“Verdadeiramente, tu és o filho de Deus” (Mt 14, 33).
Celebramos neste domingo o décimo nono do Tempo Comum, e estamos no segundo domingo do mês de agosto, e neste domingo aqui no Brasil comemora-se o Dia dos Pais. É claro, que como bem sabemos, é uma data comercial, o Dia dos Pais deve ser todos os dias, mas a Igreja usa dessa data comercial para promover o amor e o respeito entre pais e filhos através da Semana Nacional da Família que se inicia nesse domingo.
A Semana Nacional da Família tem início no domingo do Dia dos Pais e vai até o sábado seguinte. Normalmente as paróquias e dioceses promovem ao longo dessa semana palestras e reflexões sobre a família com base no tema que a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil –, através da Comissão Nacional da Pastoral Familiar propõe. O tema escolhido para esse ano é: “Família, torna-te aquilo que és”.
Aproveitemos esse Dia dos Pais para ir com eles a celebração da Santa Missa, e depois almoçar com ele. Nessa data mais do que um presente o que vale é se fazer presente, e lembrar o significado dessa data para nós cristãos católicos. Se não puder fazer presente fisicamente devido a distância faça uma ligação, mas o que vale em primeiro lugar é a lembrança. Se caso seu pai seja falecido reze por ele na Santa Missa colocando o nome dele na intenção dos falecidos.
Do mesmo modo que as outras datas comemorativas impostas pela sociedade como o Dia das Mães, Dia das Crianças e outras, a Igreja usa dessas datas para catequisar os fiéis e ensiná-los sobre a importância de ter um lar constituído de pais e filhos onde reina o amor e que Deus seja o sustento.
A liturgia deste domingo nos convida a ter fé em Deus, os momentos difíceis não são para sempre, eles passam, e se termos fé e acreditarmos tudo melhora. Não tenhamos medo de enfrentar as adversidades da vida, pois cada vez que passamos por um momento difícil nos sentimos mais fortes. Lembremos sempre também, de pedir e agradecer, pois, Deus sempre está conosco.
A primeira leitura desse Domingo é do primeiro livro dos Reis (1Rs 19,9a.13a), observamos nessa leitura o poder da fé no profeta Elias, o Senhor fala com ele para se colocar a entrada da gruta, que Ele iria passar. Primeiro vem um vento forte, depois um terremoto e por fim o fogo. O Senhor não estava em nenhum desses fenômenos, o Senhor não faz barulho para falar conosco, mas Ele fala conosco no silêncio. Elias sentiu uma leve brisa, o profeta cobre o rosto com um manto, saiu e pôs-se a entrada da gruta. O profeta tem a certeza de que o Senhor viria na brisa leve, pois Ele é assim, enquanto o mundo está um caos, Deus surge para tranquilizar tudo e Ele nos tira das turbulências do mundo e pede para confiarmos N’Ele sempre.
O salmo responsorial é o 84(85), que diz em seu refrão: “Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação nos concedei”, nesse refrão o salmista pede ao Senhor com fé, que Ele mostre a sua bondade o livre dos momentos turbulentos e conceda a salvação. O Senhor tem o desejo de salvar todos nós, cabe a cada um, abrir-se a salvação que vem de Deus.
A segunda leitura desse Domingo é da carta de São Paulo aos Romanos (Rm 9,1-5), Paulo afirma a comunidade romana que ele não está mentindo, mas que está dizendo a verdade, baseando-se em sua fé em Cristo, no testemunho do Espírito Santo e de sua própria consciência. Ele sente uma tristeza muito grande, sobretudo pelos israelitas, ou seja, os de sua raça, que não aceitam a pregação do Evangelho. Confiemos sempre no Senhor e peçamos a iluminação do Espírito Santo.
O Evangelho deste Domingo é de Mateus (Mt 14,22-33), após o episódio da multiplicação dos pães, Jesus pede aos discípulos para que entrassem na barca e seguissem a sua frente para o outro lado do mar enquanto Ele despedia as multidões. Depois de despedir a multidão, Jesus sobe ao monte para orar. Jesus sempre fazia isso antes ou depois de realizar uma missão, o monte é o lugar do encontro do Senhor, o monte está mais próximo do céu. Observamos na primeira de leitura de hoje que Elias subiu ao monte atendendo ao chamado do Senhor para falar com Ele.
Jesus permaneceu até a noite no monte, enquanto isso os discípulos estavam na barca no meio do mar, de repente as ondas começaram a agitar o barco, pois o vento era contrário. Pelas três horas da manhã Jesus foi até os discípulos caminhando sobre a água. Os discípulos ficaram apavorados pensando que fosse um fantasma. Jesus grita com Eles e diz: “Coragem”, “Sou Eu”, Não Tenhais Medo! (Mt 14,27).
Simão Pedro como o líder do grupo dos apóstolos e com suas ideias, às vezes, em certo ponto duvidosas, diz a Jesus: Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro caminhando sobre a água! E Jesus responde: “Vem”. Pedro imediatamente desce da barca e começa a andar indo ao encontro de Jesus. Mas, quando sentiu um vento mais forte, começou a afundar e grita a Jesus: “Senhor, salva-me” (Mt 14, 30), Jesus segura Pedro pela mão e lhe diz: “Homem fraco na fé, por que duvidaste? (Mt 14,31). Logo que subiram no barco o vento se acalmou, e os outros discípulos que haviam ficado no barco diziam: “Verdadeiramente, tu és o filho de Deus” (Mt 14, 33).
Como falamos desde o início a liturgia de hoje fala sobre o poder da fé, o evangelho de hoje retrata justamente isso. Do mesmo modo que aconteceu com Pedro, o Senhor nos toma pela mão e nos levanta quando titubeamos na fé. Algumas vezes aquilo que pedimos ao Senhor pode demorar um pouco para acontecer, pois o tempo d’Ele não é o mesmo nosso, mas se esperarmos com fé e confiança a graça acontecerá.
Algumas vezes podemos nos sentir como esse barco, em meio ao mar, sendo agitado pelas ondas. Sentir-nos-emos desesperados, mas confiemos em Deus, que se manifesta na calmaria e tranquilizará as ondas do mar. O mar significa as turbulências da vida, que quer afundar o barco que somos nós, e nesse momento devemos ter fé e confiar em Deus, que esse momento de turbulência será passageiro.
Quero enviar para todos os pais de nossa Arquidiocese e todos os pais que acompanham nossas meditações as mais preciosas bênçãos divinas. Continuem dando o belo testemunho do bom odor do Evangelho nas suas famílias e na sociedade!
Celebremos com alegria e cheios de fé esse décimo nono Domingo do Tempo Comum, e deixemos no passado aquilo aconteceu no passado e olhemos para frente, e vivamos o presente, que é o que importa. Amém.


