A desconstrução das feridas emocionais

    As feridas emocionais se estendem através dos laços familiares de forma quase implacável. São como uma sombra que se camufla nas palavras, no modelo educacional, nos silêncios, nos olhares e nos vazios. Até que alguém maduro e consciente detém o processo para dizer basta e desconstruir essa teia de aranha.

    Trancados no isolamento dos próprios lares, quase ninguém sabe com plena certeza o que acontece entre as quatro paredes, onde gerações de pessoas compartilham um espaço em comum e os mesmos dramas. As feridas de uns impactam sobre os outros como ondas invisíveis, como fios que movem fantoches e como ondas carregadas de raiva que corroem as rochas das praias. Então, vamos falar de uma coisa complexa, dolorosa, e às vezes dilacerante.

    Quando falamos da origem dessas feridas emocionais que são transmitidas ao longo dos laços familiares é comum pensar em fatos como abusos sexuais, violência verbais, morais, física ou a perda traumática de um ser querido. Lacerações emocionais causadas por outros processos talvez muito mais comuns que as apontadas anteriormente. Vamos mencionar três fatores:

    1. Ter crescido sob uma criação baseada no apego inseguro ou em um contexto baseado na contenção emocional gera, sem dúvida, diversas feridas e inclusive transtornos emocionais.
    2. Fazer parte de uma família onde a ira sempre está presente é outro responsável. São contextos onde abundam os gritos, as censuras entre os seus membros, a toxicidade emocional, o desprezo e a desvalorização constante.
    3. Outro aspecto que pode ocasionar um grande impacto no seio de uma família é o fato da mãe ou o pai viver mergulhado em uma depressão crônica e não tratada. A impotência, os códigos de comunicação e as dinâmicas estabelecidas entre pais e filhos deixam marcas permanentes.

    Já ouvimos falar que a dor faz parte da vida, que o sofrimento nos ensina e que é preciso perdoar para a paz na alma. Na verdade, todas estas ideias têm importantes nuances que é preciso detalhar e inclusive reinterpretar.

    O renomado filósofo e teólogo Santo Agostinho de Hipona disse de forma magistral: “O ser humano aprende do sofrimento, mas muito mais pelo amor”. Não é uma obrigação sofrer para aprender; de fato, o verdadeiro aprendizado nos é dado pela verdade e pelo amor. Ambos são fundamentais para a cura, libertação e reconciliação.

    A cura das emoções traumáticas e a libertação de um passado escravagista patológico são as maiores vitórias da interioridade do ser humano. A família deve procurar ajuda de profissionais da saúde mental para um auxílio na qualidade relacional familiar, na saúde física, emocional, mental e viver uma nova modalidade de família na configuração terapêutica. As escolas proporcionarem no seu quadro de profissionais como: psicanalistas e psicólogos para terapia de alunos, professores, diretores e funcionários. Viver no equilíbrio emocional é obter resultados satisfatórios pelo que produz com prazer a felicidade pessoal e familiar. O bem-estar integral flui motivações para as grandes realizações de futuros e sadios laços familiares!

    Dr. Inácio José do Vale, Psicanalista Clínico, PhD.

    Trabalha Clinicando na Comunidade de Ação Pastoral – CAP

    Especialista em Psicologia Clínica pela Faculdade Dom Alberto-RS.

    Especialista em Psicologia da Saúde pela Faculdade de Administração, Ciências e Educação-MG.

    Doutorado em Psicanálise Clínica pela Escola de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea. Rio de Janeiro-RJ.  Cadastrada na Organização das Nações Unidas – (ONU).

    Autor do livro Terapia Psicanalítica: Demolindo a Ansiedade, a Depressão e a Posse da Saúde Física e Psicológica 

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