4º Domingo da Quaresma

    O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma! (Sl 22/23)

    Irmãos e irmãs, celebramos neste domingo o quarto deste tempo quaresmal. Estamos chegando à metade desse tempo de graça para toda a Igreja. Precisamos sair do tempo quaresmal transformados e renovados; da mesma forma que, quando participamos de um retiro espiritual, algo precisa ser mudado em nós. Precisamos chegar ao domingo de Páscoa mais leves, puros e libertos do pecado. Por isso, ainda há tempo de nos aproximarmos do sacramento da Reconciliação antes da celebração da Páscoa.

    Este domingo é conhecido como o Domingo “Laetare”, ou seja, o domingo da alegria, pois a grande solenidade da Páscoa se aproxima. A Igreja se reveste da cor rosa, ou de um roxo mais suave, ainda em clima de penitência. É também um momento de nos alegrarmos com o nosso retorno à casa paterna, isto é, de nos alegrarmos com o perdão que o Senhor nos concedeu e com a nossa reconciliação com Ele e com a Igreja.

    O Domingo “Laetare” ocorre sempre no quarto domingo da Quaresma, e no terceiro domingo do Advento celebra-se o Domingo “Gaudete”, também marcado pela alegria, pois estamos próximos dos dois grandes mistérios da nossa fé: o Natal e a Páscoa. Mesmo sendo o domingo da alegria, não percamos o sentido da penitência e do jejum propostos para este tempo quaresmal. Na próxima quinta-feira, dia 19 de março, faremos também uma pausa alegre na Quaresma, quando celebraremos São José, patrono universal da Igreja. Nesse dia, toda a Igreja se revestirá de branco e pediremos a intercessão de São José por todos nós.

    A liturgia da missa deste domingo não fala tanto de penitência, mas destaca a alegria: a alegria de o Senhor ter se lembrado de nós e nos resgatado do pecado. Apesar de ser o Domingo da alegria, continuam sendo omitidos o hino do Glória e o Aleluia, que retornam somente na grande Vigília Pascal. A alegria do cego foi tão grande que ele espalhou a todos o fato de ter voltado a enxergar e de que Jesus lhe havia devolvido a visão. Além de voltar a enxergar com os olhos físicos, ele passou a enxergar também com os olhos do coração e pôde sair para anunciar o Evangelho e testemunhar Jesus Cristo.

    Meus irmãos, peçamos ao Senhor que também nos cure de nossas cegueiras, para que possamos voltar a enxergar e testemunhar Jesus Cristo aos outros. Que não enxerguemos apenas com os olhos físicos, mas sobretudo com os olhos do coração.

    A primeira leitura da missa deste domingo é do primeiro livro de Samuel (1Sm 16,1b.6-7.10-13a). Esse trecho narra quando o Senhor pede a Samuel que encha o seu chifre de óleo e vá ungir o novo rei de Israel, escolhido entre os filhos de Jessé. O Senhor não escolheu quem fosse forte ou de grande estatura, pois Ele não vê as aparências nem escolhe segundo critérios humanos, mas segundo a sua vontade. Na verdade, costuma-se dizer que Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.

    Nenhum dos sete filhos de Jessé apresentados a Samuel foi escolhido. Restava ainda Davi, que estava no campo apascentando as ovelhas. Samuel pede que Jessé o mande buscar, pois não se sentariam à mesa antes que ele chegasse. Quando Davi chegou, o Senhor disse a Samuel: “É este; unge-o.” A partir daquele momento, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi.

    Deixemos também que o Senhor nos unja e nos envie como profetas nos dias de hoje, para anunciarmos o amor e a misericórdia de Deus. Somos escolhidos e enviados para anunciar o Evangelho da salvação. Observemos ainda que, depois de Davi, Jesus é o verdadeiro Ungido de Deus, o novo e definitivo rei de Israel.

    O salmo responsorial desta missa é o Salmo 22 (23), que nos diz em seu refrão: “O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.” O Senhor nunca nos abandona e cuida de cada um de nós. Mesmo por causa de nossos pecados, Ele não se esquece de nós. O Senhor cuida de nossas feridas e as cura, tira-nos dos caminhos escuros, áridos e secos e nos conduz por verdes pastagens.

    A segunda leitura deste domingo é da carta de São Paulo aos Efésios (Ef 5,8-14). São Paulo afirma que, antes de Cristo, andávamos sob a sombra do pecado e das trevas; agora, porém, após a ressurreição de Jesus e iluminados por sua luz, somos chamados a refletir essa luz para os outros. Durante a nossa vida somos chamados a ser luz na vida das pessoas, e não trevas. As trevas não nos conduzem a nada; levam apenas a caminhos obscuros e nos afastam de Deus. A luz que nos guia e ilumina é o Espírito Santo, que acompanha a Igreja até os dias de hoje. Nossa missão como cristãos é resgatar aqueles que caminham nas trevas e conduzi-los à luz, do mesmo modo que Cristo, por sua ressurreição, veio para salvar a todos.

    O Evangelho deste domingo é de São João (Jo 9,1-41 – forma longa). Nele, Jesus cura um homem cego de nascença. Os discípulos perguntam a Jesus se a cegueira daquele homem era consequência do pecado de seus pais ou de seus próprios pecados. Essa pergunta revela o pensamento de alguns judeus da época. Jesus responde que nem ele nem seus pais pecaram. Fazia parte da missão de Jesus libertar os cativos, curar os doentes e os cegos e anunciar a justiça e o amor de Deus. Assim, aqueles que eram curados podiam sair e anunciar Jesus Cristo aos demais.

    Quando Jesus realizava uma cura, Ele devolvia à pessoa a sua dignidade. Muitas vezes o doente era excluído da sociedade, e, ao curá-lo, Jesus o recolocava no centro do convívio social. Cristo curava integralmente: além da cura física, realizava também a cura espiritual. A partir do encontro com Jesus, aquele cego passa a enxergar não somente as coisas do mundo, mas também as coisas de Deus. Seus olhos se abrem para a fé.

    Meus irmãos, muitas vezes, quando as coisas não acontecem do jeito que queremos, acabamos ficando como que cegos e fechamos os olhos para a fé. Peçamos ao Senhor que nos mantenha firmes, para que nunca fiquemos cegos diante de Deus e para que a nossa fé permaneça sempre acesa.

    Existem muitas cegueiras que imperam na sociedade de hoje: a cegueira diante das necessidades do próximo, a cegueira diante da fome, da guerra e da miséria, a cegueira diante do amor e da compaixão. Podemos nos perguntar, neste momento, de quais cegueiras queremos que Jesus nos cure. Que Ele abra os nossos olhos para reconhecê-lo em cada irmão e irmã e para contemplá-lo também no sacrário.

    Irmãos e irmãs, celebremos com alegria este quarto domingo da Quaresma, pois a Páscoa do Senhor se aproxima, a festa central do calendário cristão. Se ainda não nos aproximamos do sacramento da Reconciliação, ainda há tempo, para que possamos celebrar a Páscoa de maneira plena, renascidos para uma vida nova. Por meio do sacramento da Confissão, é possível curar a cegueira da nossa alma e abrir novamente os nossos olhos para a fé.

    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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