados pelas palavras do Papa em sua mensagem, cuidemos de nossos idosos, escutemos o que eles têm a nos ensinar, não deixemos com que eles sofram de solidão e sintam sozinhos, isso tudo fará com que a vida deles seja ainda mais abreviada. Esteja com seus avós e idosos de sua família sempre, e não somente nesse dia a eles dedicado. Se for necessário em último caso colocá-los numa casa de repouso, não os abandone lá, mas sempre que possível faça uma visita.
O Papa Leão XIV assim conclui a sua mensagem: “Estes sinais de vitalidade do amor, que têm a sua raiz em Deus mesmo, dão-nos coragem e recordam-nos que «mesmo se, em nós, o homem exterior vai caminhando para a ruína, o homem interior renova-se, dia após dia» (2 Cor 4, 16). Por isso, sobretudo na velhice, perseveremos confiantes no Senhor. Deixemo-nos renovar todos os dias, na oração e na Santa Missa, pelo encontro com Ele. Transmitamos com amor a fé que vivemos na família e nos encontros quotidianos durante tantos anos: louvemos sempre a Deus pela sua benevolência, cultivemos a unidade com as pessoas que nos são caras, abramos o nosso coração aos que estão mais longe e, em particular, aos necessitados. Assim, seremos sinais de esperança, em todas as idades.”
Lembremos de que tudo aquilo que fazemos de bom aqui colheremos na vida eterna e aquilo que fazemos de mal seremos cobrados depois. Amém.
Valorizemos nossos avós e idosos porque eles são excelentes transmissores da fé católica. Que todos os avós e idosos recebam a minha bênção e contem com as minhas orações. Que os nossos avós falecidos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz!