Missa Vespertina da Ceia do Senhor Quinta-Feira da Semana Santa

    “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15)

     Na Quinta-Feira Santa à tarde, celebramos a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com o rito do lava-pés. A partir dessa celebração, inicia-se o Tríduo Pascal, ou seja, uma única celebração que se encerra somente no Sábado Santo, no final da Vigília Pascal. A Semana Santa, como um todo, é muito importante para os católicos, e deveríamos participar das celebrações todos os dias; mas, se não pudermos ir na segunda, terça ou quarta-feira, devemos participar ao menos do Tríduo Pascal e do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor.

    A Quinta-Feira Santa é um dia de festa para a Igreja, pois, pela manhã, celebra-se a Missa dos Santos Óleos, e os sacerdotes renovam as promessas sacerdotais feitas no dia da ordenação. À noite, recordamos a instituição da Eucaristia, na qual Jesus se faz alimento com seu Corpo e Sangue. A Eucaristia é a razão de ser da Igreja; sem a Eucaristia, não haveria razão para a Igreja existir. Por isso, rezemos pelos sacerdotes, pois, sem eles, não teríamos a Eucaristia e, consequentemente, não estaríamos aqui. Dessa forma, a Quinta-Feira Santa é um dia de festa e júbilo, mesmo em meio à penitência quaresmal que realizamos.

    A celebração da Santa Missa Vespertina da Ceia do Senhor recorda o gesto que Jesus fez na Última Ceia com os discípulos: o rito do lava-pés, ensinando que ninguém deve se considerar maior que o outro e que cada um deve ser servidor do próximo. Na Última Ceia, Jesus deixa como memorial o seu Corpo e Sangue, e, em toda missa, recorda-se esse gesto. Por isso, nesta missa de início do Tríduo Pascal, recordamos a instituição da Eucaristia e repetimos o gesto do lava-pés.

    Por ser uma festa, essa missa é celebrada com paramentos brancos e entoa-se o hino do Glória. Ao final da celebração, como já dissemos, não há bênção final, e o Santíssimo Sacramento é levado para um local à parte, onde haverá vigília e orações até a celebração da Paixão na Sexta-Feira Santa.

    O mistério da Eucaristia não conseguimos explicar plenamente, mas devemos vivê-lo no dia a dia. Contemplamos o mistério eucarístico com o olhar da fé; por isso, o sacerdote, após consagrar o pão e o vinho, diz: “Mistério da fé”, pois somente com esse olhar é possível compreender que o pão e o vinho consagrados se tornam o Corpo e Sangue de Cristo. Somente na eternidade esse mistério será plenamente revelado.

    Façamos o esforço de participar da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, iniciando bem o nosso Tríduo Pascal. Essa missa pode ser celebrada a partir das 18h; por isso é chamada “vespertina”, ou seja, ao cair da tarde. Normalmente, porém, as paróquias a celebram à noite, entre 18h e 22h, para facilitar a participação dos fiéis que trabalham.

    Após a comunhão, não há bênção final, como já mencionado, e o Santíssimo Sacramento permanece recolhido em um local à parte do sacrário para adoração até por volta das 23h ou meia-noite. A adoração é retomada na Sexta-Feira Santa pela manhã, geralmente a partir das 7h até o meio-dia, de forma simples, sem solenidade nem exposição. A Eucaristia tem tamanha importância para a Igreja que toda quinta-feira é dia votivo dedicado a ela, podendo haver exposição do Santíssimo e celebração com paramentos brancos e orações próprias.

    A primeira leitura da missa é do Livro do Êxodo (Ex 12,1-8.11-14). Nela, recordamos como era celebrada a Páscoa no Antigo Testamento: a passagem do povo judeu da escravidão no Egito para a liberdade na Terra Prometida. Para celebrar a Páscoa, era necessário imolar o cordeiro pascal, um animal. Hoje, para nós cristãos, o verdadeiro Cordeiro Pascal é Cristo, que se ofereceu por nós. Assim, a Páscoa cristã adquire um novo sentido: a passagem da morte para a vida, celebrando a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

    O Salmo responsorial é o 115 (116B): “O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o Sangue do Senhor”. Quando o sacerdote consagra o pão e o vinho, pela ação do Espírito Santo, eles se tornam o Corpo e Sangue de Cristo; ao comungarmos, entramos em comunhão com o Senhor, uma comunhão de amor que será plena na eternidade.

    A segunda leitura é da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 11,23-26). Paulo transmite à comunidade aquilo que recebeu: a narrativa da Última Ceia. Ele nos recorda que, ao participarmos da Ceia do Senhor, anunciamos a sua morte e proclamamos a sua ressurreição, sendo chamados também à partilha e à caridade fraterna.

    O Evangelho (Jo 13,1-15) apresenta o gesto do lava-pés. São João, o evangelista do amor, mostra que a Eucaristia está profundamente ligada ao serviço. Jesus, sabendo que sua hora havia chegado, lava os pés dos discípulos, ensinando que devemos servir uns aos outros com amor. Esse gesto revela que não podemos separar a comunhão com Cristo da caridade concreta para com os irmãos.

    João também menciona que o coração de Judas já estava inclinado à traição. Durante a ceia, Jesus indica aquele que o trairia e, após entregar-lhe o pão, diz: “O que tens a fazer, faze-o logo”. Judas sai, e inicia-se o caminho da Paixão.

    Para Jesus aquela foi a Última Ceia; para nós, porém, a plenitude dessa ceia acontecerá na eternidade. Em cada missa, tornamos presente esse mistério pascal. Por isso, Ele nos ordenou: “Fazei isto em memória de mim”.

    Celebremos, portanto, com coração confiante esta Quinta-Feira Santa e iniciemos com fé o Tríduo Pascal. Participemos intensamente dessas celebrações e recordemos sempre: Cristo se entregou livremente por nós, para a nossa salvação. Sem a Eucaristia, a Igreja não subsiste; ao comungarmos, já antecipamos aquilo que viveremos plenamente na eternidade.

     

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