Solenidade de Maria Mãe de Deus

    Irmãos e irmãs,

    No primeiro dia do ano civil, a Igreja nos reúne para celebrar uma das verdades centrais da nossa fé: Maria é Mãe de Deus, porque o Filho que ela gerou segundo a carne é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ao iniciar um novo ano sob o olhar materno de Maria, somos convidados a compreender que o tempo, a história e a nossa vida estão nas mãos de Deus.

    A primeira leitura, do livro dos Números (Nm 6,22-27), apresenta a bênção sacerdotal: “O Senhor te abençoe e te guarde”. Não se trata apenas de um desejo piedoso, mas da certeza de que Deus caminha com o seu povo, protege-o e faz resplandecer sobre ele o seu rosto. Ao iniciarmos um novo ano, a liturgia recorda que a verdadeira segurança não vem das previsões humanas, mas da bênção do Senhor. Maria é a primeira a receber essa bênção em plenitude, pois N’Ela o próprio Deus fez resplandecer o seu rosto.

    O Salmo 66 (67) retoma essa súplica: “Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção”. A Igreja reza para que a luz de Deus alcance todos os povos. Maria, Mãe de Deus, está no centro desse projeto universal de salvação: por meio D’Ela, a bênção prometida a Israel chega a todas as nações.

    Na segunda leitura, São Paulo afirma: “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher” (Gl 4,4). Essa frase é decisiva. Deus entra na história humana de modo concreto, real, assumindo a nossa condição. Maria não é apenas uma figura simbólica: é a mulher real, histórica, que permite que o Filho eterno do Pai se torne nosso irmão. Por isso, quem nega Maria como Mãe de Deus compromete a própria fé em Cristo. Se Ele é Deus, Maria é verdadeiramente Mãe de Deus; se Maria não é Mãe de Deus, então Cristo não é Deus.

    No Evangelho (Lc 2,16-21), Maria aparece como aquela que “guardava todos esses acontecimentos, meditando-os em seu coração”. Ela não compreende tudo de imediato, mas confia. Maria ensina-nos a viver a fé não como quem domina os mistérios de Deus, mas como quem os acolhe com humildade e perseverança. No início de um novo ano, esta é uma atitude essencial: guardar, meditar, confiar.

    Além disso, o Evangelho recorda que o Menino recebe o nome de Jesus, que significa “Deus salva”. Maria é Mãe daquele que salva, não apenas biologicamente, mas porque participa ativamente do projeto salvífico de Deus com a sua obediência e fé. Onde Maria está, Cristo está; e onde Cristo está, a salvação acontece.

    Esta solenidade é também celebrada como o Dia Mundial da Paz. Não é por acaso. A paz verdadeira nasce quando acolhemos Cristo, o Príncipe da Paz, gerado no seio de Maria. Não haverá paz no mundo enquanto os corações permanecerem fechados a Deus, à vida, à justiça e à fraternidade.

    Ao iniciarmos este novo ano, a liturgia nos propõe um caminho claro: acolher Cristo como Maria, confiar como Maria e caminhar sob a proteção de Maria. Que ela nos ensine a entregar o nosso tempo, nossos projetos e nossas angústias ao Senhor.

    Confiemos este ano que começa à intercessão da Mãe de Deus – a Theotokos –. Que Ela nos obtenha a bênção do Pai, a graça do Filho e a luz do Espírito Santo, para que caminhemos na fé, na esperança e na paz. Amém.

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