No trigésimo terceiro domingo do Tempo Comum, Jesus nos recorda que não podemos enterrar nossos talentos na terra. Isto é uma espécie de suicídio. Temos que colocá-los para trabalhar. Mas, com qual propósito? Para conseguir uma vida melhor para mim? Para ter mais dinheiro na minha conta corrente? Para ser feliz e aproveitar esses dons que eu recebi e outros não?
Se lêssemos a parábola dessa forma, estaríamos separando-a do resto do Evangelho, o que não se pode fazer, porque perderia o sentido. Devemos nos lembrar que, para Jesus, o mais importante é o Reino de Deus. Jesus quer que todos nós cheguemos a viver juntos como irmãos. Os talentos de cada um estão (ou deveriam estar) a serviço da fraternidade. Qualquer comportamento diferente desse seria enterrá-los.
Certamente, já teremos percebido o bem estar que experimentamos nessas festas em que todos chegam trazendo algo. Cada família leva algo diferente para comer, outros cuidam da música, outros arrumam o local de encontro, uns levam as bebidas e outros se responsabilizam pela limpeza. Todos nós usufruímos de tudo. E cada um contribui com o que tem ou com o que sabe fazer. Isso é colocar as aptidões a serviço da fraternidade. É isso que Jesus nos pede que façamos em nossa família, em nosso bairro, na nossa comunidade. Esse é o significado da parábola.
A comunidade é o lugar privilegiado para celebrar a fé e encontrar o sentido para a vida. Quem descobre isso acaba afirmando: “Na comunidade, eu sou feliz.”
Sim, porque Deus confiou às pessoas todos os seus bens, ou seja, o Reino. Esse cresce nas mãos daqueles que assumem o compromisso de ser filhos da luz e filhos do dia.
Neste dia, o Senhor quer dizer a cada um de nós: “Empregado bom e fiel… eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria!”
A vinda do Senhor não é pré-datada. Mesmo que o Senhor tarde a chegar, nosso compromisso com o Reino e sua justiça continua.
Por isso, a celebração é importante, pois nela comunicamos a morte e proclamamos a ressurreição do Senhor até que Ele venha.