“Vocação, dom e compromisso”

    Agosto é, para a Igreja no Brasil, o mês especialmente dedicado à reflexão, oração e promoção das vocações. Desde 1981, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe este tempo como oportunidade para despertar nos corações a consciência de que todos somos chamados por Deus para uma missão no mundo e na Igreja. A vocação não é um privilégio de alguns, mas uma verdade fundamental da vida cristã: todos somos vocacionados, chamados por Deus a viver com sentido, amor e entrega.

    Neste ano de 2025, celebrando o Jubileu Ordinário da Redenção, o tema vocacional se insere no grande convite do Papa Francisco: redescobrir a alegria do Evangelho e o chamado a sermos “Peregrinos da Esperança”. Cada vocação é uma resposta de esperança a um mundo marcado por incertezas. Em cada estado de vida — matrimonial, sacerdotal, religioso, leigo ou missionário — há uma resposta concreta ao chamado de Jesus: “Vinde após mim e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4,19).

    As vocações nascem do encontro pessoal com Cristo. Não é um esforço humano ou um projeto pessoal de sucesso, mas uma resposta generosa a um Deus que chama com amor e envia com confiança. A Sagrada Escritura está repleta de histórias vocacionais que nos inspiram: Abraão, que deixou sua terra sem saber para onde ia (cf. Gn 12,1-4); Moisés, chamado a libertar o povo (cf. Ex 3); Jeremias, ainda jovem, que ouviu o Senhor dizer: “Antes de te formar no ventre materno, eu te conheci” (Jr 1,5); Maria, que respondeu com fé: “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38); e os discípulos, que largaram tudo para seguir Jesus (cf. Mc 1,16-20).

    Durante o mês de agosto, a Igreja convida a rezar por todas as vocações, a promover o diálogo vocacional nas famílias, nas comunidades, nos grupos de jovens e catequese. É um mês para agradecer pelos chamados já assumidos e para cultivar o terreno onde novas vocações possam florescer.

    A cada domingo de agosto, a Igreja no Brasil dedica a oração e a reflexão a uma vocação específica:

    • 1º domingo: vocação dos ministros ordenados — bispos, padres e diáconos;
    • 2º domingo: vocação ao matrimônio e à família; dia especial de rezar pelos pais. Os que estão entre nós graça e santidade na nossa vida. Os que já estão na glória de Deus nosso memento pelo seu eterno descanso!
    • 3º domingo: vocação à vida consagrada religiosa;
    • 4º domingo: vocação dos leigos e leigas, chamados a santificar o mundo;
    • e, quando há um 5º domingo, recorda-se com carinho a vocação dos catequistas, testemunhas da fé nas comunidades.

    Neste tempo, cabe a todos nós sermos promotores das vocações. Precisamos ajudar os jovens a escutar a voz de Deus, num mundo tão cheio de ruídos. A vocação não se impõe, mas se propõe, e floresce quando encontra corações abertos, comunidades acolhedoras e testemunhos coerentes de vida. Como nos recorda o Papa Francisco: “A vocação nasce da gratidão. É o fruto de um encontro, de um momento em que experimentamos que somos amados e chamados por Deus” (Mensagem para o 60º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 2023).

    Queridos irmãos e irmãs, o mês vocacional é um tempo de graça. Não deixemos passar esta oportunidade sem nos comprometer. Rezemos pelas vocações, ofereçamos nossas vidas com generosidade e façamos da nossa comunidade um verdadeiro terreno fértil onde o chamado de Deus possa ecoar e ser acolhido.

    Que o Espírito Santo nos conduza e que a Virgem Maria, mulher vocacionada e disponível à vontade de Deus, interceda por todos os chamados, especialmente pelos jovens, para que não tenham medo de dizer “sim” ao Senhor da messe.

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